Flávio Dino transforma bate-boca de brasileira e portuguesa em assunto de estado

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CONVERSA FRANCA

Bate boca vira assunto diplomático

Confesso a dificuldades de acreditar, e somente após ler a reportagem num veículo de credibilidade como o UOL, ficou a certeza de que não se tratava de fake news, mas continua a incredulidade sobre como um bate-boca entre duas mulheres no aeroporto de Lisboa se transformou num assunto de estado protagonizado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, que dizem ser uma das melhores cabeças do governo Lula.

O que ocorreu?

Uma brasileira e uma portuguesa se desentenderam quando a mala de uma caiu sobre o pé da outra. Na discussão, a europeia recorre a um discurso xenofóbico e sugere que a sul-americana retorne ao seu país de origem.

Quando a brasileira saca um celular para gravar as ofensas, a portuguesa, demonstrando total desequilíbrio emocional, torna-se ainda rude com seu linguajar preconceituoso e reclama que Portugal está sendo invadido.

Uma cena repugnante, que merece censura e severa punição. Daí se tornar problema de estado há uma grande distância, mas foi a escolha do ministro Flávio Dino, que mesmo com direito de expressar opiniões pessoais, suas palavras sempre serão recepcionadas como fossem também do governo, pelo cargo que ocupa, porém, para provar que ninguém é mais patriota do que ele, lançou uma ofensa ao governo português.

Disse que o Brasil recepciona seus cidadãos de volta se Portugal devolver o ouro extraído no Brasil e levado para lá, quando isto aqui ainda era uma colônia. 

“Ela diz assim no vídeo: ‘Vocês estão invadindo Portugal’. Bom, se for isso, nós temos direito por reciprocidade, porque em 1500 eles invadiram o Brasil. Concordo até que repatriem os imigrantes que lá estão, devolvendo junto o ouro de Ouro Preto, e aí fica tudo certo, a gente fica quite”, disse ele, referindo-se à portuguesa, numa aula magna para os participantes dos cursos do Bolsa-Formação, do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci 2), terça-feira (07).

Muita gente aplaude, e compreende-se até a necessidade que os políticos têm de holofotes, mas às vezes luz demais pode cegar, e na cegueira pode-se errar o caminho da boa convivência.

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