Conar investiga questões éticas sobre aparição de Elis Regina em propaganda da Volkswagen

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Artista morreu em 1982 e interage com a filha Maria Rita 

A campanha publicitária sobre os 70 anos da Volkswagen no Brasil, em que a cantora Maria Rita contracena com a mãe, Elis Regina, falecida em 1982, virou alvo de investigação do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar). O objetivo é investigar questões éticas ao se trazer à vida, por Inteligência Artificial, pessoas mortas.

Na propaganda, Elis, dirigindo uma Kombi modelo anos 1970, aparece ao lado da filha, que dirige um carro elétrico. As duas cantam juntas a música “Como Nossos Pais”, de Belchio, passando uma ideia de que Elis estaria viva atualmente.

De acordo com o Conar, a representação foi motivada por queixas de consumidores.

“O Conar abriu hoje, 10 de julho, representação ética contra a campanha ‘VW Brasil 70: O novo veio de novo’, de responsabilidade da VW do Brasil e sua agência, AlmapBBDO, motivada por queixa de consumidores”, diz a nota do Conselho.

Segundo o Conar, os questionamentos são para se saber até que ponto é ético ou não utilizar IA com o objetivo da propaganda, apontando questões sobre o “respeito à personalidade e existência da artista, e veracidade”. A questão será ser examinada com base no Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária.

A representação questiona ainda se, com esse tipo de propaganda, cria-se confusão entre ficção e realidade, principalmente nas mentes de crianças e adolescentes.

Eis abaixo a íntegra da nota do Conar:

O Conar abriu hoje, 10 de julho, representação ética contra a campanha ‘VW Brasil 70: O novo veio de novo’, de responsabilidade da VW do Brasil e sua agência, AlmapBBDO, motivada por queixa de consumidores. “Eles questionam se é ético ou não o uso de ferramenta tecnológica e Inteligência Artificial (IA) para trazer pessoa falecida de volta à vida como realizado na campanha, a ser examinado à luz do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, em particular os princípios de respeitabilidade, no caso o respeito à personalidade e existência da artista, e veracidade.

Adicionalmente, questiona-se a possibilidade de tal uso causar confusão entre ficção e realidade para alguns, principalmente crianças e adolescentes. “A representação será julgada nas próximas semanas por uma das Câmaras do Conselho de Ética do Conar, garantindo-se o direito de defesa ao anunciante e sua agência. Em regra, o julgamento é efetuado cerca de 45 dias após a abertura da representação.

O Conar aceita denúncias de consumidores, assim como outras manifestações sobre a peça publicitária, bastando que sejam identificadas. Em obediência à LGPD a identidade dos denunciantes é protegida.

(Publicado com informações de Pedro Jordão, da CNN, e do Poder360)

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