Pedido para arquivar ação contra José Sarney veio um dia após artigo com críticas a Janot

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AQUILES EMIR

A decisão do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) arquivamento do inquérito para investigar a suposta tentativa do ex-presidente José Sarney e dos senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Renan Calheiros (PMDB-AL) para obstruir a Justiça deu-se um dia após publicação, por Sarney, do artigo “O pau que bate em Chico “, no qual tece severas críticas ao procurador.

Publicado neste fim de semana, em seu jornal, O Estado do Maranhão, e em sua página na internet – www.josesarney.org.br – Sarney chega a duvidar do nível intelectual de Janot, pois as citações em seus despachos seriam extraídas de sites de busca na internet. “Eis que o Procurador-Geral da República, Dr. Rodrigo Janot, exímio citador do Google, de onde extrai versos de Gregório de Matos e frases de Fernando Pessoa, descobriu uma mata de bambu e começou a deles fazer flechas, que disparou para todo lado”, disse ele, criticando os últimos atos.

Em outro trecho, chega a a duvidar da imparcialidade do dirigente da PGR. “Ficamos mesmo com a impressão de que a Justiça não tinha mais o símbolo da balança e do equilíbrio para julgar, e sim um arco com flechas de bambu, que ele (Janot) ameaçou atirar até o último dia de seu mandato, que expira a 17 deste mês de setembro”.

Numa referência aos novos episódios envolvendo a delação premiada da JBS, comsiderada uma das maiores barberagens do procurador-geral, Sarney diz que uma das flechas atiradas por Janot teve o efeito bumerangue. “Voltou-se contra ele próprio, com a verborragia do Sr. Joesley Batista, que, agredindo o português, flechou também de um lado para outro. E com uma dessas flechas o Procurador Miller acusou, justamente, o flecheiro de ser o comprovante da tese do Ministério Público, levada ao Supremo, do “domínio do fato”, isto é, de que quem está em cima é responsável por tudo o que fazem os que estão embaixo”.

 

O pedido de arquivamento da ação contra Sarney já havia sido pedido também pela Polícia Federal no mês de julho, por insuficiência de provas. A PF entendeu que as conversas gravadas entre os três políticos com o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, não configuraram crime.

Renan, Jucá e Sarney respondem a um inquérito no qual foram acusados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) do crime de embaraço à Lava Jato, por tentarem barrar ou atrapalhar as investigações da operação. Aberto em fevereiro, o inquérito contra os políticos têm como base o acordo de delação premiada de Sérgio Machado e conversas gravadas entre ele e os outros envolvidos.

(Com dados da Agência Brasil)

 

 

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