Marcas de modelos mais populares perdem espaço no comércio de veículos em São Luís

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Modelos mais sofisticados ganham preferência dos consumidores de veículos em São Luís

AQUILES EMIR

Até 2010, o comércio de veículos no Maranhão estava praticamente concentrado em quatro marcas – General Motors, Volkswagen, Fiat e Ford – que por muitos anos foram as montadoras autorizadas a produzir no país. Passados três anos do início da crise econômica que se estende até hoje, quando as vendas despencaram drasticamente, as concessionárias dessas fabricantes viram sua fatia no bolo diminuir e aparecerem, nos primeiros lugares do ranking de maiores vendedoras, nomes que até bem pouco tempo atrás eram vistos como os sofisticados do setor, até porque quase todos os veículos eram importados, portanto mais caros e de manutenção mais complicada devido à escassez de peças e acessórios.

Para que se tenha ideia do quadro atual do mercado automotivo maranhense, no mês de fevereiro foram comercializados, na capital, 937 automóveis e comerciais leves. Este era o volume que vendia, até quatro anos atrás, somente o Grupo Dalcar (General Motors). Além da queda nas vendas, o que chama atenção nos dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) é que entre as marcas mais vendidas, apenas uma das que dominavam o mercado aparece entre as quatro mais: Fiat, em terceiro lugar, com 12,8% de participação do mercado.

A liderança, em São Luís, foi ocupada pela Toyota, com 15,7% das vendas, vindo em seguida a Renault, com 13,8%, e em quarto lugar a Hyundai, com 12,0%.  A Ford, com 9,4%, é a quinta e as ex-campeãs – Volkswagen (8,2%) e General Motors (6,6%) – ocupam a quinta e a sexta posição, respectivamente. Em nível estadual, a Fiat ainda lidera, com 18,3%; a Toyota, com 14,6%, está em segundo lugar; e a General Motors, com 12,4%, em terceiro, enquanto a Hyundai mantém-se também em quarto, com 10,6% do mercado.

Para Ângelo Gusmão, os veículos estão mais sofisticados, ao gosto do cliente

Sofisticação – Para o executivo Ângelo Gusmão, diretor comercial do Grupo Luz, que representa as marcas Hyundai (nacional e importada), Citröen e dos caminhões Foton, o avanço das marcas que antes eram consideradas mais sofisticadas deu-se com o afastamento das camadas populares do mercado. Ele recorda que até quatro anos atrás era possível adquirir um veículo sem comprovação de renda e sem entrada, o que levou muita gente de poder aquisitivo baixo a se aventurar na compra de um veículo, e isto acabou resultando num alto índice de inadimplência, passando os bancos e financeiras a adotarem regras mais rígidas para aprovação de cadastro dos atuais pretendentes.

De fato, com a saída das camadas populares do mercado, modelos como Celta, Classic, Uno, Fiesta e Gol foram perdendo terreno (alguns desapareceram) porque aqueles que continuaram comprando passaram a buscar carros de melhor padrão e foi neste quesito que ocorreu a inversão, já que automóveis como HB20, Etios, Corola, Civic e outros de nível mais elevado já vinham com itens de fábricas mais atraentes e com preços competitivos, ou seja, o público migrou de marca. Além disso, a fabricação nacional desses modelos fez com que conquistassem mais confiança do consumidor nos casos de revisão ou troca de peças.

Para Marco Aurélio Garcia, do Grupo Páteo, que revende as marcas Toyota, Volkswagen, Renault, Land Rover e Mercedes, há outro fator que explica essa mudança de comportamento: a necessidade natural do ser humano de evoluir, ou seja, quem tem um carro popular sonha em ter um melhor na hora da troca, e assim vai até chegar a carros de linha top. Ele diz que hoje há também facilidades para compras, já que os bancos das montadoras criaram linhas de crédito em que o cliente financia apenas 50% do veículo com opção de pagar a outra metade no final ou então devolver o carro ou ainda vendê-lo para a própria concessionária, por um valor de mercado menor, porém justo, o que lhe permite trocar de imediato o seu veículo por outro premium.

Veja o ranking das marcas mais vendidas em fevereiro na capital:

  1. Toyota – 148 (15,7%)
  2. Renault – 130 (13,8%)
  3. Fiat – 120 (12,8%)
  4. Hyundai – 113 (12,0%)
  5. Ford – 89 (9,4%)
  6. Volkswagen – 77 (8,2%)
  7. General Motors – 62 (6,6%)
  8. Nissan – 48 (5,1%)
  9. Honda – 48 (5,1%)
  10. Jeep – 39 (4,1%)

Veja o ranking das marcas mais vendidas em fevereiro no estado:

  1. Fiat – 302 (18,3%)
  2. Toyota – 241 (14,6%)
  3. General Motors – 206 (12,4%)
  4. Hyundai – 176 (10,6%)
  5. Volkswagen – 159 (9,6%)
  6. Renault – 159 (9,6%)
  7. Ford – 139 (8,4%)
  8. Honda – 69 (4,1%)
  9. Nissan – 60 (3,6%)
  10. Jeep – 51 (3,0%)

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