Ameaça da General Motors fechar fábricas no Brasil causa apreensão entre os metalúrgicos

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Um comunicado feito pelo presidente da General Motors para a América do Sul, Carlos Zarlenga, aos trabalhadores da empresa, na última sexta-feira (18) sobre a possibilidade das fábricas do Brasil e da Argentina serem desativadas causou preocupação, entre trabalhadores e a população em geral de São Caetano (SP), onde a montadora emprega cerca de 8,5 mil trabalhadores.  “Não vamos continuar investindo para perder dinheiro”, diz a nota da empresa.

Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano, Aparecido Inácio da Silva, o Cidão, “sem dúvida nenhuma” o anúncio preocupa. “É algo que envolve diversos segmentos, não só os empregos diretos”, afirmou

A Força Sindical, em nota, também repudiou a ameaça. “Não aceitamos que a situação seja utilizada para reduzir mais direitos, nem demissões ou o fechamento de fábricas. Defendemos os empregos e queremos estabilidade!”, diz a entidade.

No comunicado, enviado por e-mail e também fixado no quadro de avisos das cinco fábricas do grupo no Brasil, Zarlenga diz que a permanência da empresa nos países sul-americanos depende da volta da lucratividade.  Em fevereiro do ano passado, a GM anunciou obras de expansão do Complexo Industrial de São Caetano, que receberia investimentos de R$ 1,2 bilhão.

Resultado de imagem para fabrica da gm em são caetanoAtualmente, 4,5 mil trabalhadores da unidade do ABC estão em férias coletivas, que vão até o próximo domingo. “Fomos pegos de surpresa com essa informação. Negociamos acordo para esse aporte aqui e em nenhum momento foi falado de intenção de fechamento”, disse Cidão.

Nesta terça-feira (22) haverá uma reunião entre representantes da empresa, do sindicato e do poder público para um debate sobre o comunicado da multinacional aos trabalhadores. “É preciso grande esforço coletivo para produzir o que se faz necessário para que a GM avance nos investimentos na América do Sul, em especial para São Caetano”, afirmou o prefeito José Auricchio Júnior (PSDB).

Eis a nota da Força Sindical:

Na última sexta-feira (18) a General Motors (GM) enviou um comunicado aos seus funcionários, assinado pelo presidente da empresa no Mercosul, Carlos Zarlenga, onde coloca que a situação da empresa “é crítica” e que eles estudam a possibilidade de sair do Brasil e da América do Sul.

Logicamente isto leva apreensão aos trabalhadores. No entanto ela se contradiz com a realidade, visto que a GM anunciou um lucro global superior a 2,5 bilhões de dólares, o equivalente a R$ 10 bilhões, no último trimestre, e é líder de vendas na região.

Acontece que a empresa aproveita o momento para fazer uma forte reestruturação, com demissões e fechamento de plantas, como algumas que já foram anunciadas nos EUA e Canadá. Os trabalhadores não podem mais uma vez “pagar o pato”.

Repudiamos esta possibilidade de paralisação da produção no Brasil e na América Latina, e também que nos seja exigido mais sacrifícios, como diz o comunicado da empresa , já que foram feitas várias concessões à GM e a empresa sempre querendo mais.

Não aceitamos que a situação seja utilizada para reduzir mais direitos, nem demissões ou o fechamento de fábricas. Defendemos os empregos e queremos estabilidade!

Os sindicatos que têm representação na GM no Brasil manifestam sua oposição a esta reestruturação global que a GM vem promovendo, pois ataca os empregos com o fechamento de plantas e a retirada de direitos.

Participaremos na terça-feira (22), de uma reunião com representantes da empresa e defenderemos juntos os empregos e os direitos dos trabalhadores.

Miguel Torres
Presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM/Força)

Paulo Cayres
Presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM/CUT)

Atnágoras Lopes
Membro da Executiva Nacional da CSP/Conlutas

Wagner Santana (Wagnão)
Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

Aparecido Inácio da Silva (Cidão)
Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul

Weller Pereira Gonçalves
Presidente Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos

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