Com duas graduações e pós-graduada, Sônia Guajajara é contra integrar índios à sociedade

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Ela se posiciona contra ideia defendida pelo presidente Bolsonaro

AQUILES EMIR

Graduada em Letras e Enfermagem e pós-graduada em Educação Especial pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), a líder indígena  Sônia Bone de Souza Silva Santos, mais conhecida como Sônia Guajajara, numa entrevista concedida a Alan Azevedo e Saulo Marino, publicada no jornal O Imparcial neste domingo (06), criticou a proposta do Governo Jair Bolsonaro para integração dos povos indígenas à sociedade brasileira. Segundo ela, “quando dizem que querem integrar, eles (o governo) não respeitam os povos indígenas e sua cultural própria”.

Sônia Bone ou Sônia Guajajara, além de líder indígena é militante política, filiada ao PSOL, partido pelo qual disputou na eleição do ano passado o cargo de vice-presidente da República na chapa de Guilherme Boulos. Filha de pais analfabetos, como a maioria dos índios, ela, com ajuda a Fundação Nacional do Índios (Funai), teve a oportunidade de cursar o ensino médio em Minas Gerais, de onde retornou ao Maranhão e conseguiu duas graduações de nível superior e uma especialidade.

Apesar de ter conseguido superar essas barreiras, ela posiciona-se contra a ideia defendida pelo presidente Jair Bolsonaro e alguns dos seus auxiliares para ser desenvolvida uma política que tire os índios do estado primitivo e passem a exercer atividades semelhantes às dos não índios, inclusive tirando proveito econômico do extrativismo mineral e vegetal de suas terras, seja por iniciativa própria ou recebimento de royalties.

Segundo a líder indígena e política, “as pessoas estão se deixando levar por esse discurso conservador, esse discurso do moralismo e é com isso que atacam os direitos humanos”. Ainda de acordo com ela, “ao mesmo tempo em que querem que os indígenas se integrem à sociedade, acham que somos selvagens, como disse o próprio presidente”.

Integração – Numa recente entrevista à Globo News, o general Augusto Heleno, chefe da segurança pessoal do presidente Bolsonaro, condenou a situação em que se encontram vários indígenas, abandonados em suas reservas, sem nenhum tipo de assistência e alguns padecendo até de inanição por falta de alimentos.

Segundo Heleno, o que o povo indígena reivindica é luz elétrica, televisão, geladeira, serviços de telefonia, assistência médica, educação de qualidade, ou seja, quer ascender socialmente, assim como Sônia Guajajara.

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“O índio precisa ser tratado como cidadão brasileiro, e não com alguém de exceção, que precise de medidas excludentes. Precisa ser incluído na sociedade brasileira como cidadão, guardadas todas as tradições culturais, todos seus traços, ancestrais, a história. Tudo isso precisa ser preservado, mas dando ao índio o direito de ter aquilo que ele deseja e não de ter a sua situação imposta por quem acha que ele deve ser assim”, disse o general Heleno.

Ainda na entrevista a O Imparcial, Sônia Bone diz que “o governo tem que respeitar modos de vida e não fazer todo mundo viver igual”.  Ela critica ainda a transferência de demarcação de terras indígenas para o Ministério da Agricultura. “Não tem como juntar a demarcação ao ministério que tem compromisso forte com o agronegócio”, acrescenta, afirmando que os agropecuaristas “olham as terras indígenas como improdutivas e como meio de ampliar os seus negócios”.

A líder prevê tempos difíceis para os povos indígenas no governo de Bolsonaro, mas adverte: “da mesma maneira em que estão decidido a passar por cima das pessoas, nós também estamos decididos a enfrentar”. Para ela, “a responsabilidade vai ser total do governo, que não respeita os nossos direitos garantidos na Constituição Federal”.

(Com imagens do PSOL e da Agência Brasil)

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Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação