Médicos com diplomas do exterior fazem o Revalida em São Luís e mais quatro capitais

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Cerca de 900 médicos, brasileiros e estrangeiros, diplomados em outro país estão se submetendo à segunda etapa da edição de 2017 do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituições de Educação Superior Estrangeira, o Revalida. Os testes começaram a ser aplicados neste sábado (17) e continuam neste domingo (18) em cinco capitais: Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Curitiba (PR), Manaus (AM) e São Luís (MA).

Na capital maranhense, os testes são aplicados no Hospital Universitário Unidade Materno Infantil, na Rua Silva Jardim (Centro), próximo aos Hospital Universitário Presidente Dutra.

A exigência é feita tanto para médicos brasileiros que estudaram medicina no exterior quanto para os estrangeiros que querem trabalhar no Brasil. Entre os candidatos que aguardavam o início das provas em Brasília, estava o cubano Pierre Oliveira*.

Ele contou que abandonou o Mais Médicos há dois anos, por considerar injustas as condições do programa. Casado há 4 anos com uma brasileira e com dois filhos, Oliveira trabalhou em uma cidade do interior do Mato Grosso pelo programa. Ele contou que desde que deixou o Mais Médicos tem se dedicado a estudar para o Revalida.

O professor cubano Juan Martin* aguardava a filha na saída do local de provas. A filha, de 26 anos, estudou medicina em Cuba. Ele considera uma forma de discriminação exigir revalidação do diploma de cubanos para participar do Mais Médicos. “Cuba tem muito bons profissionais. Se não for exigida a validação do diploma dos médicos de todas as nacionalidades, é uma gravíssima discriminação com os cubanos”.

Médicos estrangeiros e brasileiros que se graduaram em outro país, fazem a segunda etapa da edição 2017 do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituições de Educação Superior Estrangeira (Revalida).
Médicos estrangeiros e brasileiros que se graduaram em outro países fazem a segunda etapa da edição 2017 do Revalida – Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Exigências – Martin informou que chegou no Brasil há 21 anos, também por meio de convênio de trabalho. “A situação era pior que a do Mais Médicos. Tinha de entregar 75% para o governo cubano e os 25% restantes eram para pagar aluguel, comprar comida e enviar dinheiro para a família”, contou.

Após cinco anos distante da mulher cubana, ele acabou se separando. “Não era permitido sair do país com a família.” Martin se casou com uma brasileira e não voltou mais para Cuba. Faz apenas visitas esporádicas ao país. “A separação da família não é certa, mas quem vem para o Brasil está ciente das condições. Ninguém vem obrigado. Os médicos cubanos estão em cerca de 66 países em programas como o do Brasil e só o presidente brasileiro reclama”, criticou.

No último dia 14, o governo de Cuba informou que deixará de fazer parte do programa Mais Médicos. A justificativa do Ministério da Saúde cubano é que as exigências feitas pelo governo eleito são “inaceitáveis” e “violam” acordos anteriores. O presidente eleito Jair Bolsonaro disse, na sua conta do Twitter, que a permanência dos cubanos está condicionada à realização do Revalida pelos profissionais.

“Condicionamos a continuidade do programa Mais Médicos à aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou”, reafirmou o presidente eleito em sua rede social no dia 14.

“Além de explorar seus cidadãos ao não pagar integralmente os salários dos profissionais, a ditadura cubana demonstra grande irresponsabilidade ao desconsiderar os impactos negativos na vida e na saúde dos brasileiros e na integridade dos cubanos”, publicou Bolsonaro.

(Com dados do G1 e Agência Brasil)

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