Lula admite dificuldades do PT falar para trabalhadores e orienta foco nos evangélicos

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AQUILES EMIR

Fundado com apoio de lideranças sindicais e muitos sacerdotes católicos que formavam o segmento da Teologia da Libertação, o Partido dos Trabalhadores deve focar agora o segmento evangélico para se fortalecer nas periferias das grandes cidades, onde o povo só é assistido por pastores e traficantes. A opinião é do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, em entrevista concedida ao UOL, publicada neste domingo, na qual admite dificuldades para continuar falando para o trabalhador.

Segundo Lula, “o PT tem muita gente evangélica”, mas no meio dessa gente botou até quem não é mais da legenda há tempos: “A Marina Silva é evangélica, embora ela tenha começado a sua formação dentro de um convento católico, ela virou evangélica e era uma pessoa ligada à igreja evangélica no meu governo”, disse ele, referindo-se à sua ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, que há mais de uma década preside o partido Rede, que ajudou a fundar após romper com o PT.

Outro exemplo é a deputada federal pelo Rio de Janeiro Benedita da Silva, que “é um símbolo de uma figura petista evangélica”, e o ex-senador Walter Pinheiro, “que era evangélico e uma figura muito atuante na igreja”. Ainda de acordo com Lula, “muita gente na periferia, que é do PT, é evangélica”.

Ao fazer menção a esse novo foco do petismo, Lula disse que “o PT tem que entender é que essas pessoas (pastores evangélicos) estão na periferia, oferecendo às pessoas pobres uma saída espiritual, uma saída que mistura a fé, uma saída que mistura a fé, com o desemprego, com a economia”.

Ainda de acordo com a percepção do ex-presidente, as pessoas que moram na periferia estão ilhadas sem receber a figura do Estado. “E recebem quem? De um lado, o traficante que está na periferia; de outro lado, a Igreja Evangélica, a Igreja Católica, que também tem uma atuação forte ainda”.

http://www.aquilesemir.com.br/2020/01/lula-diz-que-nem-aqueles-que-votaram.html?spref=tw

Mudança – Lula disse que o PT sempre teve, no nascedouro, uma participação no povo evangélico progressista, que era minoritário, como é agora.

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Lula com os jornalista Leonardo Sakamoto, Marco Britto e Marcos Sérgio Silva

“O que difere é que, em 1980, a Volkswagen tinha quase 44 mil trabalhadores e, hoje, tem 9 mil. Os trabalhadores originários de onde o PT foi formado estão diminutos. Você tem trabalhadores em outras atividades da economia — fazendo entrega de comida, no Uber, em serviços de microempreendedores”.

Lula reconhece que o seu partido hoje tem dificuldades de conversar com os trabalhadores. “Antes você ia na porta de uma fábrica e fazia uma assembleia para 10 mil pessoas, hoje tem 500, 400… Está mais difícil organizar, conversar com os trabalhadores, como a gente conversava. O movimento sindical está repensando isso, inclusive o discurso não é mais o mesmo, as aspirações não são mais as mesmas”.

Diante desta nova realidade, o ex-presidente disse que o PT precisa voltar para a periferia para aprender a conviver com o movimento evangélico.

“O que é a Igreja Pentecostal, hoje, no Brasil? O que eles representam? Já são 30% ou 35% da população religiosa. No começo do século passado, era praticamente zero. E o pentecostal da prosperidade tem uma linguagem fácil para conversar com o povo. Porque você tem, de um lado, o autor de todos os problemas, que é o diabo, e a solução toda, que é Deus. E se não tiver solução, o cara é culpado porque não tem fé”.

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Aquiles Emir
Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação