Aos 72 anos, morre no Rio de Janeiro o cantor e compositor baiano Moraes Moreira

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Aos 72 anos, morreu na manhã desta segunda-feira (13), no Rio de Janeiro (RJ), o cantor e compositor Moraes Moreira, que foi um dos integrantes da banda Novos Baianos e que agitou o carnaval de São Luís em 2019. Ele morreu em casa, dormindo, segundo a cantora Baby do Brasil em depoimento à revista Veja.

“Nos pegou de surpresa. Ainda estamos recebendo informações sobre o que aconteceu. Parece que ele estava dormindo. Não foi uma morte com sofrimento, não foi uma dor. Pelo menos isso nos consola um pouco. Tudo indica que foi um infarto fulminante dormindo”, teria manifestado a cantora.

Natural de Ituaçu (BA), Antônio Carlos Moraes Pires nasceu em 1947, e ainda na adolescência aprendeu a tocar violão. Já residindo na capital baiana, Salvador, conheceu Baby Consuelo, Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor e Luiz Galvão, com os quais formou o grupo Novos Baianos e ficou de 1969 e 1975, mas, mesmo afastado, voltou algumas vezes para shows especiais.

Assista à homenagem prestada a ele pelo bloco Bota Pra Moer:

 

Na carreira solo, se destacou com músicas que fizeram grande sucesso nacional, como Pombo Correio e Vassourinha Elétrica. Moraes Moreira considerado o primeiro cantor de grande alcance a participar de um trio elétrico na Bahia, ao lado de Dodô e Osmar, pioneiros do formato de carros de rua que conduzem multidões nos carnavais baianos.

Há três semanas, Moreira publicou em suas redes sociais um cordel, inspirado no momento de isolamento social provocado pela pandemia da Covid-19. Leia:

Quarentena (Moraes Moreira)

Eu temo o coronavírus
E zelo por minha vida
Mas tenho medo de tiros
Também de bala perdida,
A nossa fé é vacina
O professor que me ensina
Será minha própria lida

Assombra-me a pandemia
Que agora domina o mundo
Mas tenho uma garantia
Não sou nenhum vagabundo,
Porque todo cidadão
Merece mas atenção
O sentimento é profundo

Eu não queria essa praga
Que não é mais do Egito
Não quero que ela traga
O mal que sempre eu evito,
Os males não são eternos
Pois os recursos modernos
Estão aí, acredito

De quem será esse lucro
Ou mesmo a teoria?
Detesto falar de estrupo
Eu gosto é de poesia,
Mas creio na consciência
E digo não a todo dia

Eu tenho medo do excesso
Que seja em qualquer sentido
Mas também do retrocesso
Que por aí escondido,
As vezes é o que notamos
Passar o que já passamos
Jamais será esquecido

Até aceito a polícia
Mas quando muda de letra
E se transforma em milícia
Odeio essa mutreta,
Pra combater o que alarma
Só tenho mesmo uma arma
Que é a minha caneta

Com tanta coisa inda cismo….
Estão na ordem do dia
Eu digo não ao machismo
Também a misoginia,
Tem outros que eu não aceito
É o tal do preconceito
E as sombras da hipocrisia

As coisas já forem postas
Mas prevalecem os relés
Queremos sim ter respostas
Sobre as nossas Marielles,
Em meio a um mundo efêmero
Não é só questão de gênero
Nem de homens ou mulheres

O que vale é o ser humano
E sua dignidade
Vivemos num mundo insano
Queremos mais liberdade,
Pra que tudo isso mude
Certeza, ninguém se ilude
Não tem tempo,nem.idade

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Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação