Trabalhadores são prejudicados com suspensão de transporte, e greve é parcial no país

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Trabalhadora aguarda passagem de ônibus para chegar ao trabalho nas primeiras horas da manhã em São Luís

Diversas cidades brasileiras registram nesta sexta-feira (14) manifestações por mais recursos para a educação e contra as mudanças nas regras de aposentadoria. Convocada por centrais sindicais e outras entidades representativas de trabalhadores, a paralisação afeta, principalmente, o sistema de transporte público das cidades. De acordo com as centrais sindicais, estão previstos atos em mais de 300 cidades do país de 26 estados.

Em São Luís, nas primeiras horas da manhã os ônibus não circularam, prejudicando quem desejava chegar ao trabalho ou para cumprir outro tipo de agenda, mas não houve paralisação do comércio, dos bancos, das repartições públicas etc. Os poucos que tentaram circular foram proibidos de seguir viagem por militantes das entidades sindicais.

Para garantir adesão ao movimento, manifestantes bloquearam algumas das principais vias de acesso, causando engarrafamentos em diversos pontos da cidade. À tarde, houve um ato na Praça Deodoro (Centro) e uma marcha por algumas ruas da cidade, criando prejuízo para o trânsito.

Brasília – Desde o início da manhã de hoje (14), ônibus pararam de circular na capital do país. O Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans), autarquia responsável por controlar e avaliar o transporte público, estima que toda a categoria esteja paralisada.

Rodoviária do Plano Piloto amanhece sem ônibus em dia de greve geral.

O Metrô-DF funciona de forma reduzida. Funcionários estão em greve há 46 dias. Uma liminar do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) obriga um percentual mínimo de trabalho. Segundo o Sinicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários do Distrito Federal (SindMetrô-DF), a decisão judicial está sendo respeitada.

Em nota, a Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF) disse que o metrô funciona hoje até as 23h30, com 18 trens nos horários de pico, entre 16h45 e 19h30, e entre quatro e cinco trens nos demais horários.

As aulas nas escolas públicas também foram impactadas pela paralisação. Segundo o Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF), cerca de 70% dos professores aderiram ao movimento. Além da pauta nacional, contra a Reforma da Previdência e o contingenciamento feito no orçamento do Ministério da Educação (MEC), os professores do DF reivindicam uma série de pautas locais. Entre elas, a construção e reforma de escolas e o reajuste salarial de 37%.

Em nota, a Secretaria de Estado de Educação do DF disse que as aulas não ministradas durante a paralisação deverão ser repostas, em datas a serem definidas pelas direções das escolas.

O Sindicato dos Bancários de Brasília decidiu, em assembleia ontem (13), aderir à paralisação. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em todo o país há “casos pontuais de não funcionamento de agências em função da greve”.

A Federação ressalta que “existem canais alternativos para realização de operações bancárias à disposição dos clientes que usariam estes postos de atendimento. Internet banking, mobile banking, além de caixas eletrônicos podem ser utilizados para a maior parte das transações – como pagamento de contas, checagem de saldo e extrato, e transferências, por exemplo. Banco por telefone e correspondente também estão entre as alternativas de atendimento”.

Na saúde pública não há paralisações, de acordo com a Secretaria de Saúde do DF.

São Paulo – O Metrô de São Paulo ficou parcialmente paralisado devido a adesão dos trabalhadores à greve contra a reforma da Previdência. A Linha 1 – Azul, funcionava na manhã de hoje (14) entre as estações Luz e Saúde, deixando a zona norte da cidade descoberta pelo serviço. A Linha 3 – Vermelha operava entre as estações Marechal Deodoro e Tatuapé, deixando sem o transporte parte da zona leste e impedindo a interligação dos ônibus e trens metropolitanos na Estação Barra Funda. A Linha 2 – Verde manteve a maior cobertura, circulando entre as Clínicas e o Alto do Ipiranga. O Monotrilho, Linha 15 Prata, foi completamente paralisado.

O Metrô afirmou, por nota, que caso o serviço não seja mantido com um mínimo de 80% de operação nos horários de pico, conforme estipulado em liminar judicial, os empregados poderão sofrer sanções. “Os trabalhadores serão penalizados caso a decisão não seja respeitada. O movimento político, contra a reforma da previdência, prejudica milhões de pessoas em São Paulo”, enfatizou o comunicado.

Parte do serviço de ônibus intermunicipais que atende a região metropolitana da capital também parou. De acordo com a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU), a greve afetou as linhas que atendem os municípios de Guarulhos, Arujá e Itaquaquecetuba, com a interrupção das atividades em sete empresas da região.

Os ônibus e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) funcionaram normalmente. Na quarta-feira (12), a Prefeitura de São Paulo havia obtido uma liminar na Justiça para impedir a adesão dos cobradores e motoristas à greve. As linhas Lilás e Amarela do Metrô, que são operadas por empresas privadas, também funcionaram normalmente.

 Trabalhadores ocuparam às ruas logo cedo no dia da greve geral

A cidade também enfrentou manifestações em diversos pontos. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), os protestos interferiram na circulação das avenidas João Dias, na zona sul, na Francisco Matarazzo, na zona oeste, Dona Belmira Marin (zona sul), Santos Dummond (zona norte), Vinte e Três de Maio (centro) e no Elevado Costa e Silva, também no centro. Em alguns desses pontos foram feitas barricadas com pneus em chamas para impedir a passagem dos veículos.

Parte dos trabalhadores do sistema bancário também aderiu à paralisação. Com isso, agências em diversas partes da cidade amanheceram fechadas. O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, afirma que a greve também atingiu centros administrativos do Banco do Brasil, Santander, Bradesco, Caixa Econômica e Itaú.

O secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, disse que apenas 16% dos passageiros que normalmente utilizam o metrô foram atendidos na manhã de hoje. De acordo com ele, houve grande adesão, especialmente dos operadores de trens. A falta de pessoal fez com que o sistema operasse apenas parcialmente e que a abertura das estações só fosse possível às 5h40.

Na rede de ensino, o secretário estadual de Educação, Rossieli Soares, informou que apenas 74 escolas ficaram completamente paralisadas na manhã de hoje e outros 101 estabelecimentos funcionaram parcialmente. A rede estadual conta com 5,4 mil escolas.

Rio de Janeiro – Duas rodovias foram ocupadas por manifestantes na capital fluminense. O principal protesto foi realizado pela manhã, na BR-101, na altura do município de Campos. A rodovia ficou totalmente fechada por quase três horas:  das 5h às 7h46. A BR-040, que liga a capital à região serrana) ficou parcialmente fechada, na altura do km 113, próximo à Refinaria Duque de Caxias (Reduc), em Duque de Caxias.

Na capital, manifestantes fecharam parcialmente a Avenida Brasil, na altura do Caju, próximo ao centro. A polícia usou bombas de efeito moral para dispersar a multidão. O trânsito foi liberado pouco antes das 8h, causando engarrafamento com reflexos na zona norte e em Niterói. O trajeto pela ponte Rio-Niterói, que normalmente é feito em 20 minutos, chegou a mais de uma hora, no sentido Rio de Janeiro. Foram registrados protestos também em Niterói.

Metrô, trens da Supervia e ônibus funcionam normalmente até o momento.

Curitiba – Manifestantes contrários à reforma da Previdência bloquearam totalmente os dois sentidos do Contorno Sul de Curitiba, das 7h às 9h. Outro bloqueio ocorreu na BR-476, em Araucária, nas imediações da Petrobras. Os manifestantes interromperam o trânsito na rodovia por cerca de uma hora.

Policiais rodoviários federais estiveram no dois locais para garantir a segurança dos motoristas.

(Com informações da Agência Brasil)

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