Maranhão pode ser um dos fornecedores de milho para mexicanos

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Com os mexicanos abrindo as portas para o grão brasileiro, em roteiro extraordinário pelo país, a Expedição Safra conferiu como a oportunidade deve beneficiar a produção de milho no Nordeste brasileiro

AQUILES EMIR

O Maranhão poderá ser um dos estados mais beneficiados com os conflitos comerciais entre México e Estados Unidos, tornando-se um dos maiores fornecedores de milho para este país da América Central. Todos os anos, os mexicanos precisam importar entre 16 a 17 milhões de toneladas de milho para alimentação de bovinos, aves e suínos.

Mais de 95% grão vêm de plantações ao norte, do outro lado da fronteira com os EUA, mas os conflitos comerciais recentes levaram os mexicanos a buscar uma situação de menor dependência de um único fornecedor, e isso abriu oportunidades de negócio para o Brasil. Em roteiro extraordinário de uma semana pelo México, a equipe da Expedição Safra do jornal Gazeta do Povo, do Paraná, constatou que a região do Matopiba, formada pelos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, pode ser a principal beneficiada nas negociações para importação de milho, por se tornar mais viável para fornecimento do milho.

Segundo a última estimativa da safra agrícola para 2019 divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os quatro estados devem colher este ano 6,537 milhões de toneladas do grãos, sendo que cerca de 1/3 desse total sairá das áreas de plantio do Maranhão, 2,101 milhões de toneladas, vindo em segundo lugar o Piauí, com 1,649 milhão, Bahia com 1,644 milhão e o Tocantins com 1,143 milhão, ou seja, os agricultores maranhenses em breve poderão estar sendo procurados para destinar boa parte dessa produção para o México.

De acordo com o jornalista Marcos Tosi, a região se torna mais viável para atender a essa demanda devido à  posição geográfica. “O milho que é produzido no Matopiba escoa pelos portos do Arco Norte, que conseguem embarcar o grão com custo de transporte reduzido. Isso possibilita que os produtores da região se mantenham competitivos em relação ao milho fornecido pelos EUA”, explica.

Logística – Outro fator importante que tende a facilitar as relações entre os países é a ampliação do Porto Vera Cruz, que deve abrir espaço para mais cargas brasileiras. Com um investimento de 3,78 bilhões de dólares, a obra deve criar um hub marítimo, que irá facilitar a interligação da América Latina com o restante do mundo.

“Eles terão uma logística ainda mais capacitada para receber cargas brasileiras. Isso possibilitará a entrada dos navios Panamax, de 70 mil toneladas. Inclusive, o primeiro Panamax que deve entrar lá pode ser de grãos do Brasil. Até o fim do ano uma carga de milho deve entrar nesse novo porto do Grupo Gramosa”, diz Tosi.

Soja – Com pouca produção própria no México, a soja também é um grão importante para o país. Atualmente, as importações ocorrem em sua maioria pelo EUA, mas a lógica de mercado abre oportunidade parecida à do milho.

Somente nos últimos dois anos, a receita de exportação de soja brasileira para o México saltou de R$ 46 milhões para R$ 134 milhões, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), levantados pela Expedição Safra.

Embarque de Carnes – Além dos produtos graneleiros, México e Brasil estão em negociação para a renovação da cota do embarque de carne de frango. Atualmente, o país é o décimo importador de frango brasileiro, sendo o destino de 111,2 mil toneladas em 2018, conforme informações da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

“Quando o México abriu suas cotas para importação de carne para outros países, o Brasil pegou quase 99% disso. Porém, a cota que deveria terminar no fim do ano se esgotou já em março. Então, o Brasil está negociando com eles a possibilidade de uma renovação desta cota de 300 mil toneladas que havia sido liberada anteriormente. O México, no entanto, tem falado em apenas 55 mil. Então os países seguem em negociação, pois o Brasil, que atendeu ao pedido do México para liberar o comércio de automóveis entre os dois países, que agora uma renovação da cota, além da retirada de tarifas sobre têxteis e calçados”, relata Tosi.

Roteiro Mexicano – A Expedição Safra esteve no México entre os dias 05 e 13 de maio e passou pela Cidade do México, por Querétaro, Veracruz e Puebla. Nestas regiões, a equipe visitou empresas e propriedades do agronegócio local, a Secretaria da Agricultura e Desenvolvimento Rural (Sagarpa), o Centro Internacional de Melhoramento de Milho e Trigo (CIMMYT), e o maior terminal logístico graneleiro do país, o Porto Vera Cruz. Todas as reportagens estão em www.expedicaosafra.com.br

A Expedição Safra é um projeto realizado há 13 anos de forma ininterrupta, a Expedição Safra percorre as principais regiões produtoras de grãos da América do Sul, no início das atividades de plantio e, depois, na colheita, para apontar as tendências de cada ciclo. A edição da Expedição Safra 2018/19 é apresentada pelo Sistema Confea/Crea e Mutua. Com patrocínios da Caixa Econômica Federal, Sementes e Fertilizantes Castrolanda, Agrotec, Alta, Solaris e Sociedade Rural do Paraná. O apoio logístico é do Groupe Renault.

(Com informações do Expedição Safra)

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