Novo Ensino Médio será colocado em prática em escolas do Sesi e do Senai no Maranhão este ano

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PAULO HENRIQUE GOMES

O Maranhão irá implantar a metodologia do Novo Ensino Médio, a partir deste ano, em duas turmas das unidades integradas do Serviço Social da Indústria (Sesi) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), em São Luís e Imperatriz. Ao todo, são 80 alunos que terão a oportunidade de experimentar o novo método e cursar o ensino médio em conjunto com o curso técnico de eletrotécnica.

A Coordenadora de Educação do Sesi do Maranhão, Vanda Marli dos Santos, prevê que a metodologia seja expandida em outras cidades do estado nos próximos anos.

“A partir desse ano, a gente vai implantar duas turmas do novo ensino médio em duas escolas que nós temos no estado. Uma fica em São Luís, com 40 alunos, e a outra unidade do SESI, em Imperatriz, também com 40 alunos. Vamos trabalhar com o curso técnico de eletrotécnica nas duas turmas. A ideia é a gente começar com uma turma piloto. Existe uma avaliação contínua, tanto do departamento regional, quanto do SESI nacional, e a intenção é a gente ampliar”, declara.

O modelo oferece um currículo integrado por áreas de conhecimento e não mais por disciplinas, e inclui formação técnica que permite aos estudantes iniciarem mais cedo a vida profissional.

Os alunos podem escolher uma formação técnica dentro da carga horária do ensino médio regular. Caso obtenha sucesso, ao final dos três anos, o estudante terá o diploma do ensino médio e o certificado do ensino técnico.

O aprendizado contextualizado e integrado é uma das novidades trazidas pelo novo ensino médio, que começou a ser implementado pelo SESI e pelo SENAI no ano passado em cinco estados – Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás e Espírito Santo – com 226 alunos.

Segundo Vanda Marli dos Santos, com o novo método de ensino, os alunos passam a ter uma visão completamente diferente de sala de aula. “É um projeto que visa atender à necessidade desses jovens de hoje, que não querem mais ficar em uma sala de aula sentados, ouvindo o professor. Então, esse projeto traz para a gente essa experiência de colocar em prática esse aluno como protagonista do seu conhecimento, e o professor, ele vai ser apenas um mediador”, esclarece.

Esse também é o pensamento do estudante Douglas Oliveira, aluno do primeiro ano do ensino médio da escola SESI/SENAI José Carvalho, em Feira de Santana, na Bahia, que já testou o modelo de ensino do Novo Ensino Médio. “A diferença é bastante notável e extrema. É de um universo para outro, na verdade. Primeiro porque agora a gente tem mais liberdade e autonomia, tanto para estudar, quanto para poder procurar mais, pesquisar. Você tem mais essa motivação de procurar estudar”, descreve o jovem.

Mudanças – A nova norma prevê que os alunos do ensino médio terão 1.800 horas de formação geral básica, que será orientada pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), e até 1.200 horas de itinerários formativos como aprofundamento de estudos.
Ao todo, são 3 mil horas para todo o ensino médio, que começa com mais ênfase nos conteúdos gerais e, gradualmente, aumenta-se o número de horas-aula para a formação técnica e profissional.

No primeiro ano, são 800 horas para conteúdos gerais e 200 horas para aulas sobre iniciação ao mundo do trabalho. No segundo ano, são 600 horas para conteúdos gerais e 400 horas para formação técnica e profissional. No terceiro ano, isso se inverte: são 400 horas para formação geral e 600 horas para habilitação técnica. São previstos cinco itinerários no novo ensino médio: linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e formação técnica profissional.

Segundo a pedagoga especialista em gestão escolar Juliana Diniz, o Novo Ensino Médio representa um avanço na educação brasileira. “Nos parece que essa proposta traz um quê de modernidade, possibilitando que cada um dos alunos escolha determinados interesses, e com isso tenha chance de melhorar a qualidade daquilo que se constrói, processo de escolha, o empoderamento desse aluno, o considerando pessoa de potência. Essa ideia de trabalhar o ensino médio por percursos formativos tende a ser uma boa experiência”, argumenta a especialista.

Para 2019, o SESI e o SENAI programam uma expansão do modelo em suas unidades. Novos estados serão atendidos e novas habilitações serão ofertadas. Além de Eletrotécnica, os estudantes poderão optar pelas áreas de Matemática, Ciências da Natureza, Técnico em Mecânica ou Técnico em Rede de Computadores.

Pesquisa – Segundo um levantamento do IBOPE de 2016, época em que o Novo Ensino Médio estava em fase de discussão, 72% dos entrevistados se disseram a favor de mudanças no modelo educacional brasileiro. Outros 70% se mostraram favoráveis também à opção dos estudantes de escolherem as disciplinas em que irão se aprofundar e à possiblidade de optar pela formação técnica no ensino médio.

A Lei nº 13.415/2017 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e estabeleceu uma mudança na estrutura do ensino médio, ampliando o tempo mínimo do estudante na escola de 800 para 1.000 horas anuais (até 2022). Essa carga é horária é aplicada com uma nova organização curricular, mais flexível, que contemple uma Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a oferta de diferentes possibilidades de escolhas aos estudantes, além dos chamados itinerários formativos, etapa do processo de ensino que foca nas áreas de conhecimento e na formação técnica e profissional.

Segundo o Ministério da Educação, a mudança tem como objetivos garantir a oferta de educação de qualidade à todos os jovens brasileiros e de aproximar as escolas à realidade dos estudantes de hoje, considerando as novas demandas e complexidades do mundo do trabalho e da vida em sociedade.

(Agência Rádio Mais)

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