Imortalidade hereditária: Flávio Dino concorre à vaga do pai na Academia Maranhense de Letras

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Governador disputa vaga com outros dois pretendentes

AQUILES EMIR

A Academia Maranhense de Letras realiza nesta quinta-feira (21) eleição para escolha do novo ocupante da cadeira 32. Pela primeira vez, uma vaga para o seleto grupo de intelectuais da Casa de Antônio Lobo será disputada por um governador, no exercício do mandato, e mais: o resultado pode inaugurar um sistema de hereditariedade na imortalidade maranhense, pois um dos concorrentes é filho do antecessor imediato.

A cadeira em disputa tinha, até o ano passado, como ocupante, o advogado, jornalista, escritor e político Sálvio Dino Costa, que foi, dentre outros cargos públicos exercidos, prefeito de João Lisboa, na região tocantina maranhense, e deputado estadual. Ele é pai do governador Flávio Dino, que decidiu pleitear a cadeira.

Não é a primeira vez que um o governador entra para a AML porém nunca a função poderá ter peso para desequilibrar uma disputa.

Em 1984, o médico Pedro Neiva de Santana foi escolhido para a cadeira 39. Ele foi governador, de 1970 a 1974, ou seja, se imortalizou dez anos depois de deixar o Palácio dos Leões.

Antes dele, José Sarney, governador de 1966 a 1970, foi escolhido membro da entidade em 1959, isto é, seis anos de se candidatar e sete de tomar posse na chefia do Poder Executivo Maranhense.

Além de Flávio Dino, que é membro da Academia Maranhense de Letras Jurídicas, concorrem a ocupante dessa cadeira, o advogado, antropólogo e escritor José Rossini Corrêa, muito elogiado pelo seu trabalho intelectual, e o escritor e historiador Antônio Guimarães de Oliveira, membro do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (IHGM).

Com esta eleição, a Academia dá por concluído o processo para preenchimento das quatro vagas que foram abertas em 2020.

A cadeira 02 será ocupada por Fernando Braga, que sucede Waldemiro Viana; para a de número 15, que era ocupada por Milson Coutinho, foi eleito o advogado Daniel Blume; para a cadeira 38, o escolhido para suceder José Maria Cabral Marques é o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Reynaldo Soares Fonseca.

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Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

4 COMENTÁRIOS

  1. Se Flávio Dino vier a perder a eleição para a Cadeira 32 da AML, o que estão dizendo que é muito provável, aposto que o Sarney ainda vai tirar de onda que não trabalhou uma palha pela eleição dele, assim como vai parabenizar o vencedor da eleição com todos os afagos camaleônicos do mundo. E aí quem vai ficar com a “cara de Nhô Zé” são os cupinchas dele da academia que votaram e trabalharam na surdina obedientemente para o governador. Só que todo mundo já sabe quem são eles.

  2. Abre-se uma vaga na Cadeira nº 32, da Academia Maranhense de Letras, conhecida no meio acadêmico como a “Casa de Antônio Lobo”. Pode-se dizer que é uma das maiores aspirações que uma pessoa pode ter, quando almeja ser uma das figuras proeminentes no mundo das Letras, no cenário brasileiro e aqui na terra dos grandes poetas e escritores, como Gonçalves Dias, Graça Aranha, Coelho Neto, Gonçalves Dias, Aluísio Azevedo, Artur Azevedo, Gentil Braga, Josué Montello, Ferreira Gullar, Nauro Machado, Maria Firmina dos Reis, Arlete Nogueira Machado e tantos outros que se notabilizaram na área literária. A cadeira de número 32 tem como patrono Joaquim Vespasiano Ramos (Caxias 1884 – Porto Velho 1916), uma das grandes figuras do nosso mundo literário. A Casa de Antônio Lobo, ao longo de sua história, vem recebendo literatos, sem a insígnia da hereditariedade e da política; sendo assim, aquele celeiro de intelectuais e figuras proeminentes da nossa literatura, não pode ser palco de disputas por referência política ou familiar. Aquela Casa tem que ser honrada por quem realmente tem cabedal literário para ocupar uma cadeira. O escritor, professor, poeta e pesquisador Antônio Guimarães de Oliveira tem esse cabedal; autor de uma vasta produção literária, como “Algodão no Mearim”, “O Parto da Insônia”, “Algodão: Ouro Branco”, “O Arquivista Acidental”, “A Fuga do Perfume”, “Artigos Diversos”, “Pêndulos & Fiéis”, “São Luís: Memória & Tempo”, “Pregoeiros & Casarões”, “Becos & Telhados”,” Adagas & Punhais”, e outros é um dos fortes candidatos à cadeira 32, da Academia Maranhense de Letras (AML) e a sua eleição irá honrar, sem sombras de dúvida, a Casa de Antônio Lobo.

  3. SOBRE CADEIRA N° 32, ACADEMIA MARANHENSE DE LETRAS – AML. Meus amigos e amigas. O escritor José Sarney possui todos os meus livros e eu, os dele… Sobre Benedito Buzar, bom cidadão e grande historiador, porém acredito, sinceramente na força da literatura maranhense e seus grandes escritores. Acredito que não ocorrerá o “favor político”. Acredito na idoneidade de todos os acadêmicos e acadêmicas. Vamos aguardar o dia 21 de outubro… Quando efetivei a minha inscrição na cadeira em voga, a 32, fomos informados que o Governador não seria candidato e que o Presidente José Sarney não se envolveria em disputa literária. Eu acredito nesse grande homem que entrou na Academia Maranhense de Letras, pela porta da frente, por méritos, e quando não era Governador, e no IHGM com apenas 21 anos de idade, sendo o decano em ambos os círculos de notáveis. Acredito nos acadêmicos e acadêmicas. Estou na disputa pelo quê produzí ao longo dos anos. O escritor Carlos de Lima, em sua posse, falou que, infelizmente a Academia tinha chegado tarde demais para ele, devido sua idade. Espero que não ocorra o mesmo comigo. Conto com o seu apoio, apoio de todos, em manter contato com os acadêmicos e acadêmicas que votarão no dia 21. ANTONIO GUIMARÃES DE OLIVEIRA. CADEIRA N° 32. Deus seja louvado!!! Fraternais Abraços!

  4. Caro Aquiles
    Quero acrescentar algumas informações e fazer alguns comentários sobre a “Imortalidade hereditária”.
    1) Os candidatos à Cadeira 32 da Academia Maranhense de Letras (AML) são 5:
    – José Rossini Corrêa; Antônio Guimarães de Oliveira; José Carlos Castro Sanches; Azenate de Oliveira Souza; e Flávio Dino;
    Os que têm mais chances de serem eleitos são Rossini Corrêa e Flávio Dino.
    2) Os governadores que ocuparam cadeiras na Academia foram, pela ordem, Godofredo Viana, José Sarney e Pedro Neiva de Santana, nenhum deles quando estavam no exercício do cargo de chefe do Executivo do Estado. O primeiro (Godofredo) depois de terminar o mandato, o segundo (Sarney) muito antes de se tornar governador e o terceiro (Pedro Neiva) 10 anos depois de terminar seu governo. Essa é uma tradição que se mantém há 113 anos, desde 1908, quando da fundação da AML;
    3) Mas então governadores em exercício estão proibidos de se candidatar à Academia? Não há impedimento estatutário para isso, mas nesse longo período todos tiveram o bom senso de não fazê-lo. Melhor do que ninguém, eles sempre souberam da força de pressão sobre os acadêmicos que o cargo lhes dá, numa sociedade em que muita coisa orbita em torno do setor público;
    4) Numa eleição, como a do momento, essa força é inevitavelmente usada, em especial quando o governador-candidato tem o apoio de acadêmico que também é chefe de Poder, o Judiciário, mas que, no seu caso, foi eleito à Academia por seus próprios méritos, pois, quando de sua eleição, não era chefe de Poder;
    5) Em resumo, o apoio de dois Poderes (e ainda que fosse de apenas um) deixa quase nenhum espaço para a os adversários do governador-candidato, tornando a disputa desigual e, possivelmente, o presidente da Casa uma rainha da Inglaterra. Todos os governadores da República no Maranhão compreenderam isso muito bem e moderaram suas pretensões, decidindo aguardar a hora certa para concorrer.

    São esses, caro Aquiles, os meus comentários
    Obrigado por sua atenção

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