Ano novo começa com boas perspectivas

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Vacinação dos profissionais de saúde, veterinários e agentes funerários com 60 anos ou mais de idade, que estam na ativa, na Clínica da Família Estácio de Sá, na região central da cidade. O município do Rio de Janeiro ampliou hoje (27) o público-alvo da campanha de vacinação contra a covid-19.

Enfim, a vacina foi liberada pela ANVISA. Antes de ser usada nos fins a que se destina, foi aviltada na rinha política em mais uma discussão tola entre o ministro da saúde e o governador de São Paulo. Nada mais infantil e desnecessário do que, a essa altura, atrasar o calendário de vacinação por conta de um exame de DNA para saber quem é o pai da criança. Vidas é o que importa e não os dividendos políticos.

Há tempos se discute neste país porque em uma terra em que se plantando tudo dá não se alcança a prosperidade econômica. Pior que isso, tudo o que se produziu no Brasil em termos de distribuição da riqueza acabou por se transformar em uma imensa desigualdade social. Indicadores terceiro-mundistas de indigência social se destacam em um país que dá show em termos de agronegócio e promete ser o celeiro do mundo. É, no mínimo inconcebível tamanha disparidade, mas ela está aí, para quem quiser ver e tentar entender. Esta coluna arrisca um palpite ao afirmar que a pobreza secular deriva da incompetência política, da incessante busca pelos nossos representantes de alguma vantagem a qualquer preço. É triste, mas nada mais pode ser concluído quando se assiste operações policiais para encontrar valores enviados para combate à pandemia que foram desviados ao mesmo tempo em que pessoas morrem sem ar por falta de cilindros de oxigênio.

Como entender que em um país onde não existem catástrofes naturais capazes de dizimar regiões inteiras consiga produzir os seus próprios desástres a partir da incapacidade gestora de dirigentes políticos em combater os problemas locais. Talvez isso possa se explicar pela mesma razão apontada anteriormente, ou seja, pela vontade de levar vantagem política. O que mais poderia explicar tantos milhões ou mesmo bilhões de dólares destinados a construir infraestrutura em países vizinhos quando não resolvemos nem mesmo os nossos gargalos estruturais? Que argumento justificaria um porto em Cuba financiado com recursos brasileiros em vez da expansão do Porto de Itaqui? Não há como entender isso. Talvez o melhor seja nos voltar para o que ainda pode ser feito do que pensar no que foi torrado de forma irresponsável.

Vamos, então, pensar nas boas expectativas de uma esperada retomada econômica pós vacinação. Muito embora o mundo não volte nunca mais a ser o mesmo, há que se esperar o melhor. A pandemia mostrou a nossa capacidade de se adaptar às crises e aproveitar as oportunidades. Apesar da queda no PIB, os sinais de melhoria são percebidos não só nos segmentos que se saíram bem durante a paralisação, mas em muitos outros que passaram por cima dos problemas e geraram riqueza. Logística é um desses negócios que deu o que falar e ainda vai gerar boas notícias. O governo apostou na recuperação de estradas e facilitou a vida de quem produz e de quem transporta a produção e insumos. E vai investir também em ferrovias e navegação, porque há muito o que movimentar em termos de cargas e esse muito é reflexo da dinâmica de produção.

Insistir, portanto, naquelas atividades que temos vantagem em relação a outros países nos parece ser a lição a ser estudada. E não tem nada de novo nisso aí, pois esses conhecimentos estão nas origens da economia e do liberalismo econômico, coisa que o ministro Paulo Guedes nada de braçada. Se temos poucos recursos e não vamos mais querer ser imperialistas do terceiro mundo, vamos carrear os recursos para aquilo que dá mais retorno e ganhar dividendos.

Em paralelo, passa da hora do estado ser realmente estado e exercer seu papel de regular as transações e reduzir a sua presença na economia. É necessário que faça as reformas que lhes permita economizar e não ter que sustentar empresas deficitárias. Que desonere as empresas, equacionando a carga tributária de forma menos insana. Nenhuma empresa precisa ter um departamento fiscal e outro de pessoal apenas para cumprir com obrigações acessórias descomunais. O estado existe para facilitar a vida das pessoas e não criar obstáculos intransponíveis. Se isso acontecer, um grande passo terá sido dado em direção ao progresso.

 

 

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Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação