Líderes do Irã enfrentam indignação pública após derrubada de avião

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Líderes do Irã estão enfrentando a indignação do público, devido ao ataque de militares do país que derrubou um avião de passageiros ucraniano. A aeronave caiu nas proximidades de Teerã na quarta-feira passada (08), matando todas as 176 pessoas a bordo. Os militares iranianos inicialmente negaram qualquer envolvimento, mas posteriormente admitiram que derrubaram por engano o avião.

Entretanto, a medida foi vista por muitos como uma tentativa da liderança de encobrir a verdade, e desencadeou protestos em todo o país. As manifestações continuaram nessa segunda-feira (13). Policiais armados foram enviados ao centro de Teerã.

Acredita-se que as autoridades estejam tentando controlar informações, uma vez que a internet está fora do ar em algumas partes do país.

Rumores se espalharam na internet, dizendo que manifestantes foram feridos por tiros. A polícia divulgou declaração, afirmando que não disparou contra ninguém, e que está agindo com comedimento.

Protestos – De acordo com a agência Reuters, os manifestantes continuam a contestar o regime, após o abate do avião ucraniano. Os vídeos publicados nas redes sociais mostram milhares de iranianos protestando contra os líderes iranianos, incluindo o Líder Supremo, o ayatollah Ali Khamenei, com gritos de “morte ao ditador”.

De acordo com o jornal The Guardian, a polícia iraniana respondeu aos protestos de domingo com violência e balas reais, provocando vários feridos.  “Dispararam repetidamente gás lacrimogêneo, não conseguíamos ver nada. (…) Uma jovem ao meu lado foi baleada na perna. Foi terrível, terrível”, disse uma das testemunhas ouvidas pelo jornal britânico que preferiu não se identificar.

Em um vídeo disponibilizado após os protestos de domingo, junto à Praça Azadi, em Teerão, surgem imagens de sangue no chão. “Este é o sangue do nosso povo”, diz uma mulher na gravação.

“Vi sete pessoas serem baleadas. Há sangue por todo o lado”, ouve-se em um outro vídeo publicado nas redes sociais, cuja veracidade o jornal The Guardian não conseguiu comprovar.

A polícia negou ter respondido de forma violenta aos protestos. “A polícia não disparou contra os manifestantes. Os policiais da capital receberam ordens para mostrar moderação”, disse o chefe de polícia de Teerão, Hossein Rahimi.

De acordo com a agência Reuters, os protestos dos últimos dias já se espalharam a outras cidades do país, incluindo Shiraz, Esfahan, Hamedan e Orumiyeh.

No domingo, o ayatollah Ali Khamenei culpou a “presença corrupta dos Estados Unidos e dos seus companheiros” pela “atual situação turbulenta na região”, apelando por isso ao fortalecimento das relações entre os países na região.

Durante uma reunião com o líder do Qatar, o sheikh Tamim bin Hamad Al Thani, o Líder Supremo considera que a cooperação entre países constitui um esforço “para evitar o risco de influência externa”.

(Agências Brasil com informações da NHK e RTP, emissoras públicas de televisão do Japão e Portugal)

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