Empregabilidade seria maior se houvesse melhor qualidade no ensino, diz CNI

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MARQUEZAN ARAÚJO

Os setores da construção, serviços industriais de utilidade pública e metalurgia são os que mais contribuem para o desenvolvimento industrial do Maranhão. Ao lado de outros, esses segmentos respondem por 69,3% da indústria do estado, conforme dados disponíveis no Portal da Indústria.

Além disso, números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), apontam que o setor que mais gerou emprego entre os maranhenses em junho deste ano, foi a Indústria de Transformação. Para o gerente-executivo de Estudos e Prospectiva da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Márcio Guerra, parte dessa leva de empregabilidade é dada pela capacitação de pessoas para atuar nessas áreas, ele acha que esse índice poderia ser melhor se a Educação Básica oferecida no Brasil fosse mais eficiente e objetiva.

Com base em estudo da CNI, ele afirma que a qualidade da Educação Básica brasileira já é um problema de muito tempo e isso compromete muito a chega do jovem no mercado de trabalho. “Apesar de a educação colocada hoje passar por uma possibilidade de reforma, ela ainda é pouco conectada com os reais problemas do mercado de trabalho”, comenta.

De acordo com o balanço, que faz parte de um grupo de propostas apresentadas aos candidatos à Presidência da República para as eleições deste ano, o Brasil conseguiu praticamente universalizar o acesso ao Ensino Fundamental. Em 2015, por exemplo, 97,7% da população de 6 a 14 anos estava matriculada nesse nível de escolarização. Contudo, Guerra explica que isso ainda não é o suficiente.

“Nós tivemos um processo de universalização da educação do Brasil, mas quando olhamos as taxas de produtividade, percebemos que a educação não fez transformações na área, muito por causa da baixa qualidade que se tem”, disse.

Naquele ano, cerca de 1,5 milhão de jovens com idade entre 15 a 17 anos deveriam estar cursando essa etapa da formação educacional, no entanto, encontravam-se fora da escola.

Educação técnica  – Segundo dados do último Censo Escolar do Ministério da Educação (MEC), meio milhão de pessoas na região Nordeste optaram por cursos técnicos. Segundo a coordenadora de Educação Profissional, Tecnologia e Inovação do SENAI-MA, Sheherazade de Araújo Bastos, essa procura também faz parte da realidade de universitários.

“Eles não encontram dentro da universidade uma prática como se tem em um curso técnico. A busca por esse curso é uma forma de compensar o que a universidade não tem trabalhado de forma tão forte”, avalia Sheherazade.

Outro ponto positivo observado pela especialista é a facilidade que os cursos de educação profissional oferecem em relação ao ingresso no mercado de trabalho. “Esses jovens têm uma probabilidade de entrar no mercado de trabalho maior do que quando você termina uma Universidade. Porque o técnico tem, entre a teoria e a prática essa associabilidade”, comparou.

Ainda segundo o estudo feito pela CNI, cerca de 64% dos diplomas universitários são provenientes das áreas de ciências humanas e sociais e apenas 16% das áreas de STEM, que abrange Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática). Essas últimas são tidas como fundamentais para a área da produção industrial.

Com isso, é destacada a necessidade de uma força de trabalho qualificada nas áreas de STEM para a evolução da produtividade industrial e a inovação tecnológica no Brasil.

(Agência Rádio Mais)

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Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação