Governo não paga aluguel e polícia de Peritoró é despejada pela Justiça

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Moradores do município de Peritoró (distante 234 km da capital) estão sendo obrigados a se deslocar por 63,7 quilômetros, até Codó, para resolver qualquer pendência na área policial, seja para obter uma simples certidão ou registrar uma ocorrência de pequeno furto, passando por problemas mais complexos, como denúncias de assaltos, estupros, assassinatos etc. Isto porque a única delegacia de polícia da cidade (foto) foi desativada, após ordem de despejo judicial do imóvel e o novo prédio em que seria abrigada a unidade de Polícia Civil está com obras paralisadas, sem prazo para conclusão.

Segundo notícia publicada no site do Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Maranhão (Sinpol), na sexta-feira (22) os agentes, escrivãs e delegados lotados em Peritoró foram obrigados a deixar a casa que abrigava a delegacia, após ordem judicial de despejo proferida pelo Juiz titular da Comarca de Coroatá. “A Polícia Civil de Peritoró foi para o olho da rua por falta de pagamento dos aluguéis”, diz o sindicato.

De acordo com a informação, a exemplo do que ocorre em vários municípios, o aluguel do imóvel seria pago pela Prefeitura de Peritoró, mas esta deixou de honrar o compromisso e diante da situação, o dono do imóvel, que é servidor público, interrompeu o contrato, e passados quase quatro anos de inadimplência, decidiu entrar com ação judicial para o despejo do ocupante, no caso a Secretaria de Segurança Pública, ou seja, o Governo do Estado.

Na sexta-feira (22), a diretoria do Sinpol acompanhou os policiais tirando os móveis e inquéritos da delegacia, ao mesmo tempo em que populares procuravam atendimento. Por ordem da Secretaria de Segurança Pública, a delegacia de Peritoró estava sendo transferida para um quarto de alojamento do Quartel da Polícia Militar, medida considerada estranha, “porque são polícias distintas, com funções diferenciadas”.

Para o presidente do Sinpol, Elton Neves, o local improvisado é inadequado e a situação mostra o “desmonte da Polícia Civil”, e acrescenta: “é uma situação de desrespeito com os profissionais da polícia judiciária e com a população que busca o serviço. O que estamos constatando é que os policiais, na sua imensa maioria, estão sem condições de trabalho”, declarou, acrescentando que “a solução emergencial adotada pelo Governo do Estado comprova que a instituição, Polícia Civil não tem casa, não tem delegacia, não tem local para trabalhar”.

Obra de construção da nova delegacia de polícia está paralisada (na placa da foto abaixo a informação sobre custo e prazo de sua conclusão)

Ainda de acordo com a diretoria do sindicato, a situação poderia ter sido evitada, “se o Governo do Estado não agisse com tamanha morosidade”. Ao lado da casa alugada onde funcionava a delegacia, estava sendo construída uma nova unidade de Polícia Civil, mas passados quatro anos do seu início as obras estão paralisadas.

Para o vice-presidente do Sinpol, José Rayol Filho, a dura realidade dos policiais civis maranhenses é resultado da péssima política governamental para a segurança pública.

“O humilhante despejo da Polícia Civil se soma às outras adversidades, que vão da falta de recursos materiais a humanos. A categoria tem sofrido com a desvalorização e desvio de função”, disse.

Em nota, a Secretaria de Segurança alega que o contrato de aluguel, em atraso há quatro anos, foi firmado pelo governo anterior, e garante que todos os serviços à população de Peritoró vão ser oferecidos na cidade de Codó.

(Com dados do Sinpol)

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Aquiles Emir
Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação