Comunidades indígenas ganham da mineradora Vale cozinhas tradicionais com redário

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Construções têm como objetivo garantir um espaço comunitário para a realização de festas, rituais, oficinas de saberes práticos tradicionais

Três cozinhas tradicionais com redários foram entregues a comunidades indígenas maranhenses nessa semana, nas aldeias de Areinha, Novo Planeta e Nova, todas pertencentes à Terra Indígena Rio Pindaré, localizada no município de Bom Jardim. A ação faz parte do Plano Básico Ambiental Componente Indígena Awá e Guajajara das Terras Indígenas Carú e Rio Pindaré (PBACI), e integra o processo de licenciamento da duplicação da Estrada de Ferro Carajás, da Vale, que é acompanhado pelo Ibama e Funai.

A cozinha tradicional foi pensada e implementada com técnicas da bioarquitetura, que é uma vertente da arquitetura que prioriza o uso de conceitos coerentes com o pensamento ecológico, buscando técnicas e soluções de baixo impacto ambiental para a preservação dos recursos naturais e saúde dos usuários. Cada uma é composta por fogão e forno a lenha, bancada com duas cubas, além de utensílios para o preparo dos alimentos, como panelas, facas, tábuas, colheres, jarras, tigelas.

“Durante a fase de elaboração do Estudo do Componente Indígena (ECI), fase de licença prévia, identificou-se que a inexistência de espaços comunitários para a realização de festas, rituais, oficinas de saberes práticos tradicionais, reuniões e discussões públicas era uma das fragilidades para o resgate e fortalecimento da cultura e do modo de vida do povo Guajajara. Por isso, surgiu a proposta de construção de cozinhas tradicionais, para congregar os habitantes das aldeias em torno de suas tradições”, explicou Maria Isabel Galvão, analista de Relacionamento com Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais.

Mais inaugurações – Mais de 150 indígenas foram beneficiados com as inaugurações. Outras duas aldeias ainda vão receber cozinhas tradicionais, que fazem parte do Plano Básico Ambiental Componente Indígena Awá e Guajajara das Terras Indígenas Carú e Rio Pindaré (PBACI). O plano conta com 13 subprogramas, considerando as especificidades dos povos envolvidos.

Um deles é o de Fortalecimento Cultural, que tem por objetivo promover o conhecimento e o fortalecimento do modo de vida, dos saberes e das práticas Guajajara frente às transformações socioeconômicas regionais para valorizar, resgatar e documentar suas histórias, identidade e cultura com o apoio de novas técnicas e meios de expressão.

Vizinhos – No Maranhão, a Estrada de Ferro Carajás é vizinha à Terra Indígena Caru, ao longo de 36 km. Outras cinco aldeias estão distantes da ferrovia em até 2 km. Em razão disso, as estradas de serviço da Vale também são utilizadas pelos indígenas para chegar às suas aldeias. “Mantemos o diálogo e presença constante com esses povos e para isso temos uma equipe dedicada ao relacionamento com povos indígenas”, ressaltou Mª Isabel.

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Aquiles Emir
Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação