Estudo realizado na UTI do HSD é publicado em revista internacional

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Um estudo realizado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Domingos será publicado no Journal of Intensive Care, publicação oficial da Japanese Society of Intensive Care. Recebido com entusiasmo pelos editores do periódico, o estudo trata da Disfunção Cognitiva, uma forma de demência que acomete um grande percentual de pacientes que passam por doenças graves, internados em Unidades de Tratamento Intensivo (UTI).

Até agora, os estudos vinham mostrando que a disfunção só ocorria em pacientes muito graves e que apresentavam uma forma de disfunção cerebral aguda chamada delirium.

O que o estudo do Hospital São Domingos mostra de novo é que, mesmo pacientes com quadros não tão graves e que não apresentam delirium, também, apresentam um elevado percentual de disfunção cognitiva.

Trata-se de uma informação nova, que muda a visão sobre a doença e que motivará a realização de mais estudos em busca de causas e alternativas de tratamento para este grave problema.

O estudo foi realizado durante três anos e envolveu a participação de nove profissionais do Hospital São Domingos: Dr. José Raimundo Azevedo, médico intensivista e coordenador da UTI do HSD; Enf.ª Widlani Montenegro, coordenadora de enfermagem da UTI; Enf.ª Djane Rodrigues, coordenadora do Programa Trainee; Suellen Souza, psicóloga; Adenilde Leitão, coordenadora da fisioterapia; Vanessa Araújo, supervisora de enfermagem; Margareth Pereira, neuropsicóloga; Patrícia Prazeres e Adriana Mendonça, enfermeiras assistenciais.

Widlani Montenegro, uma das coordenadoras do estudo, acredita que os resultados da pesquisa terão uma influência significativa no meio científico relacionado à Medicina Intensiva. Ela lembra que um estudo anterior publicado em 2010, e que foi realizado pelo mesmo grupo tratando do controle da glicemia em pacientes graves, teve grande impacto na área da saúde, chegando a ser incorporado como conduta a ser seguida em hospitais do Canadá.
O médico intensivista, Dr. José Raimundo Azevedo, afirma que a partir desse estudo está sendo desenvolvido no Hospital São Domingos um programa de prevenção de disfunção cognitiva e de outras sequelas advindas das internações prolongadas em UTI, que em conjunto recebe a denominação de PICS (Post Intensive Care Syndrome).

“Muito recentemente se identificou que isso é um grande problema, ou seja, que o tratamento do paciente grave na UTI não se encerra no dia que o paciente tem alta. Ele precisa tratar de uma série de situações clínicas que são consequências do tratamento prolongado na UTI, que vai ter impacto na vida social, na atividade profissional e no relacionamento familiar desses pacientes”, destaca.

Ele também ressalta: “Uma coisa que também é importante e que a gente já trabalha hoje é a mudança da visão que as pessoas têm da Terapia Intensiva como de um ambiente pesado, que só tem luz artificial. Nós do São Domingos trabalhamos com jardins dentro da UTI e no projeto da nova UTI, que deve ser inaugurada antes do fim do ano, teremos um grande aquário que vai ficar dentro da área dos pacientes, onde todos terão acesso. Então, será a desmistificação da UTI como um ambiente escuro onde não se tem noção de dia e noite, transformado em uma grande área de vivência para os pacientes e familiares”, finaliza.

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