Qual é mesmo o seu projeto de governo?

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Dinheiro é aplicado onde o estado não tem expertise

  • JOÃO CONRADO
  • conrado1959@gmail.com

Entramos em 2022 com perspectivas negativas em quase todas as áreas. Inflação elevada, juros nas alturas, câmbio desvalorizado, maiores taxas de contaminação do Covid-19, desequilíbrio fiscal, agravamento dos problemas sociais e um sem-número de outras questões para deixar qualquer um com o terço na mão esperando milagres. Para completar o cenário, será ano de eleições, com promessas esdrúxulas, agressões ao vivo e gastança de recursos que o Tesouro não possui. Um show de horrores que só agrava a situação.

Pior que tudo isso, a disputa política para presidente da República parece polarizada entre Lula e Bolsonaro, candidatos que são percebidos pelos respectivos eleitores como antídotos um do outro. Ninguém diz o que vai fazer, qual a sua proposta de governo. No front estadual, tudo permanece incerto e os poucos que se lançaram estão à espera de definições. Esses candidatos também não disseram o que vão fazer. Quando muito, repetem ideias equivocadas que já foram sepultadas há décadas, como as propostas de substituição de importações.

Fixando um pouco a atenção no estado do Maranhão, o que se pode perceber é um discurso velho e surrado de produzir aqui muitos produtos que são comprados de fora. Os paladinos dessa proposta argumentam que o Maranhão tem excelente capacidade de produção e acreditam ser possível fomentar a agricultura e a indústria para superar os obstáculos, gerar emprego e renda. Desde quando Adam Smith lançou as bases da economia, há quase três séculos, o mundo percebeu que era mais interessante concentrar esforços nas vocações locais que insistir em produzir aquilo que outros são mais eficientes.

O governo Fernando Henrique Cardoso trabalhou isso muito bem para romper com o velho modelo econômico brasileiro e garantir o sucesso do Plano Real. Sabiamente, o governo Lula não só deu sequência a essa proposta, como aproveitou os resultados para reduzir as disparidades sociais. Estranhamente, Dilma Roussef descartou esses fundamentos e jogou o país de volta ao atraso.

Muitos candidatos locais parecem não perceber o risco que é insistir em aplicar os parcos recursos que o estado dispõe em atividades em que não há expertise, vocação ou condições de serem desenvolvidas no estado. Se assim fizerem, vão produzir produtos mais caros, com menor qualidade ou incapazes de suprir a oferta, quando seria mais barato importar de outros estados com maior habilidade para produzi-los. Em vez de insistir nesse erro, melhor seria aplicar os parcos recursos naqueles setores em que o Maranhão é referência, como por exemplo o agronegócio.

O estado tem vocação natural não apenas para o agronegócio e todas as atividades que se inserem nesta cadeia produtiva, mas também para outros segmentos econômicos pouco explorados, como o turismo e a logística voltada para a exportação. O que se defende é priorizar projetos e não simplesmente abandonar os segmentos de baixa eficiência. Está se tratando de investir naquelas atividades com maior poder de resposta, que possam trazer resultados mais rápidos, gerar emprego, renda e excedentes que possam reduzir os problemas sociais.

Temos no Maranhão diversas cadeias produtivas que ainda estão nos elos iniciais do processo de produção. No agronegócio, ainda geramos grãos em vez de produtos acabados. No segmento de minérios, pouco avançamos, exportando ferro em estado bruto, gusa e lingotes de alumínio, em vez de ferro fundido, aço e produtos derivados do alumínio. Produzimos tão somente commodities, salvo raras exceções, e isso vale para quase todos os setores econômicos cuja produção começa em nosso território. A lista é enorme, mas além dos grãos e minérios, ainda podemos citar os derivados de madeira, fármacos, babaçu, couro e pecuária. O leitor já deve ter percebido que qualquer programa de governo deve incluir a atração de indústria de transformação para o estado, agregando valor às commodities e ajudando a elevar a riqueza local.

Além dos setores que devem ser escolhidos como prioritário, é necessário dar atenção aos megaprojetos que estão em vias de se instalar no Maranhão. A imprensa anuncia novos portos, ferrovias, estradas, estrutura de armazenamento, combustíveis, energia, ampliação da área agrícola, entre outras, sem falar no complexo aeroespacial de Alcântara. São oportunidades que também devem entrar nas propostas dos candidatos, pois elas têm capacidade de dar o tão esperado salto de desenvolvimento no Maranhão.

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Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

1 COMENTÁRIO

  1. “Fernando Henrique,fez isso muito bem”,”Lula aproveitou”, “Dilma…” Realmente, Fernando Henrique,nos enganou muito bem,nos fazendo acreditar que era oposição ao lula,e assim manter um revezamento da mesma quadrilha no governo. Lula aproveitou e deu continuidade à esquemas de corrupção, desvios e muita roubalheira como nunca antes visto nesse país. Dilma, não deu sequência a isso? Puro engano,e se não tivesse sido impedida, teria arruinado por completo o país. Estamos em pleno processo de recuperação e reconstrução,mas a militância política dos jornalistas, não os permite informar.

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