Greve de ônibus não afeta apenas Prefeitura de São Luís, mas o Governo do Estado também

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Ônibus que fazem linhas intermunicipais também estão parados, mas o problema parece ser apenas da capital

Paço do Lumiar, São José de Ribamar e Raposa são afetadas

AQUILES EMIR

A greve no sistema de transporte coletivo, que nesta terça-feira (26) entrou no sexto dia, está afetando os quatro municípios da Ilha, mas a impressão que se tem é que trata-se de um problema localizado na capital, e que o prefeito Eduardo Braide é o único responsável pela crise e que cabe a ele encontrar a solução para o problema. Assim como a população de São Luís, estão prejudicados também moradores de São José de Ribamar, Raposa e Paço do Lumiar.

Vale ressaltar ainda que as linhas que interligam esses municípios são concessões do Governo do Estado, portanto cabe à Agência de Mobilidade Urbana (MOB) também entrar no debate para resolver essa crise, mas, por enquanto, auxiliares e assessores do Governo do Estado, bem como políticos aliados ao Palácio dos Leões, em vez de se apresentarem para intermediar o debate entre patrões e empregados, atiçam o embate entre as duas categorias com o objetivo claro de prejudicar o prefeito da capital, Eduardo Braide.

Braide, aliás, já deveria ter convocado os prefeitos Dr. Julinho (São José de Ribamar), Paula da Pindoba (Paço do Lumiar) e Eudes Barros (Raposa) para juntos debaterem essa questão. Deveria chamar também Daniel Carvalho, presidente da MOB, a fim de que desse a posição do Governo quanto a um possível reajuste de passagens, pois, do contrário, vai continuar padecendo sozinho.

O prefeito de São Luís, aliás, já garantiu que não reajustará tarifas de ônibus, mas ele fala apenas por São Luís. Os demais prefeitos também firmam esse compromisso com suas populações? E o Governo do Estado não reajustará também? Resumindo, enquanto Braide não resolver os demais vão ficar de braços cruzados, deixando as populações dos quatro municípios desassistidas?

Vale ressaltar que as linhas de Maiobão, Araçagi, Vila Sarney Filho, Raposa e muitas outras são concessões do Estado, embora seus ônibus circulem dentro de São Luís, atendendo em grande parte o deslocamento de moradores da capital de um bairro para outro. A grande maioria desses passageiros, contudo, é de pessoas que vêm dos outros municípios para São Luís ou vice-versa.

Os usuários desses ônibus, em grande parte, saem de suas cidades ou povoados para vir a São Luís trabalhar, em busca de atendimento médico, resolver problemas no Judiciário, comprar ou mesmo cumprir uma agenda social ou de lazer. O mesmo transporte é usado para o retorno. Trata-se, portanto, de um problema que o Estado não pode se omitir, tampouco transferir responsabilidades.

Vale destacar ainda que a crise é trabalhista. Trabalhadores reivindicam melhorias de salários e benefícios que os patrões não querem conceder. O poder público apenas intermedeia a crise para evitar transtornos à população e ao ser chantageado a reajustar passagens para solucionar faz a situação se agravar.

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Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação