Novo presidente da Embrapa quer aproximar empresa de produtores

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O novo presidente da Embrapa, Sebastião Barbosa, toma posse no Palácio do Planalto.

O pesquisador aposentado da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Sebastião Barbosa, tomou semana passada no cargo de presidente da estatal, em cerimônia realizada no Palácio do Planalto. Ele assume o cargo ao fim do mandato de Maurício Antônio Lopes, que estava na função desde 2012.

Filho de agricultor sem terra do interior de Minas Gerais, Barbosa terá a missão de conduzir a empresa pública de pesquisa em um período de restrições orçamentárias e financeiras e com mudanças no governo federal, com a posse de um novo presidente da República, em janeiro próximo.

Com um orçamento de pouco menos de R$ 4 bilhões, boa parte gasto com a folha de pagamento, o novo presidente defende novas formas de financiamento para a empresa, com recursos da iniciativa privada e organismos internacionais.

“Precisamos de recursos e entendemos as dificuldades pelas quais o país passa”, disse, contando que a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), por exemplo, já prometeu recursos para pesquisas da estatal.

A extensão rural e a aproximação da Embrapa com o setor produtivo também são projetos defendidos pelo novo presidente. Para isso, ele espera contar com parcerias, como a da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), além da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), prefeituras, sindicatos, federações e outras organizações de agricultores, sejam eles pequenos, médios ou grandes.

“Eles se somam. Os pequenos agricultores, principalmente os de base familiar, perdem competitividade no acesso à tecnologia, insumos e mercados. Somente pelo associativismo isso poderá ser superado”, garantiu.

A região do semiárido receberá prioridade, segundo Barbosa, já que abriga uma grande população pobre e é a mais impactada pelos efeitos das mudanças climáticas.

“Eu sou filho de agricultor sem terra de base familiar, entendo as agruras do setor e a Embrapa desenvolve tecnologias para todos. Quero dedicar atenção a essa gente brava que trabalha ali, que precisa sobreviver e participar da economia do país”, disse.

Para alcançar mais mercados, ele também quer desenvolver setores como o de leite e derivados, frutas e produtos florestais. “O mundo mudou, nossos consumidores vão exigir mais comida, fibra e produtos florestais diferenciados, mais baratos, modernos e produzidos com sustentabilidade social e ambiental”, explicou.

EmbrapaDe acordo com a Embrapa, a empresa foi a primeira estatal a selecionar seu principal gestor seguindo processo previsto na Lei das Estatais, sancionada em 2016. O processo seletivo para escolha do novo presidente foi iniciado em agosto e 16 candidatos se inscreveram, dez do quadro e seis externos (inclusive Barbosa).

O candidato mais avaliado foi submetido à aprovação prévia da Casa Civil da Presidência da República. A mudança de comando não inclui os três diretores-executivos a empresa, que assumiram o cargo em julho de 2017 e possuem mandatos de dois anos, podendo ser renovados.

Vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a Embrapa conta com 42 unidades de pesquisa e sete unidades centrais. Possui 9.632 empregados, dos quais 2.434 são pesquisadores (74,69% desses com doutorado).

A empresa é referência mundial em pesquisa e tecnologia agropecuária e atua desde 1973 para viabilizar soluções para o desenvolvimento sustentável da agricultura, por meio de geração, adaptação e transferência de tecnologia ao setor.

Os seus pesquisadores e parceiros, por exemplo, por meio de melhoramento genético, já geraram cultivares de diversas espécies de plantas adaptadas às condições tropicais e subtropicais do Brasil.

Sebastião Barbosa destacou a conquista do cerrado pela agricultura como uma das maiores contribuições que a Embrapa já deu ao na produção de alimentos. “De uma agricultura inóspita, com pouca produtividade, essa [região] se transformou no celeiro do mundo”, disse.

De acordo com a Embrapa, seu lucro social em 2017 foi de R$ 37,18 bilhões, calculado com base nos impactos econômicos de uma amostra de 117 tecnologias e 200 cultivares desenvolvidos pela empresa e seus parceiros e transferidas para a sociedade.

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