Bolsonarismo sob fogo cruzado

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Rio de Janeiro - O presidente da República, Jair Bolsonaro, fala a apoiadores no Monumento aos Pracinhas, no Aterro do Flamengo, após passeio de moto pela cidade. (Fernando Frazão/Agência Brasil)
  • JOÃO CONRADO
  • conrado1959@gmail.com

Este mês de maio marcou mais uma queda vertiginosa nos índices de satisfação dos eleitores com o Governo Bolsonaro. Razões não faltam para explicar a queda na popularidade do presidente, entre elas a CPI da Pandemia, o número excessivo de mortes por Covid um mês antes, a não evolução das tão necessárias reformas e o retorno do arquirrival Lula ao cenário político. Não é pouca coisa.

A grande questão é que Bolsonaro, ele próprio, afeta diretamente a curva da sua aceitação. Não bastassem os fatores externos, ele consegue gerar uma série de outros fatores que nada mais são que tiros no pé. Uma declaração infeliz e capaz de atrapalhar a entrega do insumo que produz vacina é, no mínimo, avassalador não apenas para os indicadores de Bolsonaro, mas para a própria eficiência do programa de vacinação. Um ajuntamento de pessoas promovido por Bolsonaro e sem quaisquer cuidados protetivos contra o vírus pega muito mal para um país que ainda se aproxima dos 20% de pessoas vacinadas.

Já passa da hora do presidente assumir com maior empenho as suas responsabilidades de estadista. O rótulo de “alternativa ao PT e à corrupção” já começa a dar sinais de desgastes, simplesmente porque é muito pouco para representar o que se espera de um presidente da República. É preciso ir além, assumir o controle do combate à pandemia e mostrar resultados. É preciso confirmar que temos luz no fim do túnel e que essa luz não é o trem. Fora disso, só teremos desgastes desnecessários que consomem energia e recursos.

Neste aspecto, oportunidades não faltam para colocar o Brasil em posição de maior protagonismo internacional. Os mais importantes produtos desejados mundo afora estão aqui em nosso território e podem ser objeto de barganha na compra dos insumos da vacina. Está-se falando aqui de alimentos e minérios, duas das nossas commodities que logo se tornarão produto de primeira necessidade, principalmente na China e na Índia. Vamos usar o nosso poder de negociação e trabalhar trocas produtivas que nos permitam abandonar máscaras e outros meios de proteção como já vem fazendo os países mais avançados.

Em vez de falar em guerra biológica e afugentar parceiros com discursos equivocados, vamos estreitar parcerias, fomentar negócios, dinamizar a economia, gerar divisas e criar empregos. A iniciativa privada vem fazendo a sua parte de forma exemplar. O agronegócio se supera a cada ano, gerando resultados cada vez mais promissores. O setor mineral também. Falta apenas unir as pontas, aproximando a oferta de uma demanda que se sabe, será crescente e insatisfeitas no futuro próximo.

O apelo deste artigo é reverter esse quadro paranoico que está instalado. Vamos esquecer as teorias conspiratórias, as guerras químicas e biológicas e partir para a realidade nua e crua. O Brasil precisa urgentemente de vacinas e não pode mais perder tempo e oportunidades. O caminho está definido, basta seguir.

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Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

1 COMENTÁRIO

  1. Nada para lançar no descrédito tal análise que um passeio de moto com uma multidão que segue firme no apoio ao PRESIDENTE. E usar essa cpi pra dizer que compromete o Presidente,só mesmo quem não tem idéia do que está falando.

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