Governador Flávio Dino sinaliza que vai desistir de fechar o Parque Independência

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AQUILES EMIR

A ida do governador Flávio Dino (PCdoB), domingo (15), ao Parque Independência, onde abriu a 60ª Exposição Agropecuária do Maranhão (Expoema), deixou os agropecuaristas ligados à Associação dos Criadores do Maranhão (Ascem) entusiasmados com a possibilidade de uma mudança no projeto do governo quanto à destinação da área para construção de um conjunto habitacional, ou seja, tudo indica que que ele será mantido como local das próximas exposições, provavelmente com a reedição do comodato rompido unilateralmente em 2016, fato que inviabilizou a Expoema do ano passado.

O que para alguns pecuaristas soou como uma prova de recuo do governador foi quando ele prometeu repetir em 2018 o  apoio do Estado à Expoema, em São Luís. “Vamos fazer novamente um grande evento”, teria dito quando percorria o parque ao lado dos diretores da entidade. Um desses que acompanharam Flávio Dino disse ter ficado a impressão de que o governador sequer conhecia o que mandou destruir. “Parece que foi a primeira vez que ele veio aqui”.

Segundo esse pecuarista, é grande a possibilidade do governador rever sua decisão, pois “ele ficou impressionado com extensão e a beleza natural do parque e mais ainda com o poder de mobilização dos agropecuaristas de montarem num curto espaço de tempo a Expoema”, disse ele, ressaltando a boa impressão causada pelos expositores de animais, veículos, máquinas e equipamentos etc e os empregos e negócios temporários que o evento proporciona a centenas de pessoas.

De acordo com um auxiliar do governo com atuação no setor rural, a crise criada entre o Estado e os pecuaristas pode ser contornada com a distribuição da área, que mede mais de 35 hectares, para acomodar os interesses de todos os envolvidos na questão. Pelo que deixou transparecer, Flávio Dino foi mal aconselhado por quem tentou criar um fato político com o rompimento do comodato com a Ascem, sem medir as consequências da medida.

Segundo esse auxiliar, todo o parque vai ser fotografado e depois da exposição, que será encerrada neste domingo, haverá uma reunião sobre o destino do imóvel, que pela sua extensão pode ter uma parte destinada para a construção de casas e apartamentos, sem afetar o espaço de exposição. “Aqui tem terra demais”, disse ele.

Além de palco permanente da Expoema, o Independência poder servir de local para funcionamento de órgãos públicos e privados voltados para o setor primário: secretarias de Agricultura (Sagrima) e de Agricultura Famliar (Seaf), Agência de Extensão Rural (Agerp), Instituto de Colonização e Terras (Iterma), Agência de Defesa Agropecuária (Aged), Associação dos Criadores (Ascem), Federação da Agricultura (Faema), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Embrapa Cocais e outros.

Parque foi recuperado às pressas para realização da Expoema 2017

Além desses órgãos, alguns interlocutores já mostraram que o parque pode servir de suporte para os cursos de Agronomia, Medicina Veterinária, Zootecnia e outros da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), que é vizinha ao parque, bem como de área para visitação nos fins de semana, local de realização de outros tipos de mostras de animais e plantas, provas equestres e até mesmo de haras, onde as pessoas podem deixar seus cavalos “hospedados” com conforto e segurança mediante pagamento de uma taxa.

Vale lembrar que este foi o projeto apresentado pela Ascem, em dezembro de 2015, ao vice-governador Carlos Brandão (PSDB) pelo então presidente Assub Neto, que previa ainda compartilhamento com os moradores dos bairros no entorno, para práticas esportivas, religiosas, de lazer e culturais.

Histórico – Desde 1992 o Governo do Estado e Associação dos Criadores mantinha um comodato para que a entidade cuidasse do parque, o que foi ratificado em 2012 pela ex-governadora Roseana Sarney para vigorar até 2026. Em abril de 2016 o governador rescindiu unilateralmente o contrato, com a promessa de construir um conjunto habitacional. O parque ficou abandonado e foi recuperado às pressas para a realização da 60ª Expoema, mas ficou a interrogação se valeu a pena recuperar para depois destruir. Tudo indica que o Independência voltará a ser o que era.

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