Protestos desta sexta-feira na Bolívia deixam mais de oito mortos

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PEDRO RAFAEL VILELA

Autoridades da Bolívia confirmaram a morte de oito pessoas nos protestos ocorridos nesta sexta-feira (15) em Cochabamba, região central do país, após repressão da polícia e das Forças Armadas contra uma marcha de apoiadores do ex-presidente Evo Morales, que renunciou ao cargo no último domingo (10). Do México, onde está asilado, Morales não se sente culpado pela crise criada em seu país e faz apelo ao Papa Francisco e ONU para pacificarem o país.

O representante da Defensoria do Povo da Bolívia em Cochabamba, Nelson Cox, afirmou à rede CNN que outras 125 pessoas ficaram feridas e 110 manifestantes foram detidos durante a manifestação, considerada a mais violenta até agora desde a renúncia e saída de Morales do país.

O agora ex-presidente está asilado no México desde terça-feira (12). O comando do país foi assumido pela senadora de oposição Jeanine Áñez, do partido Unidad Demócrata, que declarou-se presidente da Bolívia. Ela removeu a cúpula militar e prometeu eleições “no menor tempo possível”.

Violência – Segundo a polícia, os manifestantes estavam portando armas de fogo e objetos contundentes, além de atirarem coquetéis molotov contra as forças de segurança, o que também teria resultado em vários feridos entre policiais e soldados.

Police officers hold up Bolivian flags while delivering a statement on the roof of a police station during a protest against Bolivia's President Evo Morales in La Paz, Bolivia, November 9, 2019. REUTERS/Manuel Claure NO RESALES. NO ARCHIVES

A repressão da marcha começou sobre uma ponte que une o municípios de Sacaba e Cochabamba, quando um grupo de cerca de 400 agricultores tentava chegar ao centro da cidade. Militares e policiais tentaram impedir a passagem dos manifestantes, mas não houve acordo entre as partes, desatando os distúrbios.

Possíveis erros – No México, Evo Morales disse que não se sente responsável pela atual crise na Bolívia, mas reconheceu que possivelmente tenha cometido erros.  Na avaliação dele, seu principal erro “foi derrotar os adversários”. “Somos seres humanos, mas nunca pensamos em prejudicar o povo boliviano”, afirmou.

Em entrevista ao programa En Punto, da rede Televisa, Morales afirmou que “por enquanto” não se vê de volta à presidência de seu país. Na avaliação dele, o país está “no estágio de recuperar a democracia e derrotar a ditadura”. Na última terça (12), ao chegar ao México, Morales disse que houve um golpe de Estado na Bolívia

“Por enquanto não”, disse Morales quando perguntado sobre um possível retorno à presidência boliviana, após renúncia no domingo passado, em meio a protestos sociais e uma abordagem militar.  “Agora estamos no estágio de recuperação da democracia, derrotando a ditadura. Estou feliz, porque agora saberão quem somos”, acrescentou.

Para Morales, “quando alguém está no poder há muito tempo, também se desgasta, mas vencemos o primeiro turno e não querem reconhecê-lo”.

“Vencemos quatro eleições consecutivas. Levamos em conta os diferentes setores sociais. No início do meu governo, não havia muita participação do setor industrial”, afirmou. O ex-presidente da Bolívia pediu ao papa Francisco e à Organização das Nações Unidas (ONU) que intercedam para “pacificar” o país em convulsão

Após a renúncia e saída de Evo do país, a senadora de oposição Jeanine Áñez, do partido Unidad Demócrata, declarou-se presidente da Bolívia. Ela removeu a cúpula militar e prometeu eleições “no menor tempo possível”.

(Agência Brasil com informações da Agência Télam e imagens de Manuel Claure/REUTERS)

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