Desde a instalação da Alcoa, uma empresa não despertava tanto debate político quanto a Havan

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Monumento está distante do centro histórico da cidade

AQUILES EMIR

Desde a instalação da Alcoa, que mais tarde iria formar o Consórcio Alumar, nos anos 1980, uma empresa não tinha despertado tanta polêmica com sua chegada ao Maranhão quanto à filial da rede de lojas de departamento Havan, cuja inauguração de sua filial em São Luís será nesta quinta-feira (02 de setembro). O tema é abordado pela revista Maranhão Hoje, na edição de agosto, que está nas bancas e marca a edição de número cem da publicação.

A discórdia de 40 anos atrás era motivada pela suposta ameaça de destruição da Ilha de São Luís com a poluição a ser provocada pelo beneficiamento da alumina e e posteriormente do alumínio, e agora simplesmente pelo fato do empresário ser um aliado do presidente da República, Jair Bolsonaro, e um crítico ferrenho do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.

Ambos os casos estão ligados pela política. Há quatro décadas, quando a derrocada do comunismo já era percebida em todo o mundo, diante do fracasso econômico de suas repúblicas e a falta de liberdade dos seus governos, a militância passou a adotar a defesa do verde como bandeira, causa pela qual iriam continuar combatendo o capitalismo.

Todas as forças de esquerda no estado, portanto, se uniram para tentar barrar a entrada da multinacional em São Luís, inclusive aqueles que anos depois iriam ser contratados, direta ou indiretamente, nos diversos postos de trabalho da empresa.

A Alumar está aí, como uma das maiores empregadoras e maiores geradoras de impostos, e não houve o desparecimento de caranguejo, camarão, peixes e outros frutos do mar, como garantiam seus opositores.

Revista Maranhão Hoje
Revista Maranhão Hoje deu destaque à polêmica (chique na imagem e vá para a edição de agosto)

No caso da Havan, que é uma estrutura infinitamente menor que a gigante de alumina e alumínio, o fato de um empresário abertamente ligado ao presidente Bolsonaro ter mirado, para expansão dos seus negócios, o Maranhão, há seis anos administrado por políticos de esquerda e que tem como governador um dos maiores críticos do presidente e defensor do maior adversário deste, o ex-presidente Lula, foi visto como afronta. Não faltaram, portanto, críticos ao empreendimento, alguns instalados dentro do governo, de deveriam vir os maiores estímulo a um grande gerador de empregos e impostos.

Mas como barrar o negócios do “Veio da Havan”, alcunha pelo qual é tratado o empresário Luciano Hang? Eis que alguém lembrou que seu principal símbolo, a réplica da Estátua da Liberdade (principal cartão postal de New York, nos Estados Unidos), além de fazer propaganda da maior pátria capitalista, é um atentado a um patrimônio cultural da humanidade. Não pode entrar! Tem que barrar!

Instalação – Apesar dos protesto, a escultura da filial da Havan na capital maranhense foi erguida no sábado dia 21 de agosto. A loja está com inauguração prevista para dia em 02 de setembro, como antecipou o blog de Diego Emir. Será a primeira unidade da rede de lojas de departamento no estado, mas há expectativa de que outros municípios também venham ser contempladas, dentre eles Imperatriz, na região tocantina, a seguranda maior cidade do Maranhão.

Instalada na avenida Daniel de La Touche, nome do francês fundador da cidade, a mais de 12 quilômetros do Centro Histórico de São Luís, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e que deu à cidade o título de Patrimônio Cultural Mundial da Humanidade, conferido pela Unesco em 1997.

Estátua da Liberdade da Havan está distante do Centro Histórico de São Luís

A oposição ao empreendimento surpreende porque até auxiliares do governo, que deveriam estar atraindo investimentos para o Estado, se apresentam como contrários à chegada da empresa. Até uma petição online a fim de pressionar a Justiça a impedir a insralacao da escultura de 35 metros. Cerca 5,4 mil pessoas assinaram o documento.

A atriz Claudiana Coutrim filiada ao PCdoB, é uma das ativistas mais ferrenhos contra o empreendimento. Ela fez um vídeo no qual lê um manifesto em que critica a agressão que o monumento causaria na paisagem urbana da cidade.

“Alguém consegue imaginar uma estátua da Liberdade em Olinda, Ouro Preto ou Diamantina? Não dá! A exemplo de São Luís, são cidades tombadas pela Unesco como Patrimônio da Humanidade. Em qualquer um desses sítios urbanos, instituições como o Iphan reagiriam com rigor”, diz o manifesto da atriz.

Mais contundente, o deputado federal Márcio Jerry (PCdoB), secretário das Cidades e Desenvolvimento Urbano chega a chamar de imbecil o empresário Luciano Hang. “Só um imbecil absoluto como esse tal de veio da Havan para querer instalar na histórica e bela São Luís uma réplica da estátua da Liberdade. A Ilha Rebelde não aceitará a estupidez cafona”, postou em suas redes sociais.

 

Filial da Havan segue as linhas arquitetônicas que marcam todas suas lojas

Livre – O debate político trouxe para o centro debate o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (Podemos), adversário do governador Flávio Dino. Ao confirmar no mês de julho uma informação de Hang, de havia manifestado simpatia pela chegada do seu negócio, Braide explorou aquilo que poucos defensores dos ideais que movem o estado apreciam: liberdade.

“São Luís é livre! E sempre vai receber com entusiasmo empresas e iniciativas que gerem emprego e renda pra nossa gente. Seja bem-vinda à nossa”, escreveu o prefeito em suas redes sociais.

O empresário havia divulgado um vídeo em que lamenta as ações contra a construção da Estátua da Liberdade na sua filial de São Luís. Embora seja um dos maiores símbolos dos Estados Unidos, a Estátua da Liberdade foi criada pelo francês Gustave Eifel e doada aos EUA.

Nesse vídeo, destaca que a estátua é uma criação francesa, a sua loja fica na Avenida Daniel de La Touche (fundador da cidade) e São Luís é a única capital que os franceses fundaram no Brasil. Segundo Hang, o prefeito Eduardo Braide já garantiu que não haverá nenhum problema, pois o que a cidade quer é mais empresas que gerem emprego e renda.
Segundo Hang, será uma loja “ampla e linda”, devendo seguir a tradicional arquitetura em estilo grego e uma gigantesca estátua da Liberdade (igual ao cartão postal de Nova York), na frente. As lojas da Havan fucionam como um pequeno shopping, com praça de alimentação, área de diversão para crianças e outros espaços de interação social.

Diante dessas reações, Hang comemora, pois diz que causou barulho antes de chegar. Ele promete levar uma réplica da Estátua da Liberdade para a cidade de Nova Iorque, nas proximidades do lago artificial da represa da Hidreletrica de Boa Esperança, na divisa do Maranhão com o Piauí.
A estátua seria doada ao município a pedido do senador Roberto Rocha para compor uma obra urbanística.

Mais sobre a Havan – A Havan é uma empresa brasileira do setor varejista, cuja matriz está instalada em Brusque, no estado de Santa Catarina. Fundada em 1986 por Luciano Hang e Vanderlei de Limas, a empresa é conhecida pelas suas lojas com fachadas similares à Arquitetura neogrega e pelas réplicas da Estátua da Liberdade instaladas na frente da maioria das suas filiais.

A Havan comercializa artigos nacionais e importados no atacado e no varejo. Atualmente possui megalojas em dezoito estados e no Distrito Federal.
A réplica do símbolo de Nova York já virou marca da rede de varejo de Santa Catarina. As lojas geralmente são construídas em estradas de grande movimento e a direção destaca que os turistas param para tirar foto.

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