Das mais de 500 mil doses de vacina recebidas pelo Maranhão apenas 54,6% foram aplicadas

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Governador ameaça reter vacinas de quem não provar aplicação

AQUILES EMIR

É de ser perguntar o que está sendo feito com as vacinas que o Ministério da Saúde está encaminhando para o Maranhão, pois, de acordo com dados apresentados, nesta sexta-feira (12), pelo governador Flávio (PCdoB), pouco mais da metade foram devidamente aplicadas ou então a vacinação não está devidamente cadastrada no Sistema. Diante disso, ele alertou que somente os municípios que comprovarem ter feito a aplicação correta de pelo menos 70% das doses recebidas terão direito a novos lotes.

De acordo com o governador, até o momento o Maranhão recebeu do Ministério da Saúde 515 mil doses de vacina, tanto da Coronavac (Butantan) quanto Astrazneca (Fiocruz/Osford); destas, 338 mil foram distribuídas entre os 217 municípios; e foram aplicadas somente 283 mil, o que corresponde a 54,7%, ou seja, há uma sobra de mais de 232 mil ou 46,3%.

Flávio Dino disse que fará a retenção da distribuição por uma questão óbvia, pois se o imunizante não está sendo devidamente aplicado ou as prefeituras não informam a destinação, é sinal de que não estão necessitando de novas remessas. Ele fez questão de enfatizar que isto é uma questão de compromisso com a população, e está agindo em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS).

Essa revelação do chefe do Poder Executiva merece um esclarecimento das autoridades de Saúde e uma cobrança do Ministério Público e até mesmo da Assembleia Legislativa, pois é inaceitável que um estado onde estão morrendo mais de 30 pessoas por dia, as vacinas estão sendo recebidas, mas as pessoas que necessitam não sendo imunizadas.

Há uma grande desconfiança de que as vacinas estão sendo aplicadas, porém não em pessoas que estão nos grupos prioritários – indígenas, idosos e profissionais da linha de frente de combate à covid-19 – e não há como informar quem recebeu sem denunciar uma irregularidade.

O governador também pode estar certo em reter, mas cabe a ele também determinar uma investigação sobre o que está acontecendo no estado, já que tem sido um dos maiores críticos do plano nacional de vacinação e um dos maiores cobradores de ação do governo federal para compra de vacinas, sendo até um dos que acusam a lentidão como causa de muitas mortes no Brasil.

A revelação, porém, mostra que de nada estaria adiantando mandar mais vacinas para o estado se não há o seu devido uso por quem deveria estar cuidando das pessoas que mais necessitam serem imunizadas.

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Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação