Grupo chinês CCCC opta pelo Pará para instalação de usina siderúrgica gera polêmica entre deputado Adriano e secretário Simplício

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AQUILES EMIR

O secretário de Indústria e Comércio, Simplício Araújo, e o deputado estadual Adriano Sarney (PV) abriram uma “guerra” verbal pelas redes sociais. O motivo seria a opção da China Communication Constrution Company (CCCC) em levar para Marabá uma usina de aço laminado. O acordo, com chancela da Vale, foi assinado dia 23 de maio com o Governo do Pará.

Adriano irritou o secretário ao sugerir que os maranhenses que estavam na fila por um emprego em Bacabeira, onde o grupo CBSteeel, também da China, tem um projeto semelhante, mudem de rota e sigam para Marabá, pois as oportunidades de trabalho vão estar lá. Simplício, em resposta ao parlamentar, elenca uma série de projetos que teriam sido prometidos para o Maranhão nos governos de Roseana Sarney (tia de Adriano), mas que naufragaram: Pólo de Confecções de Rosário, Usimar e Refinaria Premium I (esta de responsabilidade da Petrobras e que foi lançada pelo ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva).

A verdade é que, ao que tudo indica, o Maranhão largou atrás na corrida por uma siderúrgica de capital chinês. Vale e CCCC devem apresentar até o ano que vem o projeto e o licenciamento completos, com previsão de início das obras para 2021 e funcionamento já a partir de 2022. Simplício garantiu a Maranhão Hoje que o empreendimento não inviabiliza o do Maranhão.

Ao assinar o protocolo de intenções, o governador Jader Barbalho (MDB) disse que o Pará “está abrindo uma janela que permite um horizonte de novos negócios para a atividade da mineração, absolutamente importante para o Estado”. O investimento na implantação da usina de laminação de aço é de US$ 450 milhões, equivalente a cerca de R$ 1,5 bilhão, e tem como parceiros as empresas Vale e China Communication Constrution Company (CCCC), controladora da brasileira Concremat.

Mauro Viegas Neto, presidente executivo da Concremat, lembrou que a tratativa para a assinatura do protocolo de intenções começou há um ano e meio. “Temos indicações positivas de atrativo do empreendimento, além da força e seriedade da parceria. Que esse projeto seja uma alavanca econômica de empregos para a região”, reforçou.

O diretor-presidente da Vale, Eduardo Bartolomeo, reconheceu a importância do Pará no tamanho que a empresa ostenta hoje. “Acreditamos que podemos ir além. O Pará fez da Vale uma empresa forte, e nosso compromisso é contribuir para que o Pará prospere”, assegurou.

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Caminho inverso – “Enquanto todos os investimentos estão retraindo no resto do País, estamos investindo R$ 1,5 bi, o que reforça nosso ambiente econômico de atração de negócios como resistente a essas dificuldades”, avaliou o governador.

“Com o protocolo e mais a retomada das atividades de 100% da Hydro, creio que em uma próxima avaliação do comportamento da economia e do emprego no Estado já haverá um cenário apontando para uma rota de crescimento”, acrescentou Helder Barbalho, aproveitando para reforçar sua expectativa de anunciar, ainda este ano, os investidores consolidados para a construção dos mais de 700 quilômetros da Ferrovia Paraense, que ligará Barcarena a Marabá, e à Norte-Sul.

Ele também adiantou que em agosto irá à China com empresários paraenses para apresentar o Estado a novos investidores e propor mais parcerias.

Sobre a escolha de Marabá para sediar o polo, o chefe do Executivo estadual enalteceu o hub logístico da região e a proximidade da mina de ferro. “A articulação institucional e política precisa estar compatível com a viabilidade do projeto”, reiterou. “Ainda mais com as obras do derrocamento do Pedral do Lourenço garantidas para iniciar em setembro, teremos a navegabilidade plena do Rio Tocantins todos os meses do ano a partir de 2022. Tudo isso monta um cenário favorável”, afirmou o governador.

Cobrança – Aos parceiros, Helder Barbalho agradeceu a confiança no potencial do Estado, mas adiantou que será firme rumo ao resultado final, lembrando que outros protocolos semelhantes foram firmados em gestões passadas e não se concretizaram. “Podem ter certeza de que o Governo não permitirá ou aceitará que este protocolo não saia do papel. Vamos cobrar e fazer nosso dever de casa, garantindo ambiente institucional de segurança jurídica e atração econômica. Trabalharemos para agilizar o processo ambiental, e não mediremos esforços para que toda e qualquer burocracia possa ser eliminada. Estamos falando de um projeto estratégico, estruturante e determinante”, garantiu.

A tão esperada verticalização mineral deve tornar, futuramente, o Pará apto também a discutir a produção da chamada linha branca – geladeiras e outros eletrodomésticos – e mesmo a de veículos. “Invertemos a lógica. Foram 40 anos tirando nossos minérios in natura apenas na atividade primária, para beneficiamento em outros países e estados. Agora é perspectiva real de extração, oferta e agregação de valor”, pontuou o governador.

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Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação