“Estamos produzindo para sua segurança alimentar”, diz presidente da Fapcen sobre o tema do Agrobalsas 2022

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Paulo Roberto Kreling manifesta otimismo com o evento

A volta do Agrobalsas, que será aberta nesta segunda-feira (16) e prossegue até a próxima sexta, mexe com o entusiasmo dos agropecuaristas do Sul do Maranhão, onde se concentra a maior produção de grãos no estado. Empresários de todo o país, muitos representando marcas internacionais estarão presentes na exposição.

Nesta entrevistas concedida a Aquiles Emir, editor de Maranhão Hoje, e publicada em primeira mão no caderno especial da Agrobalsas no Jornal Pequeno deste domingo (15), o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa no Corredor de Exportação Norte (Fapcen), Paulo Roberto Kreling, fala de suas expectativas para o evento:

Passados dois anos, sem sua realização o que o Agrobalsas pode trazer de novidades este ano?

– Todos os anos nós temos um tema que baliza o evento, apontando novas tendências para uma agropecuária cada vez mais sustentável, produtiva e parceira da sociedade
urbana. Neste ano, nosso tema é muito oportuno, dado as rápidas mudanças que se processam no mundo, principalmente nesta fase de pós pandemia: “Conectividade Cerrado, o grande celeiro”, que propõe uma produção rural conectada com o mundo.

É como se disséssemos para todo o Brasil e o Planeta: “Estamos produzindo para a sua segurança alimentar.”

Qual a expectativa quanto a número de participantes, expositores, movimento de negócios?

– A previsão é muito otimista, de acordo com os executivos da feira – Gisela Introvini, Marcelo Introvini, seus assessores e alguns expositores e compradores de máquinas, implementos agrícolas, veículos utilitários e caminhões. Só um grupo da região vai oficializar a compra de 400 caminhões.

Baseado nesta e em outras informações prévias, a movimentação financeira – entre compras e créditos agrícolas -, deve ser de quase R$ 4 bilhões. É um crescimento de mais ou menos 300% em relação ao resultado da última edição da feira, em 2019, que foi de pouco mais que R$ 1,1 bilhão. O número de expositores também deverá crescer. Na edição de 2019, o Agrobalsas contou com 584 expositores.

Até o presente momento já foram vendidos espaços para quase 800 expositores. O público registrado em 2019 foi de 120 mil pessoas. Neste ano, que terá uma campanha publicitária mais intensa e maior curiosidade do público pelo agronegócio, este número deve crescer, também, consideravelmente.

O que os produtores da região de Balsas têm a mostrar ao Brasil e ao mundo com estaexposição?

– Produção, produtividade, diversidade, agropecuária sustentável, altas tecnologias – do preparo do solo a colheita -, uma área ainda muito grande para a produção de grãos, fibra, biomassa e todo o tipo de proteínas animais e vegetais para o ser o humano, respeitando as reservas verdes e hídricas legais- e até mesmo privada. Temos a mostrar, ainda, produtores rurais com visão ampla de empreendedorismo a serviço da paz social no mundo. Mas, também, temos que mostrar, principalmente aos governos, todas
as nossas carências de infraestrutura, transporte e comunicação para tenhamos melhor competitividade dos nossos produtos. A região de Balsas ainda paga um custo muito alto por essas carências.

O agronegócio é um dos setores produtivos mais importantes do Maranhão. Qual a importância que é dada aos seus empreendedores pelo poder públicos e demais setores da
economia?

– Já foi pior. No caso do Maranhão, a região de Cerrado, até os anos de 2000, era muita esquecida do centro das decisões político-administrativas de São Luís; o Cerrado desacreditado como capaz de produzir alimentos e fibra, no caso do algodão. Mas,
justiça seja feita, dos últimos dez anos para cá, este panorama mudou muito. A região está bem mais assistida pelo Governo do Estado. Porém, ainda falta muito que fazer para que a classe produtora da região trabalhe sem os entraves que encarecem a sua produção, inibem novos investimentos.

Na sua opinião, o que seria mais importante em termos de investimentos do governo para impulsionar mais ainda o setor produtivo da região de Balsas?

– A minha resposta para esta sua pergunta complementa a que dei à pergunta anterior:
estradas melhores, um aeroporto comercial no polo regional, que é Balsas. E – por que não? -, um ramal ferroviário ligando a região à Ferrovia Norte-Sul, reduzindo os cursos de transporte até o Porto de Itaqui; a atração de agroindústrias para o processamento de boa parte de nossos produtos aqui, mesmo, agregando mais valor à produção, geração de mais emprego, renda e impostos para o Governo do Estado aplicar no desenvolvimento social e econômico de todo o Estado.

De que a forma estrutura de estradas, portos e ferrovias atender os produtores da região?

– Promove mais rapidez no escoamento, reduz custos, nos dá mais competitividade

A construção do trecho ferroviário Balsas – Porto Franco tem qual importância para vocês da região?

– Como respondi na pergunta anterior: redução de custos, rapidez no escoamento, competitividade.

Agrobalsas 2022 será a maior vitrine do agronegócio no Maranhão
Fazenda do Sol Nascente em Balsas é o local de realização da grande vitrine do agronegócio no Maranhão (Fpacen/divulgação)

Além de soja e milho, que outros produtos se destacam na região de Balsas, tanto em agricultura quanto em pecuária?

– Há muito tempo que a monocultura da soja predominava no Cerrado maranhense. Aos poucos, com muita criatividade e visão de futuro, os produtores foram se diversificando, introduzindo o milho de safra e safrinha; o algodão; a pecuária de corte, com alta genética; frutas; sucroalcooleiro; produção de proteína animal, com uma crescente bacia leiteira, suinocultura, avicultura e, de forma extraordinária, assim como em todo o Estado, a piscicultura, que tem sido uma terceira ou quarta safra para quem faz agricultura e pecuária. Matériaprima é o que não falta na região para alimentar estes tipos de cultura animal e, assim, atrair agroindústias, transformando a região, também, em polo de
produção de proteína animal. A região tem condições para competir com regiões tradicionais produtoras destas proteínas, como a região de Rio Verde, em Goiás; norte e oeste do Paraná e Santa Catarina.

A região já deveria ter sido contemplada com mais investimentos em agroindústria?

– Tudo ao seu tempo. Há alguns anos atrás, não tinha como irmos atrás de agroindústrias – processadores de soja, por exemplo -, pois não tínhamos oferta para atender ao mercado externo e a indústria regional. Atualmente, com o aumento da área plantada, da produção e produtividade, principalmente de soja, milho e algodão, já é possível pensar nesta possibilidade. Como pensar, também, na estrutura e no preparo da mão-de-obra qualificada para uma nova realidade nesta nossa matriz produtiva.

De que forma o Maranhão se relaciona com os demais estados do Matopiba?

– Da melhor forma possível: com parcerias, companheirismo e união na solução dos nossos
problemas comuns. Falamos a mesma língua para o bem do Brasil. O Governo Federal é que tem que repensar o tratamento dado às regiões que integram esta região formada pelas regiões de Cerrado do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. A região cresce extraordinariamente e as gestões municipais não têm condições próprias para atender s demandas estruturais e sociais. Acredito que um Ministério ou Secretaria extraordinária deveria ser criado para acompanhar e apoiar esse desenvolvimento. Quem sabe, “ressuscitar”, a Agência MATOPIBA, resultado de amplo estudo da região feito pela Embrapa.

Comparado aos demais estados dessa fronteira agrícola, o Maranhão estaria mais avançado ou numa situação inferior em termos de infraestrutura, volume de produção etc?

– Avançado por estar mais próximo de um dos maiores e melhores portos do Brasil, que é Itaqui, que, por sua vez está mais próximo de mercados externos consumidores de commodities brasileiras. Atrasado, pela falta de melhor infraestrutura de transportes e comunicação. É inadmissível que um polo como Balsas, não só de agronegócio, mas de comércio, serviços e administração estadual e federal, não tenha seu aeroporto comercial, deixando-nos na dependência de Araguaína (TO) e Imperatriz, respectivamente a 300 km e 400 km de Balsas.

Quais suas expectativas com a mudança de governo no estado?

– O Governo do Maranhão e a Fapcen sempre foram parceiros; sempre tivemos uma relação de respeito recíproco, via de regra toda a classe produtora rural da região. O atual governador, Carlos Brandão, por sua vez, tem se mostrado empenhado na luta dos produtores da região e esperamos que ele, dentro de suas possibilidades, neste curto mandato, possa ao menos colocar na sua pauta prioritária o fim dos principais gargalhos do agronegócio do Cerrado maranhense.

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Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação