Soja não compromete desmatamento no cerrado, diz pesquisa da Abiove

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Estudo encomendado pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) em parceria com a The Nature Conservancy – TNC e elaborado pela Agrosatélite concluiu que a cultura de soja na região do Cerrado brasileiro atingiu a menor taxa de desmatamento dos últimos 16 anos. A justificativa é o aumento da produtividade e a intensificação das plantações em áreas já disponíveis.

“A tendência é que esse número caia ainda mais nos próximos anos, principalmente com o uso de áreas já abertas. Como a maior parte das áreas preservadas está localizada dentro de fazendas, a compensação financeira para propriedades com excedentes de vegetação nativa pode contribuir para isso”, diz André Nassar, presidente da Abiove.

O Cerrado é o segundo maior bioma do Brasil e ocupa 204 milhões de ha (hectares), dos quais metade está coberto por vegetação nativa. As áreas protegidas com unidades de conservação e terras indígenas abrangem 25,9 milhões de ha (12,7% do bioma) e as plantações de soja ocupam 17 milhões de ha (8% do bioma).

O estudo, feito a partir da análise de informações geoespaciais, mostra que a expansão da sojicultura, nos últimos 5 anos, entre 2014 e 2017, foi de 1,4 milhão de hectares e somente 201 mil hectares de vegetação nativa foram convertidos em lavoura. Com isso, a soja respondeu, no período, por 8,8% do desmatamento no Matopiba, onde ocupa 4 milhões de hectares, e a somente 4% nas demais áreas do Cerrado, onde ocupa 13 milhões de hectares.

O estudo também mostra que 77% da soja expandiu sobre áreas com alta e média aptidão de solo e características edafoclimáticas (que se referem ao solo e clima). Isso significa que 23% da soja avançou em áreas que antes não eram consideradas aptas ao plantio.

Além disso, para a Abiove, há considerável área de pastagem degradada no Cerrado que poderá vir a ser utilizada para o cultivo de soja. De acordo com o estudo da Agrosatélite, existem 25,4 milhões de hectares de áreas com alta aptidão para a expansão da produção agrícola. Entre 2000 e 2014, mais de 5,6 milhões de ha de pastagens foram convertidos em culturas anuais, com forte destaque para a soja.

“O setor tem experimentado rápida evolução no aproveitamento do solo a partir de pesquisas e desenvolvimento tecnológico. Aumentar as plantações sem impactar a vegetação nativa é fundamental para que o Brasil se mantenha na liderança como produtor e exportador de soja sustentável para o mundo”, afirma Nassar.

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