Flávio Dino chama juiz Sérgio Moro de militante da extrema direita

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AQUILES EMIR

O governador Flávio Dino (PCdoB) fez coro aos que criticaram a confirmação, nesta quinta-feira (1º), do juiz federal Sergio Moro para comandar o Ministério da Justiça e Segurança, anúncio que gerou reações distintas, pois enquanto aliados do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), elogiaram a escolha, a oposição criticou. Flávio Dino, por exemplo, chegou a insinuar que o juiz escondeu seus interesses políticos por baixo da toga.

Dentre que elogiaram a escolha está o senador e governador eleito por Goiás Ronaldo Caiado (DEM). Para ele, “sem dúvida alguma, a sua posição à frente do ministério vai resgatar cada vez mais a esperança do povo brasileiro”, disse ele. Em vídeo publicado nas mídias sociais, Caiado se dirigiu diretamente ao presidente eleito, enaltecendo sua sensibilidade ao escolher “um homem do quilate, da competência e da capacidade de Sergio Moro para combater a corrupção em nosso país”.

Caiado finalizou a breve fala colocando-se à disposição para trabalhar em sintonia com o futuro governo: “Contem com Goiás para poder dar dignidade a toda esta nação e fazer a política com altivez.”

Para o deputado Daniel Coelho (PPS-PE), a escolha segue o anseio da população de combate no que se refere ao combate à corrupção e representa o fortalecimento da Operação Lava Jato. “A gente sabia que teria chiadeira da velha política para a indicação de Moro, mas, pelo trabalho que ele fez e pelo desejo do povo brasileiro de combater a corrupção, sem nenhuma dúvida é uma grande escolha”, disse o deputado em vídeo postado nas mídias sociais.

Após elogiar a escolha de Moro, Coelho disse que o PPS terá posição crítica em relação ao futuro governo e criticou a fusão dos ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente.

Politização – A presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (foto), manifestou-se no Twitter, primeiro em tom irônico, quando Moro estava reunido com Bolsonaro, depois atacando a decisão do juiz federal. “Moro será ministro de Bolsonaro depois de ser decisivo para sua eleição, ao impedir Lula de concorrer”, escreveu a senadora.

Segundo Gleisi, o PT “denunciou a politização” das decisões de Moro, no episódio do grampo da ex-presidente Dilma Rousseff em conversa com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e no vazamento da delação do ex-ministro Antônio Palocci, nas vésperas do primeiro turno. “Ajudou a eleger, vai ajudar a governar”, afirmou.

Antes da confirmação de Moro, Gleisi criticou o encontro dos dois, lembrando que Bolsonaro afirmou que “Lula vai apodrecer na cadeia” e queria “exterminar os vermelhos”. “Viva juízes isentos como Moro e presidentes democráticos como Bolsonaro”, finalizou.

Já o governador Flávio Dino, em duas postagens nas redes sociais, também criticou a escolha e a opção tomada pelo juiz. “Sérgio Moro aceitar o ministério de Bolsonaro é um ato de coerência. Eles estavam militando no mesmo projeto político: o da extrema-direita. O grave problema é esconder interesses eleitorais por baixo da toga. Não há caso similar no Direito no mundo inteiro”, escreveu no Twitter.

Na segunda, disse que “a comprovação de interesses eleitorais na Lava-Jato, além de comprometê-la quanto ao já feito, infelizmente vai gerar suspeitas com relação a casos similares no futuro. Não é apenas Sérgio Moro que perde credibilidade”, afirmou.

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Ajufe – Em nota à imprensa, o presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Fernando Mendes, manifestou apoio a Moro na nova função. “Sergio Moro sempre foi um juiz federal exemplar e que muito contribuiu para o fortalecimento da Justiça Federal”, disse.

“Competência profissional e dignidade pessoal não lhe faltam para exercer as maiores funções em nossa República”, completou o juiz federal Marcelo Bretas.

A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) também comemorou a indicação de Moro. “Esperamos que o novo ministério, sob a chefia de Sergio Moro, possa avançar em medidas concretas necessárias para o enfrentamento do crime organizado, buscando minar o sistema financeiro das organizações criminosas, fortalecer ações de inteligência de combate ao crime organizado e criar centros integrados de ferramentas e de expertise nessa área”, disse o presidente da associação, Marcos Camargo, em nota.

(Com dados da Agência Brasil)

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