Segundo romance do ex-senador José Sarney é adaptado para o cinema

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Afastado da política, pelo menos aparentemente, o ex-senador e ex-presidente José Sarney vai dedicando mais tempo para as artes. Segundo informação do jornalista Lauro Jardim, de O Globo, o romance A Duquesa Vale uma Missa, dua sua autoria, lançado em 2007, está sendo adaptado para o cinema. Leia blog CONVERSA FRANCA.

No romance, com o objetivo de desvendar os segredos de uma família, José Sarney mergulha na alma de Leonardo, um homem atormentado pelo quadro da Duquesa de Villars, obra-prima da pintura universal. Por meio de uma história fascinante que envolve o tema da falsificação, do engano e da loucura, o autor forjou outra obra-prima de sua consagrada trajetória literária.

Com erudição, mas também fluência, bom humor, sensibilidade para o detalhe e consciência para o amplo, ele se revela um escritor em pleno domínio de sua arte, pronto para surpreender o leitor mais uma vez.

Sobre a obra, escreveu Oscar Pilagallo, em artigo especial para a Folha de São Paulo:

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“A Duquesa Vale uma Missa”, a mais recente ficção de José Sarney, trata de uma obsessão improvável: a de um contemporâneo pela aristocrata do título, que, tendo morrido há quatro séculos, está imortalizada num dos quadros mais reconhecíveis da história universal da pintura.

A tela em questão é “Gabrielle d’Estrées e Sua Irmã, a Duquesa de Villars”. Na cena registrada por pintor anônimo do final do século 16, a duquesa segura o mamilo da irmã, o que deveria simbolizar que ela estava grávida do rei Henrique 4º.

Amante do rei, Gabrielle teve papel relevante na França. Com o país dividido entre católicos e protestantes, ela o convenceu a se converter ao catolicismo para conquistar Paris e unificar a França sob seu comando. “Paris vale uma missa”, ela teria dito.

Mas Leo, o narrador, gostava mesmo era da duquesa, a quem chamava de Julienne. Leo conviveu com a imagem de Julienne desde a infância, pois o quadro estava na biblioteca de seu pai, um burguês simpatizante do Partido Comunista Brasileiro que recebera a obra de Moscou para ajudar a financiar a fracassada tentativa de golpe no Brasil em 1935.

Em seu delírio de jovem, Leo descreve as visitas que Julianne lhe fazia. Foi através dela que conheceu o sexo. Tinha ciúmes dela, sentimento que a circunstância especial desse “relacionamento” torna ridículo. Sobre o rei, “um tarado de quem não gosto”, ele diz: “Se ele ressuscitasse (…), iria massacrá-lo de tanta porrada”.

Sarney, colunista da Folha, ambienta a história no Brasil contemporâneo. Não há datas, mas uma pista (uma inscrição funerária) remete a ação para o início de 1990, por coincidência (ou não) quando Sarney encerrava seu mandato como presidente. A propósito, há menções esporádicas a personagens reais. Lá pelas tantas, Leo, às voltas com o inventário do pai (cujo foco é obviamente o quadro), comenta ter vontade de contratar “o melhor advogado do Brasil, o dr. Saulo Ramos”. Trata-se do último ministro da Justiça de Sarney.

Quase novela  – Por abordar dois grandes temas e várias tramas paralelas, “A Duquesa Vale uma Missa” exigiria uma concepção sinfônica. O romance curto, no entanto, quase uma novela, tem registro camerístico. É daí que advêm as dificuldades da obra.
Os enredos não têm o tempo que seria necessário para se desenvolverem. Assuntos são introduzidos abruptamente. Passagens carecem da pausa que ajudaria a separar realidades tão distantes.

Contada na primeira pessoa, a história flui numa linguagem coloquial, cuja sintaxe flácida só pode ser atribuída às limitações intelectuais do personagem-narrador, um técnico que “não gostava de livros”.

Com “A Duquesa…”, Sarney concebeu um enredo original, que mistura suspense, sensualidade e digressão histórica. O resultado, entretanto, fica aquém do potencial.

(Oscar Pilagallo é jornalista e autor de A História do Brasil no Século 20)

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Aquiles Emir
Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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