“Somente fascistas acreditam na guerra e nas armas”, diz Flávio Dino ao criticar Jair Bolsonaro

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AQUILES EMIR

Nas duas solenidades em que participou nesta terça-feira (1º), quando foi empossado para o segundo mandato, o Flávio Dino (PCdoB) fez questão de ratificar sua antipatia ao presidente Jair Bolsonaro (PSL) e simpatia pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na Assembleia Legislativa, ele críticou a decisão do presidente de liberar a posse de armas e o descaso com os direitos humanos. “Somente fascistas acreditam na guerra e nas armas. Nós devemos atender a objetivos mais elevados”, afirmou, acrescentando que “não devemos normalizar a barbárie.”

Mais tarde, na sacada do Palácio dos Leões, onde falou para uma multidão, ele encerrou seu discurso com o brado de “Lula livre”, numa menção ao ex-presidente petista que está preso em Curitiba (PR), desde abril, onde cumpre pena por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Apesar das críticas a Bolsonaro, Dino ressaltou que manterá diálogo com o governo federal “para atender aos interesses do povo do Maranhão”. O governador também defendeu a democracia que, segundo ele, é fortalecida pelo pensamento diferente. “Me espanto e me horrorizo com o ódio que jorra das redes sociais. Não devemos normalizar a barbárie porque se a normalizamos, estamos a perenizando e eternizando a busca da destruição do pensamento diferente no Brasil”.

Flávio Dino fez ainda referência à saída dos Estados Unidos da Unesco, a agência de educação, ciências e cultura da Organização das Nações Unidas (ONU), para criticar o descaso com os direitos humanos. “Nesses tempos há quem considere que [os direitos humanos] são uma maldição”, criticou, ao citar o tema como um dos três principais compromissos de seu segundo mandato. Os outros dois são o equilíbrio fiscal e a lisura.

Mais cedo, o governador publicou um tuíte em que fez menção aos empecilhos que a nova Presidência impôs a jornalistas. “A lógica do ‘conflito pelo conflito’, como instrumento ideológico para o exercício do poder, produz hoje suas primeiras vítimas em Brasília: a liberdade de imprensa e o exercício digno do trabalho dos jornalistas. Recebam a minha solidariedade pessoal.”

Experiência – Flávio ressaltou que, após quatro anos de governo, chega ao início do segundo mandato com mais saber e experiência. Mas que isso não significa olhar apenas para o passado: “Sinto o mesmo frio na barriga, o mesmo tremor na alma por ter essa responsabilidade. A experiência não pode se transformar em mais do mesmo”. “Faço o convite a todos que se lancem novamente a essa aventura de fazermos um governo imaginativo, criativo e transformador.”

O governador também destacou a importância do diálogo e da democracia. “As minhas armas são continuar acreditar numa sociedade de iguais, que não estão acima uns dos outros, mas que procuram – cada um a seu modo e a seu tempo – fazer o melhor para vivermos numa sociedade mais justa para todos. Só há paz quando há justiça.”

Dino também destacou que dará atenção especial às gestantes no Maranhão como forma de combate a mortalidade infantil. Afirmou também o incentivo à educação com programa de apoio ao transporte escolar e com aporte federal para finalizar a construção de creches paralisadas. Na área de infraestrutura, defendeu o complexo portuário de Itaqui, que corre risco de ter encerrado o seu convênio com o governo federal. No início de seu discurso, Dino homenageou o ex-presidente da Assembleia maranhense, Humberto Coutinho, que morreu há exatamente um ano.

(Com dados da Secap e Folhapress)

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Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação