Exposição ‘Viagem’ permanece em cartaz até o mês de janeiro na Galeria Trapiche

0
548

A exposição ‘Viagem’, de Babula Rosana, que reúne 30 obras das artes plásticas, resultado de três anos de pesquisas e vivências por diversas terras indígenas do Maranhão e casarões históricos de São Luís, fica em cartaz até janeiro de 2018, fechando o ciclo de exposições que a Galeria Trapiche promoveu este ano. As visitas podem ser feitas de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h.

“A Chamada Pública Nacional de Ocupação Artística da Galeria Trapiche, lançada em janeiro deste ano, atraiu a participação de artistas de todo o país com interesse em expor trabalhos em qualquer categoria do campo das artes visuais. Tivemos, ao todo, 12 exposições selecionadas, destas conseguimos expor 10 e já entramos o ano de 2018 com duas exposições agendadas. Para nós é de grande importância fechar o ano de uma forma tão positiva e expondo uma artista com 20 anos de carreira. Suas obras são uma viagem pela sua própria história, por ser muito ligada a povos indígenas e expressar isso através da colorterapia”, enfatizou a diretora da galeria, Camila Grimaldi.

Ainda segundo a diretora, a próxima exposição está prevista para ser aberta no dia 15 de janeiro e também faz parte do edital de ocupação. “O principal objetivo da ocupação é o de atender à política cultural municipal que incentiva o fomento às artes visuais por meio de atividades de circulação de obras e intercâmbio do trabalho de artistas de diferentes regiões”, completou.

Obras – As paredes da galeria estão ocupadas por um mapa de terras Indígenas que identificam onde elas estão localizadas em todo país e, de modo especial, no Maranhão. O público pode conferir as pinturas que traduzem relatos de viagens feitas por Babula pelas terras dos Tenharin, no estado do Amazonas; e Gavião, Guajajara, Awá-guajá, Kanela e Kaapor, no Maranhão. Nestes caminhos, o grafismo indígena tatuado no braço da artista também virou fonte de inspiração para padrão de azulejos confeccionados com técnicas de reciclagem de papel. Nas terras indígenas Rio Pindaré, a artista já tem oficina marcada com os índios para que eles produzam peças inspiradas nas suas pinturas e montem futuramente uma exposição.

Ela utiliza tinta acrílica para as pinturas abstratas e papel reciclado para formar os azulejos. “Eu faço as viagens e depois pinto, tento passar uma impressão minha daquilo que vejo nas diferentes aldeias e povos indígenas. Montar uma exposição demanda tempo, porque você produz e precisa guardar, sem comercializar, até que tenham obras suficientes para expor, então acaba sendo um processo lento. Das telas que estão aqui 15 são mais recentes, as outras é a junção da exposição ‘Ser Transparente’, de 2011, e os azulejos da exposição ‘Azulejos de Papel’, de 2007 e 2008. Alguns foram doados para o Museu Histórico e Artístico do Maranhão”, disse a artista.

Babula apresenta nove conjuntos de azulejos coloniais, encontrados em São Luís e interior do Maranhão, confeccionados em alto relevo na técnica de reciclagem de papel. Já as pinturas, possuem suporte de papel de fibra de bananeira. Babaula explicou que faz o papel do tronco da árvore e utiliza para compor suas obras. “Eu faço este papel, mas estes que estão nas obras vieram de Alcântara, de uma oficina que realizei e depois comprei para fazer as molduras e etiquetas”. A exposição é uma coletânea que inclui trabalhos premiados no Maranhão e nacionalmente.

Dentro das atividades da exposição ‘Viagem’, no dia 20 de dezembro acontecerá o workshop ‘Azulejos com Papel Reciclado’, ministrado por Babula Rosana, às 15h, na Galeria. Os interessados podem se inscrever pelo e-mail galeriatrapicheslz@gmail.com. O investimento é de R$ 10,00. A Galeria Trapiche Santo Ângelo está localizada na Avenida Vitorino Freire, na Praia Grande, em frente ao Terminal de Integração.

A artista – Babula é o nome artístico de Rosana Carvalhal Martins. Nascida em São Luís, a artista plástica e produtora cultural fez sua primeira exposição em 1991, em Haia, na Holanda. Desde lá, vem expondo seu trabalho no Brasil e no exterior, com exposições individuais e coletivas. Já realizou os Cursos ‘Pintura do Êxtase’ (1990), no Rio de Janeiro, e ‘Pintura Zen – Osho Ashram’ (1988/89), em Poona, na Índia, além de oficinas e trabalhos em São Luís e Brasília, com comunidades carentes, usuários do sistema público de saúde, pessoas em situação de rua e adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas. Também se dedicou a transformar ambientes e restaurar móveis e objetos.

Ingressou no teatro aos 16 anos, em São Luís, e mais tarde se profissionalizou no Rio de Janeiro, através da Casa das Artes de Laranjeiras (CAL), onde estudou com consagrados artistas da dramaturgia nacional. Descobriu a arte de lapidar e se especializou em ourivessaria, criando peças em ouro, prata e cristais. Em Munique, na Alemanha, tem seu primeiro contato com a pintura. Inicialmente pintava com aquarela em papel. Experimentou diferentes processos de criação, utilizando materiais, técnicas e conteúdos dos mais distintos em viagens pela Índia, Amsterdã, Munique, Berlin, Amazonas, Goiás (Alto Paraíso) e Brasília.

(Secom SLZ)

Compartilhe
Aquiles Emir
Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação