Armando Gaspar completaria em abril cem anos da chegada ao Maranhão

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Há um século um menino chegava ao Brasil, vindo de Portugal, em busca de um sonho que até hoje resiste pela obra que construiu

AQUILES EMIR

Filhos de Armando Oliveira Gaspar estão reunidos em São Luís para comemorarem, neste sábado (27), um século de sua chegada ao Brasil, estando marcada para às 17h30, na Igreja do Rosário, na Rua do Egito (Centro), uma missa. Armando Gaspar foi um dos mais importantes empresários do Maranhão até os anos 1980, tendo fundado várias empresas que tiveram continuidade por obra dos filhos.

Menino de apenas 12 anos, quando mal sabia ler e escrever, atendendo aos apelos da mãe, ele decidiu aventurar-se numa travessia do Oceano Atlântico, de Portugal para o Brasil e, foi aqui no Maranhão que, depois de superar diversos obstáculos, ergueu um dos maiores conglomerados empresariais, que ainda hoje, sequenciado pelos filhos, é referência na economia local, em diversos segmentos produtivos. Ele aportou, em Belém, em abril de 1919 para construir esta fantástica história de sucesso.

Natural de Silgueiros, na província de Bodiosa, do Conselho de Viseu, Armando Gaspar ficou órfão de pai aos 02 anos. Sua mãe, temendo por uma possível convocação para formar fileiras nos campos de batalha da Primeira Guerra Mundial, e percebendo que em terras brasileiras o futuro do filho seria mais promissor, decidiu, em 1918, mandá-lo para a ex-colônia, mas até a data do seu embarque teve de esperar alguns meses na capital Lisboa, a fim de fazer os desembaraços para emigração.

Após a longa travessia do oceano a bordo do navio Manco, numa viagem desconfortável, pois as economias só lhe permitiam viajar de quarta classe, sem conforto para dormir e até se alimentando com dificuldades, Armando Gaspar chegou a Belém (PA), onde havia um despachante a sua espera.

Armando Gaspar com o ex-presidente da Federação das Indústrias do Maranhão, Alberto Abdalla

Da capital paraense, viajou para São Luís, de onde seguiu rumo a Cururupu, cidade do litoral norte do estado onde residia o tio João Gaspar Picânço, famoso comerciante, farmacêutico e chefe político. Amparado pelo tio, aprendeu a desenvolver seus pequenos conhecimentos e, já rapaz, entendeu que seu futuro não seria ali, mas na capital, por isto mudou-se para São Luís, onde foi empregado na firma Francisco Freitas & Cia., localizada na Rua da Estrela, na Praia Grande, hoje mais conhecida como Centro Histórico. Foi neste mesmo prédio, que quase quarenta anos depois de sua chegada ao Brasil, Armando montou sua primeira empresa em São Luís.

Antes de se tornar empresário, foi ao encontro de dois irmãos que residiam no Rio de Janeiro. Empregou-se na Casa Matias, até que recebeu um convite para retornar ao Maranhão. O primo Antônio Gaspar Marques, comerciante bem sucedido em Viana, na Baixada Maranhense, decidiu mudar para a capital e estava à procura de alguém que pudesse continuar os negócios. Escolhido, Armando aceitou e se estabeleceu num dos prédios até hoje mais famosos da cidade, mais conhecido como Sobrado Amarelo, que muitos anos depois foi capa e título de um livro escrito pelo filho Carlos.

Armando Gaspar e a esposa, Zizi, que tiveram 13 filhos: José, Maria da Paz, Carlos, Maria de Lourdes, Maria Madalena, Antônio, Raimundo, Maria Regina, Mário, Armando, Francisco, Maria de Jesus e Luís Delfim

Da Baixada para a capital – Em 1945, já casado com Conceição de Maria Pinheiro Gaspar, mais conhecida como Dona Zizi, e pai de sete filhos – José, Maria da Paz, Carlos, Maria de Lourdes, Maria Madalena, Antônio e Raimundo – decidiu que os filhos teriam de viver num lugar onde pudessem estudar e encontrar profissão de nível superior, pois entendia que tudo na vida pode ser passageiro, menos o saber. Juntou a família e rumou para São Luís, onde fixou residência na Praça de Santaninha. A prole não parava de crescer e logo vieram mais seis filhos: Maria Regina, Mário, Armando, Francisco, Maria de Jesus e Luís Delfim.

Para manter a família com dignidade, Armando trabalhava todos os dias da semana, raras vezes tirava um domingo de folga. Tanto esforço tinha uma razão, a de não permitir que um filho sequer ficasse fora da sala de aula, e a recompensa veio quando viu todos eles formados: advogados, médico, professores, bioquímico, engenheiro, filósofo… Todos eles, de algum modo, apesar dos diferentes ramos de atividade, são a continuidade dos negócios que Armando frutificou.

Algumas das empresas que constituiu ainda estão em atividade. Foram elas: A. O Gaspar, A. O. Gaspar Indústria e Comércio, Casa Armando Gaspar, Algas Engenharia, Agropecuária Gaspar, Agisa, Armando Gaspar Indústria S/A e Sabino Oliveira, esta em Belém. São ramificações desses empreendimentos Auvepar e outras criadas pelos filhos após seguirem seus próprios destinos.

Exemplo de vida – Passaram-se 29 anos de sua chegada ao Maranhão para retornar à terra natal. Foi ao encontro da mãe, que passava por um delicado problema de saúde, e aproveitou a estada para, finalmente, conhecer Portugal. Alugou um carro e com um amigo viajou o país de ponta a ponta.

Armando Oliveira Gaspar, por tudo que viveu, conquistou e construiu, sempre demonstrou ter um profundo amor pelo Brasil. Sem dúvida um brasileiro de quem o Maranhão se orgulha, por ter feito desta terra sua segunda morada.

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