Alguém pode ser responsabilizado pelas mais de 600 mil mortes por covid-19 no Brasil? Quem?

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Uma tragédia sanitária que alimenta debates políticos 

AQUILES EMIR

O Brasil chegou nesta sexta-feira (08) às mais de 600 mil mortes por covid-19, uma tragédia sanitária que, como em nenhuma outra parte do Planeta, vem sendo debatida mais pelo lado da política do que da Medicina e da Ciência. Cientistas, médicos e outros profissionais que poderiam ajudar a população a entender o que de fato ocorreu (e ainda vem ocorrendo), o que deixou de ser feito e quais medidas precisam ser tomadas para se evitar repetição de situações caóticas como esta no futuro, foram silenciados pelos políticos, que encontraram na macabra estatística argumentos para início da campanha eleitoral de 2022.

A grande pergunta que não quer calar, até porque ninguém quer responder, é se nessa pandemia, cuja responsabilidade para seu enfrentamento seria do presidente da República, dos 27 governadores e dos mais de 5,4 mil prefeitos, apenas uma pessoa deva ser responsabilizada sobre o que aconteceu, como pretendem alguns segmentos da política.

Vale destacar que ao decidir que as medidas de enfrentamento seriam compartilhadas entre União, estados e municípios, o Supremo Tribunal Federal não isentou nenhum desses dos chefes desses entes das responsabilidades pelo desfecho. Ora, isto significa dizer que boa parte desses óbitos é por culpa também dos gestores estaduais e municipais. Infelizmente, as narrativas dizem o contrário, apontando apenas um deles.

Não se trata de uma defesa do presidente Jair Bolsonaro, até porque são conhecidos seus muitos erros desde o surgimento do primeiro caso, e os principais estão no campo das ideias, pois, mesmo com um discurso destrambelhada, não deixou de tomar as medidas que lhe caberiam tomar.

Quem melhor define o desempenho do chefe do Executivo Federal é o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil. Segundo ele, Bolsonaro faz o mais difícil – auxílio emergencial, preservação de empregos, abertura de leitos de UTI, compra de vacinas etc – mas desmancha tudo ckm os seus discursos no cercadinho do Palácio da Alvorada.

O melhor local para se saber o que aconteceu e ainda acontece seria a Comissão Parlamentar de Inquérito criada no Senado com essa finalidade, mas seria otimismo demais esperar algo de uma CPI com os atores escalados para colocá-la em ação.

Faltou à CPI investigar a aplicação dos recursos federais recebidos por estados e municípios. Como os senadores fizeram vistas grossas às várias investigações da Polícia Federal e da Controladoria Geral da União (CGU)? Como a comissão ignorou a  atuação de governadores a favor dos tão criticados medicamentos sem eficácia? Se matam, eles provocaram óbitos também? Muitas outras perguntas caberiam, mas…

Verdade é essa questão um dia será esclarecida, mas talvez demore muito a vir à tona e se vier ficará restrita ao meio acadêmico. Certo é que agora nada de aprofundado se pode saber, principalmente sabendo-se que até o início da votação no pleito de 2022, melhor deixar como está, pois assim ambos os lados nutrem suas crias para serem admiradas e embaladas pelos seus seguidores.

Triste espetáculo!

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Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação