Flávio Dino diz que Jair Bolsonaro condicionar pacto federativo à aprovação da reforma da Previdência pode parecer um “toma lá dá cá”

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O presidente Jair Bolsonaro chega à residência oficial do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para reunião com parlamentares e governadores.

AQUILES EMIR

O governador Flávio Dino (PCdoB) criticou, na saída da reunião na casa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), em Brasília (DF), nesta quarta-feira (08), a condicionante do presidente Jair Bolsonaro de que um pacto federativo passa pela aprovação da reforma da Previdência Social. “Não aceitamos uma abordagem de chantagem, uma abordagem que se transforme isso em um toma lá dá cá, porque são temas diferentes”, disse Flávio Dino.

Na sua fala aos governadores e demais presentes no café-da-manhã, Bolsonaro disse que a aprovação da Reforma da Previdência é condição essencial para que um novo modelo de pacto federativo saia do papel. A pauta, prioritária para governadores, que esperam a partir de uma descentralização de recursos da União reequilibrar as contas de seus estados, foi debatida com 25 dos 27 governadores ou vices, de lideranças do Senado e do ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, também participou do encontro.

Segundo o presidente do Senado, todos os governadores, mesmo os de oposição, como os dos Nordeste, que defendem modificações, por exemplo, em pontos da proposta como aposentaria rural e capitalização, se comprometeram a trabalhar junto às suas bancadas pela aprovação da reforma, mas para isso entregaram uma carta, assinada por todos, como seis itens que, segundo eles, compõe uma pauta mínima, que precisa avançar paralelamente à discussão da nova Previdência no Congresso.

“Se a gente quer efetivamente redistribuir a arrecadação precisa ter caixa. Mas (é fundamental) que (a reforma da previdência) esteja como foco principal de reequilibro das contas dos estados”, defendeu o presidente do Senado.

O presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), participa de café da manhã com o presidente da República Jair Bolsonaro e governadores de estados para tratar do Pacto Federativo. Também participam do encontro o presidente da Câmara e líderes do Congresso.<br><br>Participam:governador do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja; senador Nelsinho Trad (PSD-MS); senadora Daniella Ribeiro (PP-PB); senador Esperidião Amin (PP-SC); senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ); senador Izalci (PSDB-DF); governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, em pronunciamento.<br><br>Foto: Marcos Brandão/Senado Federal
Ibaneis Rocha (MDB), do Distrito Federal, avaliou que a grande maioria dos governadores não tem controle sobre suas bancadas

Pauta Mínima – Entre os pontos da carta está o chamado Plano Mansueto, que deve ser apresentado pela equipe econômica e trata da recuperação fiscal dos estados. Os governadores também querem mudanças na Lei Kandir, a reestruturação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), a securitização das dívidas dos estados, a renegociação da cessão onerosa do petróleo e a redistribuição do Fundo de Participação dos Estados (FPE), esse último por meio de uma proposta de emenda à Constituição.

Embora reconheça a importância da reforma da Previdência e que foi aberto um canal de diálogo entre estados e o Executivo Federal, para o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), a reforma e o pacto federativo são assuntos autônomos. Depois de manifestar-se contra um toma lá dá cá, Dino disse que a “reforma da Previdência é um tema de longo prazo que interessa ao governo federal, claro, a estados e municípios. Nós não aceitamos a ideia de como a coisa está condicionada a outra”.

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB) rechaçou as críticas de que esteja havendo toma-lá-dá-cá por parte do governo. Leite avaliou que estancar o crescimento do déficit previdenciário é fundamental para que a União possa compartilhar os bens.

“Eu não condiciono a reforma da previdência a outras medidas, mas evidentemente temos a expectativa de que o governo federal não se aproprie de outras receitas futuras e possa compartilhar isso com outros entes da federação “.

O gaúcho lembrou que o estado do Rio Grande do Sul está em processo de recuperação fiscal. “Dependemos muito dessa negociação com o governo federal, mas nem por isso, estamos fazendo a negociação nesses termos de que apoio a reforma desde que me aprovem um regime. Entendendo como legítima, como correta a posição do governo federal que não pode fazer um negócio de pai pra filho. Tem que tratar os Estados com a correta linha que permita ao país não perder credibilidade” defendeu Eduardo Leite.

Ibaneis Rocha (MDB), do Distrito Federal, avaliou que a grande maioria dos governadores não tem controle sobre suas bancadas e o mesmo também acontece com o próprio governo federal dadas as discussões geradas dentro do próprio partido do presidente da República. “Vamos ter que ter exercício muito grande de conciliação, de conversa. Acho que a política agora vai se mostrar de forma bastante real, na formação dessa base parlamentar que possibilite a aprovação da reforma junto ao Congresso Nacional”.

(Agência Brasil)

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