Infectologista da Universidade Federal alerta para colapso na rede de saúde

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Especialista alerta que ritmo de contaminação é preocupante 

O infectologista e professor do Departamento de Saúde da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) Antônio Augusto Moura da Silva alerta para um risco de colapso na rede pública hospitalar se os casos de coronavírus 

“Nossa vigilância epidemiológica está tão enfraquecida que não conseguimos acompanhar a epidemia pelo número de casos, porque a testagem é muita baixa, nem pelo número de óbitos, porque a notificação é feita com muito atraso”, revelou.

Com essas fragilidades, segundo ele, a única maneira de acompanhar em tempo real a epidemia é por meio dos dados das internações que são publicados todos os dias no Boletim Epidemiológico do estado, que discrimina o número de leitos ocupados, tanto em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) quanto em enfermarias, de pacientes com coronavírus.

“Os dados do Boletim Epidemiológico em São Luís denunciam que estamos chegando mais próximo da nossa capacidade máxima de leitos de atendimento nos hospitais. Já na cidade de Imperatriz, nessa última semana, o sistema de saúde entrou em colapso, com a taxa de ocupação de leito atingindo o limite, e pacientes sendo transferidos em situação de urgência para a capital”, denunciou.

Os dados ficam mais alarmantes quando o especialista faz uma previsão para daqui um mês. “Estimamos que, daqui a trinta dias, haverá uma estimativa de 190 pacientes necessitando de tratamento intensivo em São Luís, sendo que, até a semana passada, o número de leitos disponíveis em UTI era de 159. Já a necessidade de leitos clínicos ultrapassará a capacidade potencial máxima de expansão em 180, considerando que, no primeiro pico da epidemia, o sistema contava com 600 vagas de leitos clínicos. Essa projeção prevê uma grande probabilidade de que o sistema hospitalar de São Luís esteja num colapso iminente, tendo duas ou três semanas para colapsar de fato”, conjeturou.

O infectologista acrescentou que, no setor privado, os dois maiores hospitais de São Luís estão com 100% de ocupação em UTI Covid, um deles com fila de espera de seis casos. “Esses hospitais estão fazendo um esforço hercúleo de ampliar o número de leitos para atender aos pacientes que estão chegando e sempre com fila de espera. Isso, tecnicamente, é a saturação do serviço de saúde”, analisou.

Ao término de sua apresentação, o docente frisou que conhecer a realidade é o primeiro passo para orientar as ações que poderão ser adotadas no futuro. “A primeira coisa que deveríamos fazer no Brasil para controlar a pandemia seria uma grande campanha de comunicação. Acredito que muitas pessoas sabem o que está acontecendo, mas, talvez, não tenham a dimensão real do perigo potencial que o mundo está enfrentando. A sociedade não tem esse conhecimento, e, infelizmente, voltar qualquer atividade presencial significa colaborar para que a transmissão continue”, advertiu.

No bojo de ações de combate à disseminação do coronavírus, o reitor Natalino Salgado pontuou as medidas tomadas pela instituição. “Desde o início da divulgação da disseminação da covid-19 no país, agimos com foco em proteger a nossa comunidade acadêmica por meio da suspensão das atividades presenciais, produção de cartilhas informativas, arrecadação de doações de fundos e materiais, produção de álcool em gel, máscaras e protetores faciais, editais de auxílio digital e a criação de um Comitê Operativo de Emergência de Crise. Estamos fazendo um esforço gigantesco para mantermos a Universidade ativa, mas com todos os cuidados da preservação da vida”, finalizou.

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Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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