Portugueses disponibilizam pedras para atacar brasileiros em universidade

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Uma caixa contendo pedras e o aviso de que seriam para jogar em brasileiros criou um ambiente tenso na Universidade de Lisboa, onde estudantes portugueses reclamam da excessiva presença de brasileiros em cursos de mestrado devido ao critério para ingresso dos mestrandos. A universidade admite o equívoco, já que a abertura das matrículas se dá antes de os portugueses estarem com suas médias do ensino médio computadas e os brasileiros chegam em desvantagem.

Sobre a caixa em que havia pedras um cartaz dizia: “Grátis se for para atirar a um zuca que passou à frente no mestrado”, numa referência aos brasileiros que passam à frente.

“A tensão começou a aumentar no ano passado”, admite Paula Vaz Freire, subdiretora da instituição, “quando reformulamos o regulamento de entrada no mestrado e o momento de candidatura.” Ao abrir os concursos em março e abril, verificaram um problema: os alunos portugueses ainda que ainda não tinham concluído a licenciatura, não podiam seguir para mestrado.

E, ao contar apenas com a média, verificaram que os alunos brasileiros chegavam com médias mais altas, e por isso entravam nos cursos com maior facilidade. “As notas nunca são muito elevadas na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa”, diziam vários alunos, das duas nacionalidades. “Faz parte da cultura da casa.”

Hoje, 60 % dos alunos de mestrado em Direito e Ciências Jurídicas são brasileiros. A própria representante dos alunos do Brasil admite que as regras beneficiam quem chega de fora com o curso já concluído. A subdiretora da faculdade promete resolver o assunto no futuro. “E ainda este ano”, diz Paula Vaz Freire.

Dos 5488 alunos da Faculdade de Direito de Lisboa, 1227 são brasileiros – ou seja, 22%. Os portugueses representam 66% dos estudantes da instituição, com 3620 inscritos.

A instalação foi foi feito pelo Tertúlia Libertas, um grupo satírico fundado depois do 25 de Abril para zombar de professores, alunos, e cenas da vida acadêmica. Quando Passos Coelho era primeiro-ministro e visitou a faculdade, eles passearam-se pelas instalações com um coelho enforcado. O ano passado fecharam as portas do estabelecimento em protesto contra o número excessivo de alunos nas turmas. São eles que publicam o jornal O Berro, que troça despudoradamente de professores e alunos.

“As piadas só têm piada quando funcionam para os dois lados. Eu sou estudante de mestrado e estou aqui com sacrifício, mas se me atrevesse a rir dos portugueses sei que eles não iam admitir e mandar-me de volta para a minha terra”, diz Amanda Machado, brasileira de Cuiabá (MT). “Este humor parece-me muito inclinado num só sentido.”

(Com informações da Agência Lusa)

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