Aos 79 anos, morre nesta terça-feira na Espanha o cantor e compositor cubano Pablo Milanés

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Artista se distanciou da revolução que tanto defendeu

Ao 79 anos, morreu nesta terça-feira (22), na Espanha o cantor e compositor cubano Pablo Milanés,  que encantou gerações de seu país e mundo afora com seu timbre de voz claro e hipnotizante. Ele foi além e conquistou uma grande legião de fãs cantando a revolução do seu país, liderada por Fidel Castro, da qual se distanciou nos últimos anos.

Em Havana, o público cantou junto os grandes sucessos em um reencontro, depois de três anos sem cantar em Cuba, que foi também uma despedida.

No Brasil, Milanés ficou especialmente conhecido com a canção “Yolanda”, que cantou com Chico Buarque e que teve outras regravações em português. Mas antes, em 1978, Milton Nascimento e Chico gravaram “Canción por la Unidad Latinoamericana”, incluída no disco “Clube da Esquina 2”.

Condolências – Miguel Díaz-Canel Bermúdez, primeiro-secretário do Partido Comunista de Cuba e presidente da República, expressou suas condolências a sua viúva e filhos, a Cuba. Descreveu o cantor-compositor como uma voz inseparável da trilha sonora de nossa geração

“Pablo morreu, lemos quando acordamos nesta terça-feira na Rússia, e a dor vem com a notícia. Um de nossos maiores músicos desapareceu fisicamente», disse o primeiro-secretário do Partido Comunista de Cuba e presidente da República Miguel Díaz-Canel Bermúdez no Twitter, ao saber da morte do cantor-compositor Pablo Milanés.

O chefe de Estado acrescentou: «Voz inseparável da trilha sonora de nossa geração. Minhas condolências a sua viúva e filhos, a Cuba».

A morte do trovador, uma das figuras mais reconhecidas da música cubana, ocorreu na segunda-feira, 21 de novembro, em Madri, aos 79 anos de idade.

O fundador do grupo Experimentación Sonora del ICAIC e do Movimento da Nova Trova foi hospitalizado no dia 13 de novembro na capital espanhola. Vinha recebendo tratamento para a doença onco-hematológica de que sofria há vários anos, que se agravou recentemente.

Segundo o ministério da Cultura cubano, o trovador, nascido em Bayamo em 1943, estudou música no Conservatório Municipal de Havana, e em 1965 gravou seu primeiro álbum, intitulado Mis 22 años, considerado uma ponte entre o feeling e a Nova Trova.

Seu legado musical está contido em mais de 40 álbuns que incluem músicas emblemáticas como El breve espacio, Yolanda, Cuba Va, Amo esta Isla e Comienzo y final de una verde mañana, entre muitos outros, assim como colaborações inesquecíveis com inúmeros músicos cubanos e com vários dos maiores artistas de Nossa América e de outras regiões.

Autor de uma obra monumental, este legado musical constitui uma referência incontornável da identidade e da cultura cubanas, e suas canções e interpretações magistral são, por direito próprio, parte da trilha sonora da Revolução Cubana.

Sua última apresentação em Cuba foi um concerto na Cidade Esportiva de Havana, em 21 de junho de 2022.

As páginas do jornal Granma se referiram ao concerto: «Ouvir os muito jovens cantando de memória as peças da trilha sonora da série Algo más que soñar, ou El tiempo, el implacable ou Años, nos conta mais do que qualquer outra coisa sobre a irredutível atualidade das canções que parecem ter sido escritas neste momento.

«Na apresentação, ele resolveu um aparente paradoxo: como, de um formato instrumental levado à expressão mínima, alcançar uma ressonância poderosa em uma esfera maciça. Será dito com razão que o trabalho de Pablo alcança, impacta e cresce em qualquer ambiente».

«Sua morte ocorre exatamente quando celebramos o 50º aniversário do extraordinário evento cultural que foi a fundação do Movimento da Nova Trova, do qual é um dos pilares fundamentais. Pablo foi um grande poeta, um grande cantor. Seu trabalho musical é imortal», diz o ministério da Cultura cubano, que também ofereceu a sua família, amigos e admiradores em todo o mundo nossas mais sinceras condolências.

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