“Não conseguimos fazer chover”, diz Ted Lago ao explicar queda no movimento do Itaqui

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AQUILES EMIR

O presidente da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), Eduardo Lago Filho, Ted Lago (foto), postou no twitter, na manhã desta quarta-feira (25), quatro mensagens para contestar a reportagem de Maranhão Hoje sobre a queda no movimento de cargas no Porto do Itaqui em 2016, muito embora o site não tenha atribuído a ninguém culpa sobre esse desempenho, apenas analisado uma situação de mercado, comparando os três últimos exercícios.

Uma das explicações do presidente da Emap é que, ao assumir a empresa, “encontramos o porto sucateado, com obras paradas, cais de São José de Ribamar em ruínas…” Sobre o fato de o Porto de Suape ter ultrapassado o Itaqui no ranking do Anuário Estatístico da Agência Nacional de Transporte Aquaviário (Antaq) do terceiro trimestre, Lago diz que “Pernambuco começou a operar a refinaria de Abreu e Lima e o Maranhão perdeu a sua em 2013/14”, numa referência à Refinaria Premium I de Bacabeira.

Vale ressaltar, no entanto, que o anúncio oficial do encerramento da refinaria do Maranhão, juntamente com a Premium II, do Ceará, foi feito pela Petrobras em fevereiro de 2015, quando as obras ainda estavam na fase terraplenagem, ou seja, sem previsão de receber óleo bruto ou exportar produtos refinados, o que iria ocorrer somente nos próximos sete anos, nas previsões mais otimistas, se o projeto tivesse continuado.

Outro fato, na interpretação do presidente da Emap, que contribuiu para o movimento no porto teria sido a quebra na safra agrícola, em mais de 40%, ou seja, menos exportação de grãos, o que poderá será revertido este ano, com a recuperação da colheita, que deve aumentar cerca de 50%, segundo projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).  “Temos implantado uma gestão focada em resultados e buscado novos mercados, mas não conseguimos fazer chover. Ainda”, disse ele (grifo é da reportagem).

Comparação – Numa das postagens, Ted Lago, para confrontar o seu modelo de administração com o anterior, lembrou que em 2016 foram movimentadas 16.9  milhões de toneladas e a Emap obteve um lucro de  R$ 43 milhões, enquanto em 2014, que teve um movimento maior, apesar das 18 milhões de toneladas (foram, na verdade, 17,9 milhões), o lucro da estatal foi de apenas R$ 4 milhões. “Tire suas conclusões”, pediu ele a este repórter.

Maranhão Hoje foi, então, ouvir um ex-diretor da Emap, que pediu para não ser citado, a fim de não se envolver num debate que considera inútil sobre quem fez mais pelo porto, já que cada governo contribuiu, ao longo desses anos, com sua modernização e seu crescimento, “uns mais e outros menos”.

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Terminal de Grãos (Tegram), iniciado em 2010, foi inaugurado em 2015

De acordo com esse ex-gestor, seria natural que a empresa tivesse lucro menor em 2014 do que o obtido em 2015, pelos investimentos que foram feitos com recuperação dos berços existentes, construção de pátios, modernização e atualização da área de informática/ comunicação, rede elétrica, reforma de escritórios, elaboração de um plano diretor do porto, além das licitações para entrada em funcionamento do Terminal de Grãos (Tegram) e do Terminal da Suzano, e ainda assim arrecadou R$ 100 milhões. Os dois terminais passaram a operar a partir de 2015, favorecendo, portanto, o desempenho naquele ano.

Quanto ao lucro de 2016, duvida: “Essa conta é impossível de fechar, a menos que tenham lançado capitais já acumulados e que seriam parte dos investimentos futuros que já estavam programados, além dos já efetuados que hoje beneficiam o porto”.

Explicações – A Secretaria de Comunicação e Articulação Política (Secap), em texto distribuído também nesta quarta-feira (25), reforça a versão do governo sobre o que ocorreu no Itaqui. Segundo o texto oficial, apesar do cenário climático adverso e em meio a uma grave crise econômica, a empresa manteve sua saúde financeira, reduzindo despesas em R$ 25 milhões em relação ao orçado para 2016, o que possibilitou fechar o ano com lucro líquido de R$ 42,9 milhões e preservar todos os investimentos planejados, e acrescenta uma fala do presidente da estatal: “Os resultados alcançados são fruto de uma visão integrada do negócio portuário que equilibra melhorias em infraestrutura, mudanças no sistema de gestão e de operações, foco em resultados e, sobretudo, trabalho em equipe”.

A Secap também inclui uma fala do governador Flávio Dino: “É interessante notar, contudo, e faço questão de sublinhar isso, que não obstante o resultado de 2016 tenha sido seguramente aquém do que nós teremos em 2017, ele não impediu que nós possamos cumprir nesse momento aquilo que havíamos projetado anteriormente”.

(Com dados e imagens da Secap)

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