Lula antecipa debate sobre sucessão e diz que esquerda pode vencer em 2022

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Ao participar neste sábado (09) de um ato político na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (Santo André, São Bernardo e São Caetano), em São Bernardo do Campo (SP), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a provocar o presidente Jair Bolsonaro e membros do governo. Ele disse que “duvida” que Bolsonaro, o ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança), o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o procurador e coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, durmam “com as consciência tranquila”.

Lula, que constantemente recebia visitas de advogados, namorada e jornalistas, disse que ficou 580 dias sem ter com quem falar. “Me dei conta que deveríamos enfrentar a situação. Eu disse que eles iam prender um homem, mas as ideias que construímos continuamente não poderiam ser presas, iriam continuar pairando pelo mundo inteiro. Agora cá estou eu: livre como um passarinho. Durmo com a consciência tranquila de um homem justo e honesto”, disse.

“Eu duvido que o Moro durma com a consciência tranquila que eu durmo. Que o tal do Dallagnol durma com a consciência tranquila que eu durmo. Aliás, eu duvido que o Bolsonaro durma com a consciência tranquila que eu durmo. Eu duvido que o ministro demolidor de sonhos, destruidor de empregos, chamado Guedes, durma com a consciência tranquila que eu durmo. E eu quero dizer para eles: eu estou de volta”, continuou, arrancando aplausos de seus apoiadores.

O petista ressaltou, ainda, que poderia “ter ido a uma embaixada” ou “a outro país” para não ser preso, mas que tomou a decisão de se apresentar à Polícia Federal (PF) para “provar que o juiz Moro não era juiz, era um canalha”. “Eu precisava provar que o Dallagnol não representa o Ministério Público, que é uma instituição séria. O Dallagnol montou uma quadrilha com a força-tarefa da Lava Jato”, atacou.

“O Bolsonaro chegou a confessar que ele devia as eleições ao Moro. Na verdade, ele deve ao Moro, ele deve aos juízes que os julgaram e à campanha de fake news que fizeram contra o companheiro Fernando Haddad e à esquerda deste país”, prosseguiu.

“O meu sonho não é resolver meus problemas. Minha vida tá toda bloqueada, mas eu tô com muito mais coragem do que já tive. Quero lutar pra realizar o sonho do povo brasileiro. Que é ter um emprego, ter renda, poder estudar, fazer um churrasquinho e tomar uma cachacinha no fim de semana”, prosseguiu, ressaltando que está disposto a “percorrer o país” para não deixá-lo ser “destruído”.

Lula sendo carregado por militantes que foram recepcioná-los em São Bernardo

Críticas ao governo – Lula não poupou críticas à atual gestão. Sobre Bolsonaro, o petista disse que ele “nunca fez um discurso que prestasse”, apenas ofendendo “mulheres, negros, LGBTs” e as pessoas mais frágeis, além de lembrar que o atual presidente se “aposentou cedo” e “nunca trabalhou”. “Eu quero saber porque que esse cidadão (Bolsonaro), que se aposentou muito jovem, resolveu acabar com a aposentadoria do povo brasileiro”, questionou.

Além das críticas à reforma da Previdência e às privatizações e concessões em curso, como as da Petrobras, o petista afirmou que não pode, “aos 74 anos de idade, ver essa gente destruindo o país que nós construímos”.

Ao lembrar os xingamentos à ex-presidente Dilma Rousseff (PT) na abertura da Copa do Mundo, em 2014, ele disse que Bolsonaro “é um palavrão”. “Fui criado para não dizer palavrão. Não vou dizer palavrão a Bolsonaro, ele é o próprio palavrão.”

O ex-presidente ainda acusou Bolsonaro de envolvimento com as milícias e pediu respostas para os casos do assassinato da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL) e do assessor de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), Fabrício Queiroz. “O Bolsonaro tem que entender que foi eleito pra governar para o povo brasileiro e não para os milicianos do Rio de Janeiro. A gente tem que saber quem mandou matar a nossa guerreira Marielle”, disse.

Eleições 2022 – Lula também convocou militantes, apoiadores, membros do PT e aliados do partido para uma “volta da esquerda” nas eleições de 2022. “Se a gente trabalhar direitinho, em 2022 a chamada esquerda que o Bolsonaro tanto tem medo vai derrotar a ultradireita nesse país”, declarou enquanto era aplaudido.

De acordo com ele, os brasileiros estão muito tranquilos e precisam “resistir” e “lutar” como o povo do Chile e da Bolívia. Ele pediu que os deputados “virem leões no Congresso”. “Eles não sabem o tesão que eu estou para lutar por esse país”, garantiu.

(Com informações da Jovem Pan)

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