PT, PSOL e PCdoB anunciam que vão boicotar posse de Bolsonaro

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AQUILES EMIR

O governo de Jair Bolsonaro (PSL) ainda nem começou, mas já é rotulado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) como autoritário, antipopular e antipatriótico. Em nota divulgada nesta sexta-feira (28), a legenda do ex-presidente Lula e que foi derrotada com a candidatura de Fernando Haddad, anunciou que boicotará a posse do novo presidente, terça-feira (1° de janeiro), apesar de reconhecer o resultado das urnas, decisão que foi seguida pelo PSOL e pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), este que teve como candidata a vice-presidente, a jornalista e deputada estadual pelo Rio Grande do Sul Manuela Dávila. 

Na nota, assinada pelo deputado Paulo Pimenta (líder na Câmara Federal), pelo senador Lindberg Farias (líder no Senado) e a presidente nacional da legenda, senadora Gleisi Hoffmann, o PT diz que “mantemos o compromisso histórico com o voto popular, mas isso não nos impede de denunciar que a lisura do processo eleitoral de 2018 foi descaracterizada pelo golpe do impeachment, pela proibição ilegal da candidatura do ex-presidente Lula e pela manipulação criminosa das redes sociais para difundir mentiras contra o candidato Fernando Haddad“.

Com a decisão, os deputados Zé Carlos (PT) e Rubens Júnior (PCdoB) já são dados como ausentes na solenidade, mas há a possibilidade da lista aumentar, com a opção de Elziane Gama (PPS) e Weverton Rocha (PDT) de permanecerem no Maranhão para prestigiarem a posse do governador reeleito, Flávio Dino (PCdoB). Lei mais em CONVERSA FRANCA.

Jair Bolsonaro derrotou o candidato do PT, Fernando Haddad

Em outro trecho, a nota diz que “o resultado das urnas é fato consumado, mas não representa aval a um governo autoritário, antipopular e antipatriótico, marcado por abertas posições racistas e misóginas, declaradamente vinculado a um programa de retrocessos civilizatórios”.

Eis a nota na íntegra:

O Partido dos Trabalhadores nasceu na luta da sociedade brasileira pelo restabelecimento da democracia, em 1980. Em quase quatro décadas de existência, o PT sempre reconheceu a legitimidade das instituições democráticas e atuou dentro dos marcos do Estado de Direito; combinando esta atuação com nossa presença nas ruas e nos movimentos sociais, aprofundando a participação da sociedade na democracia.

Participamos das eleições presidenciais no pressuposto de que o resultado das urnas deve ser respeitado, como sempre fizemos desde 1989, vencendo ou não. Mantemos o compromisso histórico com o voto popular, mas isso não nos impede de denunciar que a lisura do processo eleitoral de 2018 foi descaracterizada pelo golpe do impeachment, pela proibição ilegal da candidatura do ex-presidente Lula e pela manipulação criminosa das redes sociais para difundir mentiras contra o candidato Fernando Haddad.

O devido respeito à Constituição também torna obrigatórios a denúncia e o protesto contra as ameaças do futuro governo de destruir por completo a ordem democrática e o Estado de Direito no Brasil. Da mesma forma denunciamos o aprofundamento das políticas entreguistas e ultraliberais do atual governo, o desmonte das políticas sociais e a revogação já anunciada de históricos direitos trabalhistas.

O resultado das urnas é fato consumado, mas não representa aval a um governo autoritário, antipopular e antipatriótico, marcado por abertas posições racistas e misóginas, declaradamente vinculado a um programa de retrocessos civilizatórios.

O ódio do presidente eleito contra o PT, os movimentos populares e o ex-presidente Lula é expressão de um projeto que, tomando de assalto as instituições, pretende impor um Estado policial e rasgar as conquistas históricas do povo brasileiro.

Não compactuamos com discursos e ações que estimulam o ódio, a intolerância e a discriminação. E não aceitamos que tais práticas sejam naturalizadas como instrumento da disputa política. Por tudo isso, as bancadas do PT não estarão presentes à cerimônia de posse do novo presidente no Congresso Nacional.

Seguiremos lutando, no Parlamento e em todos os espaços, para aperfeiçoar o sistema democrático e resistir aos setores que usam o aparato do Estado para criminalizar adversários políticos.

Fomos construídos na resistência à ditadura militar, por isso reafirmamos nosso compromisso de luta em defesa dos direitos sociais, da soberania nacional e das liberdades democráticas.

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Aquiles Emir
Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação