Diretor da Prevent Senior é acusado de mentir e passa à condição de investigado Fonte: Agência Senado

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Pedro Benedito Batista Júnior respondeu a denúncias apresentadas à CPI por médicos

O diretor-executivo da operadora de saúde Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior, que prestou depoimento à CPI da Pandemia, passou da condição de testemunha para a de investigado. Ele foi acusado de mentir e de ter trabalhado em conjunto com o chamado gabinete paralelo, que atuaria no Ministério da Saúde.

Os senadores também apresentaram vídeos, áudios e documentos encaminhados à comissão com denúncias de médicos e pacientes que comprovariam a orientação da Prevent Senior para distribuição da medicação de forma indiscriminada, além da pressão para que os profissionais conveniados prescrevessem o kit do “tratamento precoce”.

Em sua defesa, o executivo disse que ele e a empresa são vítimas de um conluio e de acusações falsas e se recusou a falar de prontuários de pacientes mencionados nas denúncias.

Prontuários – O relator também mostrou mensagens segundo as quais os médicos da Prevent Senior seriam orientados a fraudar os prontuários, de modo que os pacientes recebessem a CID B34.2. Assim, após 14 dias do início dos sintomas (pacientes de enfermaria/apartamento) ou 21 dias (pacientes com passagem em UTI/leito híbrido), a CID — classificação internacional de doença — deveria ser modificada para qualquer outra, de forma a identificar os pacientes que já não tinham mais necessidade de isolamento. Os senadores classificaram essa orientação como fraude.

Durante o depoimento, Batista Jr. negou que a operadora tenha ocultado mortes de pacientes em estudo realizado para testar o “tratamento precoce” contra a covid-19. Ele ainda disse que o dossiê do estudo sobre a prescrição da medicação, enviado à comissão, foi adulterado por médicos da empresa e que nunca houve distribuição de “kit-anticovid” para pacientes sem indicação médica.

De acordo com o diretor, o casal George Joppert Netto e Andressa Hernandes Joppert, médicos desligados da Prevent, em junho de 2020, manipularam dados de uma planilha interna para tentar comprometer a operadora.

Ao responder o senador Eduardo Girão (Podemos-CE), o investigado esclareceu que os profissionais tinham autonomia para o diagnóstico e prescrição do tratamento e que a operadora possui ata notarial para que os senadores façam acareação das informações.

À Soraya Thronicke (PSL-MS), ele esclareceu, ainda, que a distribuição dos medicamentos foi feita pela Prevent Senior apenas para aqueles que tiveram o tratamento prescrito pelo médico e que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) permite essa prática. A resposta foi recebida com ironia pela senadora.

Anthony Wong – O relator questionou sobre a causa da morte, em janeiro deste ano, do pediatra e toxicologista Anthony Wong, que era defensor do “tratamento precoce”. Segundo denúncia de ex-médicos da operadora, teria sido internado com sintomas de covid-19 e morrido em decorrência da doença. Os denunciantes afirmam, em áudio exibido pelo relator, que a Prevent Senior escondeu a verdadeira causa do óbito na declaração. O depoente se recusou a responder,  dizendo que há proibição expressa da família para que se comente sobre o caso.

O relator lamentou a falta de informações e citou ainda que as mesmas suspeitas são direcionadas a mãe do empresário Luciano Hang, dono da Havan. Segundo Renan Calheiros, ela teria ido a óbito por covid-19, o que não consta na declaração emitida pela Prevent Senior. Para ele, as denúncias, se certificadas, caracterizariam uma “farsa” para proteger a “narrativa negacionista” do governo.

Hang foi defendido pelo senador Jorginho Mello (PL-SC), que o classificou como “empresário sério”.

“Paliatização” – O senador Otto Alencar, que também é médico, denunciou o que apontou de “paliatização” do tratamento da contra covid-19 pela operadora. Ele explicou que o procedimento se dá com a transferência de pacientes da UTI para a enfermaria, onde são administrados medicamentos paliativos, já quando não haveria chance de recuperação. E considerou o ato como uma “violência macabra”

Inicialmente o depoente disse que não comentaria a denúncia, mas em seguida pediu que cada caso fosse avaliado isoladamente, levando em consideração também os dados gerais das mortes por faixa etária “para não haver generalizações”.

Ministro da Saúde – Ainda no início da reunião, Otto Alencar fez referência ao ministro da Saúde Marcelo Queiroga que testou positivo para covid-19. Ao classificar a participação da comitiva brasileira na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, como vexatória, o senador e o presidente da Comissão, Omar Aziz (PSD-AM) defenderam que a CPI aguarde a quarentena do ministro para que ele seja reconvocado.

(Agência Senado)

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Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação