Câmara do Rio rejeita pedido de impeachment contra Marcelo Crivella

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Rio de Janeiro - O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella durante entrevista coletiva sobre as manifestações dos taxistas (Tomaz Silva/Agência Brasil)

A Câmara Municipal do Rio de Janeiro rejeitou nesta quinta-feira (12), por 29 votos a 16, o pedido de abertura de impeachment do prefeito, Marcelo Crivella, por crime de responsabilidade e improbidade administrativa. Foram protocolados dois pedidos, pelo vereador Átila Nunes (MDB) e pelo diretório municipal do PSOL.

Em ambos foi citada uma reunião promovida pelo prefeito no Palácio da Cidade, sede oficial da prefeitura, no último dia 4, a um grupo de fiéis evangélicos, quando foram feitas promessas de atendimentos de saúde e isenção de IPTU para igrejas.

Desde antes do início da sessão, marcada para as 14h, grupos de manifestantes de ambos os lados já se colocavam nos arredores da Câmara do Rio, na Cinelândia. A troca de provocações seguiu nas galerias.

No plenário, Átila Nunes ressaltou, em seu discurso da tribuna, que Crivella não poderia governar apenas para uma parcela da população. “Não podemos ser omissos neste momento. Diversas denúncias aconteceram neste ano e meio de mandato. Ele não pode governar para uma parcela da sociedade. Os áudios gravados são do próprio Crivella, fazendo promessas indevidas. O que decidirmos aqui vai sinalizar para as futuras administrações que se deve governar para todos”, disse o vereador.

Já o líder do governo na Câmara, vereador Doutor Jairinho (MDB), considerou que o país passa por problemas muito mais graves para serem resolvidos e que a reunião de Crivella não é motivo para impeachment. “O país passa por tantos problemas e vai se falar em reunião secreta? Quem vai dizer se ele deve governar a cidade é lá em 2020 [nas próximas eleições] e não através de golpe”, disse Jairinho.

Com a rejeição do pedido de impeachment, Crivella ainda poderá enfrentar denúncia por violar o princípio do estado laico na administração muncipal e privilegiar apenas um segmento religioso em diversos atos. A ação Civil Pública foi ajuizada ontem (11) pelo Ministério Público Estadual. Se condenado, o prefeito pode perder o cargo e pagar multa equivalente a R$ 500 mil.

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Protestos – Enquanto os vereadores decidiam o futuro do prefeito do Rio de Janeiro, do lado de fora da Câmara grupos que defendiam cada um dos lados trocavam ofensas e acusações em plena Cinelândia. Manifestantes favoráveis a Crivella foram os primeiros a chegar e vaiavam todos os vereadores de oposição que entravam no prédio da Câmara. No entanto, o grupo pró-impeachment foi crescendo aos poucos e se tornou maioria na Cinelândia.

Nas escadarias da Câmara, houve bate-boca, trocas de acusações e alguns dos favoráveis ao impeachment tiveram seus cartazes rasgados ou arrancados.

A psicóloga Basília de Paula se disse indignada com os áudios da reunião do prefeito com 250 fiéis onde Crivella indicava como acelerar processos para obtenção de IPTU, entre outras facilidades. “Sou de uma religião de matriz africana. Tem terreiro que está há dois anos tentando obter a isenção do IPTU, que é prevista em lei. Hoje há no Rio de Janeiro uma perseguição à cultura negra”, diz.

Já o comerciante Marcelo Francisco disse que a reunião não é motivo para impeachment. “Houve uma montagem dos áudios para prejudicá-lo. Já tivemos coisas absurdas no nosso país e nada ocorreu”. Segundo ele, a oposição quer forçar uma crise que não existe.

Mais cedo, a Câmara Municipal do Rio de Janeiro rejeitou, por 29 votos a 16, o pedido de abertura de impeachment do prefeito, Marcelo Crivella, por crime de responsabilidade e improbidade administrativa. O pedido de afastamento citava uma reunião promovida pelo prefeito no Palácio da Cidade, sede oficial da prefeitura, no último dia 4, a um grupo de fiéis evangélicos, quando foram feitas promessas de atendimentos de saúde e isenção de IPTU para igrejas.

(Agência Brasil)

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