Com mais de 91% dos leitos de UTI ocupados, São Domingos sugere maior isolamento social

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AQUILES EMIR

Com 91% dos leitos de UTI e tratamentos clínicos destinados a pacientes infectados pelo covid-19, o Hospital São Domingos, maior empresa hospitalar do Maranhão, se manifestou nesta quarta-feira (29) a favor de um maior distanciamento social. O HSD não chega a mencionar a palavra lokdown ou sua tradução para o português, confinamento, mas “nos vimos na necessidade de chamar a atenção das instituições governamentais e da sociedade para a necessidade de adoção de medidas mais assertivas de distanciamento social diante do crescente e incontido aumento da demanda por atendimento de emergência com necessidade de internação hospitalar”.

O Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Casa de Saúde de São Luís também declarou, conforme noticiou o blog Diego Emir, a favor de um maior isolamento social. “Os números
atuais ultrapassam a capacidade de atendimento da rede de saúde privada que, em condições normais, sempre esteve à disposição da população com disponibilidade, eficiência e competência habituais” , diz o sindicato, que fez um alerta dramático: “nos encontramos na iminência de colapso de atendimento nas redes de saúde”.

“Solicitamos que sejam urgentemente estudas, planejadas e implementadas medidas preventivas mais enérgicas, com vistas a desafogar as condições de atendimento curativo da população atingida por essa grave enfermidade da Covid-19 em respeito à saúde e à vida humanas”, diz o sindicato.

Eis o teor da carta do Hospital São Domingos:

À sociedade maranhense O Hospital São Domingos vem, através desta, esclarecer o motivo de ter se posicionado frente aos Órgãos Governamentais sobre a sua situação de crescente atendimento de pacientes suspeitos e confirmados com a Covid-19.

Iniciamos nossa preparação para o atendimento a pacientes com suspeita de Covid-19 antes mesmo de confirmado o primeiro caso suspeito no Brasil. Treinamos a equipe, estabelecemos protocolos e logo decidimos antecipar a entrega das obras da nova Emergência, uma área totalmente dedicada aos casos de pacientes com síndrome respiratória, de forma que mantivéssemos a segurança dos demais clientes, com fluxos completamente separados.

Estabelecemos um Comitê de Gestão de Crise com a chegada dos primeiros casos suspeitos no estado, para a rápida tomada de decisão com medidas que favorecessem o tratamento e cuidado aos pacientes e familiares, segurança das equipes médicas e de colaboradores, e no que se refere à comunicação e transparência com a sociedade e instituições.

Suspendemos as atividades eletivas não emergenciais no Hospital, para que liberássemos mais áreas para atendimento dedicado aos pacientes com suspeita e com Covid-19. Por outro lado, mantivemos nossa assistência a pacientes críticos, cirúrgicos, vítimas de trauma, oncológicos, cardiológicos, ortopédicos e até imunossuprimidos, com total segurança em outras alas do hospital.

Além da abertura da área da nova Emergência, antecipamos a abertura de duas novas alas, com um total de 42 novos leitos de internação, e, mais recentemente, ampliamos nosso número de leitos de UTI em mais 21 leitos. Hoje são 184 leitos de internação e 56 de UTI dedicados aos pacientes suspeitos e com a Covid-19.

Apoiamos, sem medir esforços, os nossos colaboradores e a equipe médica, não lhes deixando faltar a estrutura e os equipamentos de proteção necessários; equipe está que vem dando uma demonstração de profissionalismo e dedicação, tudo para cumprimos a nossa missão de cuidar da vida das pessoas. Abrimos contratações emergenciais de profissionais da assistência, incluindo médicos e de apoio, para fazer frente aos afastamentos que têm acontecido e à necessidade da demanda crescente de atendimento.

Fizemos ações de esclarecimento à população através de nossas redes sociais sobre medidas de prevenção e como se comportar nos casos suspeitos, bem como implantamos uma central de dúvidas (o “telecovid”). Estabelecemos canais de comunicação com os familiares dos pacientes internados e uma central de telemonitoramento para casos de pacientes que passavam pelo nosso prontoatendimento ou tinham alta hospitalar.

E agora nos vimos na necessidade de chamar a atenção das instituições governamentais e da sociedade para a necessidade de adoção de medidas mais assertivas de distanciamento social diante do crescente e incontido aumento da demanda por atendimento de emergência com necessidade de internação hospitalar. No momento, estamos atuando com taxa de ocupação de apartamento e enfermaria de Covid-19 em torno de 91,8% e dos leitos de UTI em torno de 91,1% e esperamos que com a ajuda das medidas de distanciamento social possamos continuar prestando assistência aos pacientes mais graves por nós atendidos.

Gostaríamos de enfatizar à sociedade maranhense que o Hospital São Domingos, mais do que nunca, continuará a fazer o seu melhor para nossos clientes. Esperamos, juntos, atravessarmos este momento de crise.

A Diretoria

São Luís, 29 de abril de 2020

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Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação