Governadores do Nordeste defendem ações conjuntas com União para enfrentar coronavírus

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Camilo Santana, do Ceará: “Nesse momento temos de estar unificados para o enfrentamento de algo que tem afetado o mundo inteiro”

AQUILES EMIR

Os governadores do Nordeste, todos de partidos que fazem oposição ao governo federal, de maneira quase unânime elogiaram o diálogo mantido com o presidente Jair Bolsonaro, por teleconferência, nesta segunda-feira (23). Um dos mais comedidos foi Flávio Dino (PCdoB), do Maranhão, que preferiu elogiar a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio de Melo para evitar novos cortes do Bolsa Família e disse que vai aguardar a concretização dos acertos feitos pelos governantes.

O governador do Ceará, Camilo Santana, que é do PT, após o encontro, disse que foi muito importante abrir o diálogo com o Governo Federal. “Nesse momento temos de estar unificados para o enfrentamento de algo que tem afetado o mundo inteiro”, disse ele.
Ainda sobre a reunião, enfatizou que “saímos muito otimistas e nos colocamos à disposição para cooperar com o que for necessário. Esse é um momento de unidade no Brasil, precisamos superar questões políticas, partidárias, pessoais, ideológicas, e ter união com um único objetivo, para que todos os esforços sejam concentrados para que possamos superar esse problema do coronavírus aqui no Brasil”, acrescentou o governador cearense.

Já o governador Rui Costa, da Bahia, que é presidente do Consórcio de Governadores do Nordeste, além de elogiar o encontro, disse que “esse não é o momento de pensar em política, em partido político. É o momento para pensar em gente, cuidar das pessoas. Iniciar o diálogo com o governo federal será muito importante, não somente para o Nordeste, mas para o Brasil inteiro”.

O governador também enfatizou a vitória dos beneficiários do Bolsa Família. “Milhares de famílias do Nordeste que haviam sido excluídas voltam a receber o recurso, garantindo a alimentação dos seus filhos neste período de crise. É uma importante vitória”, comemorou.

João Azevêdo:, “esse é o caminho, o governo federal assumir o comando de todas das ações”

Unificação – Para o governador da Paraíba, João Azevêdo, “esse é o caminho, de o governo federal assumir o que é preciso, que é o comando de todas as ações, em um momento tão diferente no Brasil, que terá de rever, inclusive, vários conceitos, após a saída dessa crise, não só no campo econômico, mas de urbanização de cidades, por exemplo”.

O governador do Piauí, Wellington Dias, que também é do PT, comentou que o objetivo do encontro foi estreitar as ações e trabalhar em conjunto no enfrentamento ao Coronavírus. “Os recursos apresentados para a Saúde irão permitir os atendimentos necessário que as equipes municipais estão atuando. Ao mesmo tempo, permite as condições para que os estados possam trabalhar a média e alta complexidade, garantindo as condições de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e também a aquisição de equipamentos e medicamentos necessários para o tratamento de pessoas afligidas pela Covid-19”, destaca.

Renan Filho (MDB), governador de Alagoas, ressaltou a importância da reunião e sua representatividade para a união de esforços que o país necessita. “Esse problema não permite o trabalho isolado. Todos nós precisamos estar de mãos dadas. Parabenizo pelas decisões tomadas. Na carta, estávamos buscando alguns dos pontos que foram apresentados”, diz.

O governador de Sergipe, Belivaldo Chagas, falou da importância da integração de ações em nome do Brasil e justificou o porquê de alguns governadores terem se antecipado em seus medidas. “Em algum momento saímos um pouco à frente, por entendermos da necessidade de ações imediatas para cada Estado. O Brasil é um país de dimensões continentais e, às vezes, é preciso tomar algumas ações de forma isolada para que, no conjunto, acabe acertando. Às vezes é melhor errar tentando do que errar por omissão”, reforçou.

Bolsonaro falou com os governadores por meio de teleconferência nesta segunda-feira

Medidas – O governador do Maranhão destacou como um dos pontos positivos do encontro a suspensão, por quatro meses, das dívidas que os estados tem com a União. “Não é uma anistia. Mas por quatro meses as parcelas não serão cobradas”, disse o governador Flávio Dino.

Sobre a decisão do Supremo em relação ao Bolsa Família, disse que “graças a Deus tivemos uma resposta a essa ação judicial, reivindicação dos governadores Nordeste. O Supremo determinou que o Governo não corte o bolsa família de ninguém. Estamos atravessando momento de crise e essa é uma importante decisão neste momento”, finalizou o governador.

No encontro, o Governo Federal divulgou ações emergenciais para conter os danos da crise, dentre elas a liberação de R$ 85,8 bilhões para fortalecer instâncias estaduais e municipais, sendo, deste montante, R$ 8 bilhões aplicados diretamente na Saúde; R$ 16 bilhões para a recomposição dos Fundos de Participação dos Estados (FPE) e Municípios (FPM), devido à queda de arrecadação; R$ 2 bilhões para Assistência Social; R$ 40 bilhões para operações e facilitação de crédito para estados e municípios, bem como R$ 9,6 bilhões para renegociação de dívidas destas instâncias de poder; suspensão de cerca de R$ 12,6 bilhões em dívidas dos estados junto à União.

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Aquiles Emir
Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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