Carlos Gaspar se despede do setor automotivo, mas não dos negócios

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AQUILES EMIR

A resposta para a pergunta se está se despedindo em definitivo do setor automotivo não é muito precisa, mas tudo indica que o empresário Carlos Gaspar se prepara para encerrar o ciclo de revendedor de automóveis que começou no final dos anos de 1970, quando sucedeu, pela Auvepar, a Marauto, como representante da Volkswagen do Brasil, em São Luís e Bacabal.

Por muitos anos, foi um dos mais importantes homens de negócios neste segmento e por um breve período acumulou a representação da espanhola Seat, até que no começo dos anos 2000 transferiu a bandeira VW, para a Euromar, mas meses depois estava com outra representação, a da Kia, que está passando, esta semana, para o Grupo Saga.

Carlos Gaspar diz que está saindo do ramo de veículos por vontade própria, ou seja, ainda teria energia e talento para continuar no mercado, contudo conclui que chegou o momento de trabalhar num ritmo de agenda menos carregada. A transferência da Kia para a Saga está marcada para dia 08 e depois disto, por mais alguns meses, vai continuar à frente das concessões das marcas chinesas Chery e Lifan, mas ambas estão também no pacote de negociação com a Saga.

Quando perguntado se com esta transação está se afastando do mercado, Gaspar responde numa frase imprecisa: “parece que sim”, ou seja, embora sinalize que está de saída, ninguém se surpreenderá se houver uma tentação que possa lhe reinserir nesse segmento de mercado, até porque ofertas não lhe faltam. Sobre a transferência da bandeira Kia, diz que fez oferta a vários empresários e quem apresentou a melhor proposta foi a Saga, empresa que já representa quatro marcas em São Luís: Renault, Jeep, Fiat e Chevrolet.

Mercado – Carlos Gaspar lembra que atravessou diversas fases do mercado automotivo. Quando ingressou, eram apenas quatro marcas: Volkswagen, Chevrolet, Ford e Fiat. O mercado era também fechado, já que cada concessionária tinha a exclusividade em sua área geográfica, regra quebrada pelo ex-presidente Fernando Collor de Melo, em 1990, quando abriu o mercado para os importados e liberou as vendas para todas as concessionárias, derrubando os muros que protegiam cada uma delas.

Depois vieram as vendas pela internet, pelas quais o comprador pode escolher seu carro pelo computador. Em seguida, vieram as facilidades de financiamento, quando se vendeu carro num volume antes nunca imaginado, mas, o que muitos desconfiavam acabou se confirmando e o alto índice de inadimplência acabou com a farra.

Para ele o mercado passou por muitas mudanças, mas não teve dificuldades de se adequar a elas, tanto que continuou sendo sempre bem destacado. Ele não esconde que gostaria de ficar mais alguns anos, mas reflete que chegou o momento de se aposentar, isto é, se deixarem.

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Aquiles Emir
Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação