Chegada do asfalto ao Lençóis preocupa os moradores e Ministério cria regras para circulação de veículos

0
487

A chegada do asfalto aos municípios de Barreirinhas e a Santa Amaro, principais acessos ao Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, está aumentando de forma expressiva o fluxo de turistas – brasileiros e estrangeiros – para esta unidade de conservação, bem como o interesse de empresários de investir em projetos de infraestrutura turística e serviços.

Diante desse quadro, o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, visitou Santo Amaro do Maranhão, no sábado (20), onde assinou portaria número 62, publicada nesta terça-feira (22) no Diário Oficial da União, junto com o coordenador de Uso Público do ICMBio, Pedro Menezes. A portaria define as regras de circulação dentro do parque de veículos dos moradores do entorno da unidade. A medida estabelece o cadastramento dos carros daqueles que participarem dos programas de voluntariado do Instituto.

A mesma portaria trata, ainda, da situação dos carros particulares das famílias que vivem no interior do parque, e que não foram ainda indenizadas. As novas regras irão beneficiar os moradores dos municípios de Santo Amaro, Primeira Cruz e Barreirinhas.

Sarney Filho anunciou que, dada a importância estratégica de Santo Amaro, será construída uma unidade do ICMBio na cidade, para ajudar na fiscalização da área de 155 mil hectares e apoiar os programas em curso.

 

Demandas – Os moradores de Santo Amaro do Maranhão estão preocupados com o impacto do turismo na região, e citam o grave assoreamento do rio Alegre, de água cristalina, que dá acesso à cidade. Anos atrás, na época de chuvas, o rio atingia a profundidade de dois metros, mas agora a água não chega a meio metro.

O ministro prometeu que enviará recursos do MMA para apoiar um programa de revitalização do rio, a exemplo que tem sido feito em outros estados. “Precisamos de recursos do governo federal para resolver uma série de problemas e preparar a cidade para receber os turistas”, pediu a prefeita Luziane Lopes.

Tuba Santos (foto), guia de turismo e morador antigo da cidade, se queixa do intenso fluxo de jipeiros que aumenta a cada ano. “A subida e descida das dunas que margeiam as lagoas acabam levando muita areia para o fundo. Com isso, algumas delas já estão ficando mais rasas a cada ano”, disse.  Ele cita a Lagoa da Gaivota, que chegava a seis metros de profundidade quando cheia e agora a parte mais funda atinge 1,5 metro.

Preocupação semelhante foi levantada por proprietários de pousadas mais antigas. Camila Fontenelle (foto abaixo) conta que os próprios moradores se organizaram desde que o asfalto chegou perto da cidade. Junto com ICMBio, eles assumiram o controle dos veículos, abrindo estacionamentos antes da travessia do rio Alegre. Dali em diante o turista segue em carros adaptados para cruzar o rio e visitar as dunas, que ficam muito próximo da cidade.

Formada em História, enquanto trabalha na pousada da família, ela se prepara para fazer o mestrado e o doutorado. “Quero resgatar a história de Santo Amaro e lutar para que a sua riqueza cultural e ambiental seja preservada”. Camila lamenta que um padre, que ficou pouco tempo na paróquia da cidade, tenha derrubado a igreja da Conceição, construída pelos jesuítas em 1700, e construído em seu lugar outra mais moderna.

(MMA)

Compartilhe
Aquiles Emir
Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação