Lula e FHC se unem ao presidente da Argentina contra posição defendida pelo Brasil no Mercosul

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Paulo Guedes defende tarifas de importação menores

Os ex-presidentes brasileiros Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB) apoiaram, em nota conjunta, o presidente da Argentina, Alberto Fernández,  em sua decisão de resistir à iniciativa do Brasil de reduzir unilateralmente tarifas de importação no Mercosul. A posição dos dois ex-adversários contraria a política ultraliberal de abertura do Mercosul defendida pelo ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes.

“Concordamos com a posição do presidente da Argentina, Alberto Fernández, de que não é o momento de reduções tarifárias unilaterais pelo Mercosul, sem nenhum benefício para as exportações do bloco”, diz nota dos dois ex-governadores.

“Concordamos também que é necessário manter a integridade do bloco para que todos os seus integrantes desenvolvam plenamente suas capacidades industriais e tecnológicas e participem de forma dinâmica e criativa na economia mundial contemporânea”, afirmam os ex-presidentes.

Paulo Guedes defende a redução da Tarifa Externa Comum para permitir a entrada de produtos importados de outras regiões com tarifas mais baixas na Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil.

Paulo Guedes incentiva ainda cada país a negociar unilateralmente – ao contrário do que indica o Tratado de Assunção dos fundadores do bloco – acordos de livre comércio com regiões e países sem o consenso dos demais membros.

Guedes afirma que o Brasil não pretende abandonar o Mercosul, mas defende que se “modernize” com a redução da tarifa externa comum.

“Não vamos sair do Mercosul. Queremos continuar com a integração, mas não está funcionando como deveria . Queremos modernizar o Mercosul”, garante ele.
Saiba o que defende cada país sobre tarifa de importação:
O que quer o Brasil?
O governo brasileiro quer a revisão das tarifas de importação do bloco, reiterando a defesa de taxas menores. Baixar as tarifas depende de um acordo com os demais membros e enfrenta resistência da Argentina. As propostas de flexibilização do bloco serão debatidas em abril, num encontro de chanceleres.
O que propõe a Argentina?
A proposta do atual governo do país é que a redução aconteça “por meio de uma revisão racional e pragmática, com maior objetividade e com a preocupação para a geração de empregos”, segundo o presidente Alberto Fernández. Ele defende a criação de uma comissão para analisar o assunto.
Qual a posição do Uruguai?
O presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, tem posição semelhante à do Brasil e afirma que o país precisa avançar rapidamente no sentido dessa flexibilização e que não há tempo de formar comissões.
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Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação